.:: espaço onde alunos e alunas do PPGEDU da UFRGS interagem e refletem sobre suas leituras e atividades.

Relendo Clássicos é um projeto vinculado ao [zaptlogs] da ZAPT / UFRGS , Porto Alegre, RS, Brasil

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Sábado, Maio 08, 2004
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Aula do dia 04 maio

A aula da última terça feira da professora Carmen Machado se inicia com uma colega de Pelotas falando sobre a SOLIDÃO, de estar ou não só. E fez do início da aula, um momento de reflexão com duas músicas. Esta colega faltou a três aulas, teve seus motivos e neste instante também não nos interessa seus motivos, senti sua falta, um ou outro colega também notaram sua falta. Mas a professora sabia seus motivos e isso é o que importa. Estar "só" não significa somente estar sozinho, não ter ninguém a sua volta. A presença física. Pode até haver calor das outras pessoas, mas não é tão significante quanto estar presente de "corpo e alma". Remeto a uma experiência de vida pessoal, a virada do ano de 1999 para 2000 (era a grande e mais charmosa virada de ano dos últimos anos, estamos entrando em 2000 diferente dos últimos 999... 1999, era uma mudança para "2", 2000!!!). Eu estava na Alemanha realizando um estágio. Passei esta famosa virada na cidade de Berlim. Estava com mais 5 amigos alemães, segundo a polícia estavam presentes dois milhões de pessoas. E eu me senti só! Muito só!

Para uns ter este momento de solidão traz consigo a tristeza, para outros um momento de reflexão sobre si, sobre seu eu interior e exterior, pode ser um momento de transformação. Pois as vezes temos que encontrar portas, onde não há mais saídas.

Alguns colegas propõem algumas categorias para com mais clareza podermos estudar a obra de Gramsci. São elas: intelectual orgânico, estrutura e superestrutura, escola unitária, consciência em si, movimentos orgânicos/ movimentos de conjuntura, filosofia da práxis, sociedade civil e política, estado, política, relações entre forças sociais, bloco histórico e ideologia.

Esta aula transcorreu diferentemente das outras, não teve um colega que apresentasse algum dos textos de Gramsci, foi uma aula de bate papo, ao meu ver. A professora ou algum colega falava ou provocava sobre um determinado assunto e um ou mais colegas discutiam sobre este assunto, com a intervenção ou não da professora, relacionado-o com o texto de Gramsci: "Maquiavel, a Política e o Estado Moderno".

Gramsci foi um intelectual que teve a relacionalidade como princípio norteador de seu pensamento político-filosófico suas idéias perpassavam em PROMOVER O AUTO- CONHECIMENTO, a AUTO-DISCIPLINA, o CONHECIMENTO DO OUTRO e a CONSTITUIÇÃO DE UM PENSAMENTO POLÍTICO.

Já Maquiavel surge com uma das figuras emblemáticas do Renascimento, do político e do pensador, se dedicou a escrever obras que mudaram o pensamento político na época: O Príncipe (1513) e Discursos sobre os Primeiros Dez Livros de Tito Lívio (1513-1517). Me remeto a obra de "O Príncipe", onde Maquiavel para escrever se isolou com a família em uma fazenda após ser demitido do seu trabalho.

Gramsci, assim que foi preso solicitou que o deixassem escrever, mas a permissão foi-lhe negada. Em 1927, por exemplo, pediu aos seus amigos as obras de Maquiavel para ler. Somente em Janeiro de 1929, depois de dois anos e quatro meses, obteve permissão para escrever. O primeiro caderno começa em 8 de Fevereiro de 1929.

Percebemos que ambos, de certa forma se isolam, buscam voluntariamente ou não a solidão. Solidão esta imposta para Gramsci quando foi preso, se isolou da sociedade, mas me parece que não se sentiu só. Seus companheiros eram os livros que lia, seu papel, seu lápis para escrever e interagir com suas cartas à família ou seus livros escritos sobre diversos temas. Maquiavel se isolou voluntariamente, sua solidão foi um momento de reflexão e transformação, pois escreveu um livro e quis por opção, ficar longe da sociedade.

Cada um destes autores mesmo se isolando teve sua identidade cultural preservada. Pois defendiam e pertenciam a um determinado grupo social. Foi discutido em aula a IDENTIDADE CULTURAL, que identidade é esta? Cada país tem a sua identidade cultural através da moeda, da língua, do território e de seus símbolos nacionais. Mas, atualmente, em todas as partes do mundo estamos vivenciando um movimento de unificação econômica. Para muitos este movimento de unificação econômica é mais conhecida como GLOBALIZAÇÃO. A globalização se inicia mais fortemente na Europa com a abertura das fronteiras, do capital, pela necessidade de consumo ( todos nós temos na bolsa ou algum artefato de outro país, principalmente da China), transformando a identidade cultural de um país para uma identidade européia, ou quem sabe, em breve em mundial. Surge aí uma ruptura da identidade cultural. Eu mesma citei o exemplo da Alemanha, onde a moeda, o Marco Alemão, era uma moeda forte, com notas fabricadas em 1940 e que valia até o ano de 2001. Os alemães sentiram muito a perda desta parte da "identidade cultural". Hoje são mais de vinte países que tem a mesma moeda, o "EURO" na "Comunidade Européia".

Com tudo que observamos no mundo, na realidade que nos cerca, me pergunto. Esta transformação foi uma vontade coletiva? De toda uma população ou somente dos burgueses, dos detentores do capital? E os intelectuais? Quem seriam os intelectuais que estão em retiro, em seu momento de solidão fazendo suas análises lúcidas para compreender, analisar ou criar idéias de um novo mundo?

Um forte abraço a todos os colegas!
Viviane Loeser







Terça-feira, Maio 04, 2004
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Tarefa para o dia 11 de maio, tendo como ponto de partida a aula de hoje ( 4 de maio)

Compartilhar é dividir para trocar. Proponho dividirmos a turma em 3 grupos:

a) O grupo 1 (Luiz Fernando, Márcia, Mireila, Sônia, Rafael, Beto e Viviane) fará cada um a postagem sobre a aula de hoje, conforme combinamos ao final da aula.
b) O grupo 2 (Silvana, Jara, Liliana, Isabela, Vera Rosana e Nadia) fará comentários sobre os post dos colegas do 1º grupo.
c) Já o grupo 3 (todos e todas os outros colegas que não estão listados nos grupos 1º e 2º comporão o 3º grupo) fará cada um, uma sintese comentada das idéias dos dois grupos anteriores. Até a próxima aula, quanto ao texto, será o mesmo da aula de hoje.

Mãos-à-Obra!
Carmen






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Aos colegas mestrandos e doutorandos do TRAMSE (Trabalho, Movimentos Sociais e Educação).

Solicito que mandem seus dados, nome, atividades profissionais, temática de pesquisa.... e uma foto (caso queiram), para a Suzana colocar na página do núcleo de pesquisa. O email dela podem pegar comigo, com a Sônia, com a Carmen. Aproveitem e olhem a página do InTRAMS, do TRAMSE e do Argumento. É só clicar nos links existentes no Relendo os Clássicos, na lateral.

Espero que todos já tenham conseguido baixar o bloggar. Agora é só postar.
J





Domingo, Maio 02, 2004
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Pessoal, já que estamos lendo O Príncipe Moderno, vale a pena visitar este endereço. É um texto do Octávio Ianni : O Príncipe Eletrônico. Chega ser assustador, mas é importante percebermos para onde caminhamos em termos de hegemonia. www.clacso.edu.ar/~libros/anpocs/ianni.rtf Rita Mombelli





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Quanto mais se lê Antonio, mais se aprende que:
   Gramsci foi um intelectual que teve a relacionalidade como princípio norteador de seu pensamento político-filosófico. Por exemplo, quando ele trabalha a noção de "bloco histórico", estrutura/superestrutura são igualmente determinantes. Assim, fugiu do economicismo mecanicista e também do idealismo. A relação perpassa todo o seu instrumental analítico-teórico, ou seja, as categorias de bloco histórico, hegemonia, intelectuais, sociedade civil e política, teoria ampliada do Estado, todas encadeadas dialéticamente.
Por ser um homem que pensava em termos de relações, seu entendimento sobre as formações sociais era global. Escrevendo sobre o fordismo, reconhece explicitamente que a homogeneidade, a padronização e as economias e empresas de escala são símbolos "inseparáveis de um modo específico de viver, de pensar e de sentir a vida"(Gramsci), e não apenas da esfera econômica. Esta visão de mundo refletia em sua prática política, e como Deputado e Secretário do Partido Comunista Italiano sempre pregou a busca dos elementos revolucionários e inovadores "onde quer que se evidenciassem: no operariado,mesmo não sendo comunista, no sofrido homem dos campos do sul da Itália, e nos intelectuais e artistas mais vivos e inteligentes mesmo sendo liberais"( In: Nosella).

Pesquisei e mando para todos os colegas do Tramse Relendo Clássicos. Carmen Castro.Antonio Gramsci