.:: espaço onde alunos e alunas do PPGEDU da UFRGS interagem e refletem sobre suas leituras e atividades.

Relendo Clássicos é um projeto vinculado ao [zaptlogs] da ZAPT / UFRGS , Porto Alegre, RS, Brasil

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Sexta-feira, Maio 21, 2004
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Pessoal!
Parece que os comentários ficaram esquecidos!
Mais do que isto, o pedido da Márcia continua sem resposta, ou eu é que estou enganada?
Para quem não estve presente no dia 18 de maio informo que combinamos a leitura do "Americanismo e fordismo" para a próxima semana.
Bom fimdi!!! Bom desconso e também trabalho, espacialmente nas leituras!
ont>Carmen
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Terça-feira, Maio 18, 2004
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Amigos!

Vcs devem estar iniciando a aula. Eu estou aqui (no meu cárcere) impedida de participar presencialmente por motivos inesperados-imprevistos no meu local de trabalho, os quais necessito resolver ainda hoje.
Sendo assim, gostaria que colocassem um relato do que for discutido e as leituras que deverão ser feitas para o dia 25.05.
Agradeço a quem puder colaborar. Um ótimo encontro e mais uma vez obrigado! Marcia





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Genial as descobertas que começam a aparecer!
Tanto as de produção de texto como a de nosso desconhecimento da tecnologia!
Eu não sei como resolver a dupla postagenm mas eu sei que no Zaptquest do Blog [zaptlogs] voces podem encontrar a orientação para retirar o que foi publicado em dose dupla.
Quanto às questões retomares presencialmente algumas, hoje!
Esta aqui comigo a Jara, ainda relutante em aprender a mexer nestas coisas maquinavélicas!
Até a tarde.




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Queridos colegas, penso que agora consigo retornar a este meio de comunicação. Estava com dificuldades. Este é um teste. Continuemos com Gramsci, italiano um pouco complicado, mas que aos poucos vamos fazê-lo falar mais para nós, que preicsamos ouví-lo e assim poder interpretá-lo. Abraços, Isabela Camini




Segunda-feira, Maio 17, 2004
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[como usar o wbloggar]


Pessoal, corrigi o link para baixar o programa wbloggar, pois mudou. Clique AQUI para baixar o programa e aprenda como usar neste post. Talvez tenha sido por isso que alguns não conseguiram instalar.





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[mudanças no blogger]


As mudanças no blogger estão fazendo com que o wbloggar não funcione para a edição (corregir/deletar) de posts. Para estes movimentos é necessário acessar diretamente o site do blogger. Acredito que em breve haverá correção para esta limitação.





Domingo, Maio 16, 2004
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Ao tentar entender melhor as idéias de Gramsci reli as anotações em aula e textos e me surgiram algumas questoes:
1- Gramsci coloca que a escola deveria ser unitaria (pois entende a escola como uma das maneiras de transformacao da sociedade) como seria esta escola, tem os principios da teoria critica da educacao?

2- Com relacao as categorias tenho dificuldade para entender qdo se refere a estrutura e a super estrutura. Estrutura seria como a sociedade esta organizada em termos de hierarquia de classes, politica, economia e super estrutura as normas e valores que esta organizacao impoem?

3- e a filosofia da praxis nao entendi esta categoria, qual é o seu conceito.

Abraços a todos
Ate terça feira

Maira Rozenfeld





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Ao tentar entender melhor as idéias de Gramsci reli as anotações em aula e textos e me surgiram algumas questoes:
1- Gramsci coloca que a escola deveria ser unitaria (pois entende a escola como uma das maneiras de transformacao da sociedade) como seria esta escola, tem os principios da teoria critica da educacao?

2- Com relacao as categorias tenho dificuldade para entender qdo se refere a estrutura e a super estrutura. Estrutura seria como a sociedade esta organizada em termos de hierarquia de classes, politica, economia e super estrutura as normas e valores que esta organizacao impoem?

3- e a filosofia da praxis nao entendi esta categoria, qual é o seu conceito.

Abraços a todos
Ate terça feira

Maira Rozenfeld





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Fiquei devendo o resumo sobre
(da Marcia)

Gramsci e a escola

Lembrando que Gramsci foi o marxista que mais longe levou as reflexões sobre a escola.

A escola da época era fragmentada, somente uma escola unitária levaria a superação da hegemonia vigente e imposta pela classe dominante.

Uma definição de hegemonia: “exercício de uma classe por meio da direção e consenso. Para o operariado criar consenso de uma concepção de mundo diferente da dominante e superá-la. Segundo a Vera (muito bem colocado), essa tentativa de superação é denominada de contra-hegemonia

A escola para Gramsci, assim como o Partido Político e o sindicato de fábrica, cumpre sua função social no ambiente de cultura e de hegemonia.


Escola da Época

1-Tradicional, elitista, burguesa

Perpetua e cristaliza as diferenças sociais

2-Totalmente humanista ou totalmente técnica

3-Com ensinamentos dogmáticos, desvinculados da realidade

4-Supre apenas interesses práticos, imediatos – é desinteressada de mais ou especializada de mais

5-Mantém extrema distância entre os Liceus e as Universidades



Escola proposta por Gramsci - Escola Unitária e ou Ativa – Nova


1-Considerada um instrumento de edificação da sociedade

1.1Pretensão de que as classes sociais atinjam maior protagonismo social

1.2Escola única, inicial, de cultura geral, humanista, formativa. Que equilibre trabalho manual/industrial e intelectual.


2-A escola elementar oferecendo noções das ciências naturais, do mundo das coisas. Ampliando para direitos e deveres e vida estatal e civil.



3-Superação dos esquemas teóricos da época, através da abordagem de conteúdos, temas que entendessem a realidade, conseqüente superação da visão folclórica.

3.1-Desenvolvimento de autonomia moral, autodisciplina e humanismo.

3.2-Superação do senso comum.



4.Maior aproximação professor-aluno

4.1-Professores inseridos na vida prática, tratando de problemas da vida prática


5-Estreitar a distância entre Liceu e Universidade realizando seminários já no final do estudo no Liceu. As escolas deveriam possuir ambientes, salas especiais, bibliotecas; os alunos deveriam freqüentar em tempo de aula estes ambientes.

5.1-Exigir dos alunos criatividade não apenas nas universidades, mas trabalhar com seminários nos anos finais dos Liceus.


Reflexões sugeridas:

1- O que entendemos hoje sobre reforma da escola? Redução de Custos?

2- Como percebemos a política educacional comparada a outras políticas governamentais?

3- Como explicar a frase em frente a uma escola: “Paz entre os homens, guerra entre as classes”.


Outro [] a todos!





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Caros Colegas e Carmen, (texto da Marcia)
O blogger está quase em sua totalidade um instrumento síncrono online. Podemos marcar encontros via blogger pois acessamos muitas vezes ao mesmo tempo. Verifiquei no início da tarde: a Hedi e a Regina postaram mens. A Regina* traz Boaventura de Sousa Santos (gosto desse autor) e a Hedi uma questão importante sobre como "de modo dialético a hegemonia social se faz hegemonia escolar" - tema que resume a o final da aula de terça dia 11.06. Lembro que comentávamos sobre o esmaecimento das lideranças promotoras de revoluções sociais significativas, que no início a Jara sugeria a publicação de artigos em periódicos como jornal e revista, a Vera levantava a questão sobre a fase política em que segmentos da nossa política se encontram em que se preferiu deixar a luta - enfrentamento direto e realizar "acordos estratégicos" (é isso Vera?), eu e outros comentávamos que um pouco da contribuição que os professores podem dar é no sentido de articular entre os alunos a reflexão sobre todas as questões sociais. Independentemente da área de conhecimento de atuação do professor. Comentávamos sobre consciência, que muitos jovens não possuem e que pode ser trabalhada em aula. Imagino que daí tenha surgido a questão da Hedi. Considero uma questão extremamente polêmica, uma responsabilidade muito grande que pode ser assumida ou não, pelos professores, afinal temos a "máscara" do conteúdo programático (que necessita ser bem trabalhado), mas ele tb pode ser fuga e omissão. Terminamos a última aula com a Carmen comentando sobre como mobilizar forças maiores se não conseguimos mobilizar um pequeno grupo e sugerindo ampliação das questões: sociedade civil, bloco histórico e correlação de força. Também aconselhando a leitura "O príncipe", entre outros para auxiliar na compreensão dos conceitos de Gramsci.
Relativo a Maquiavel em "O príncipe"
O obra tem objetivo de indicar formas de controlar-governar principados na época das conquistas, na Itália; principados que possuíam governantes e leis próprias. Este controle pode ser fácil ou mais exigente, assim Maquiavel cita exemplos como de Luis XII, reino de Dario ocupado por Alexandre o Grande. Cita exemplos de principados "...conquistados com as próprias armas..." , "...com armas e virtudes de outrem" e "...com malvadez ...com atos maus". Comenta como "...devem ocorrer as injúrias ao povo...". Que se chega ao principado "...graças ao favor do povo ou dos nobres". Afirma que a milícia e as armas são fundamentais, cita 4 tipos de milícias e a necessidade da prontidão do exército para uma emergência. A arte da guerra deve ser sempre exercitada. Para finalizar, explana as características necessárias aos príncipes que devem evitar o ódio e o desprezo dos súditos. Devem desenvolver a generosidade, mas não em exagero, a parcimônia e a economia. Afirma que é melhor ser temido do que amado - evita a traição. O que me deixa desiludida: o príncipe só deve manter a palavra dada quando não lhe for prejudicial. Deve evitar o ódio (caso considerado volúvel, efeminado, indeciso,...) Deve ser forte, corajoso e decidido para não precisar voltar atrás em uma decisão. Desaconselha aduladores, mas sugere secretários (conselheiros sábios) que pensem principalmente no próprio príncipe. Desvincula o bom governo das amarras características da igreja. Elogia Papas armados, conquistadores,... mas incentiva a autonomia ao príncipe para decisões a favor do Estado, enfim transforma a visão do bom governante. Considera impossível só características positivas ao príncipe, mas tb. Que jamais deve colocar interesses pessoais acima do Estado, inclusive, manter respeito às mulheres e fortuna de seus súditos. Certamente Maquaivel "acerta contas" com algumas incoerências medievais.
Sobre Sociedade Civil
Logo que pensamos em civil lembramos que parece ser o oposto de Estado... No Brasil esse termo começa a ser usado na 2ª metade dos anos 70 em pleno surgimento de novos movimentos sociais e deterioração da ditadura militar. Nesta época Gramsci passa a ser amplamente absorvido pelo pensamento social brasileiro. Gramsci pensa em sociedade civil segundo Marx e supera os conceitos emitidos por Hegel e Croce articulando uma nova teoria política marxista. Esse conceito correu riscos de ser equivocadamente tratado sendo considerado positivo tudo que vier da sociedade civil e negativo tudo que vier do Estado, na época de luta contra a ditadura militar. Porém, conhecemos que nem tudo que vem da sociedade civil é bom e nem tudo que vem do Estado é mau. Segundo Semeraro, 1999 o conceito de "sociedade civil" originário de Gramsci possui imensa densidade política, é uma arena privilegiada da luta de classe, uma esfera do ser social onde se dá uma intensa luta pela hegemonia; e precisamente ela não é o "outro" do Estado, mas, juntamente com a sociedade política ou o Estado-coerção, um dos seus conceitos constitutivos.
Sobre Bloco Histórico
Segundo Oliveira s/d, para Gramsci, Bloco Histórico é a articulação interna de uma situação histórica precisa. O Bloco Histórico é dividido em estrutura, conjunto das relações materiais e superestrutura, conjunto das relações ideológico-culturais. No seio do Bloco Histórico Estrutura e Superestrutura mantém uma relação orgânica e dialética representada pelos intelectuais. Cabe dizer que para Gramsci os intelectuais não são aqueles "grandes intelectuais clássicos" mas sim, aqueles que possuem uma "consciência elevada" e que são capazes de elaborarem uma ideologia para a classe que representam. Portanto, os intelectuais formam uma camada social diferenciada, ligada à estrutura e encarregada e elaborar e gerir a superestrutura que dará a uma classe que representam, homogeneidade e direção do Bloco Histórico; este é o caráter dialético da relação orgânica entre estrutura e superestrutura. Então, não existe primazia superestrutural sobre o estrutural. Essa é a polêmica entorno do pensamento de Noberto Bobbio quando ele afirma que a superestrutura domina a estrutura. Como vimos, a relação entre esses dois conjuntos do Bloco Histórico é orgânica e dialética.
Para Gramsci os intelectuais são os agentes da superestrutura. Seu trabalho é desenvolvido no seio da sociedade civil. A função dos intelectuais das classes subalternas é a de elaborar uma ideologia e transforma-la em uma nova "concepção de mundo". A difusão dessa nova "concepção de mundo" é feita através dos aparelhos privados de hegemonia na sociedade civil. Portanto, o novo Bloco Histórico a ser construído deve ser representado pelos intelectuais orgânicos das classes subalternas - os intelectuais orgânicos do proletariado devem fazer oposição aos intelectuais tradicionais da burguesia que representam o "antigo" Bloco Histórico.
Conclusão de Oliveira: Após analisar o conceito de Bloco Histórico em Gramsci, chego a conclusão de que para se construir o socialismo e destruir o Estado burguês é necessário que primeiramente o proletariado consiga conquistar a hegemonia dentro da sociedade civil ( guerra de posição). A hegemonia da burguesia repousa essencialmente sobre a "direção intelectual e moral" da sociedade, na impregnação ideológica de todo o sistema social. Portanto, a destruição do Estado burguês não se dará com uma revolução armada ( guerra de movimento) antes de se conquistar a hegemonia. A guerra de movimento contra a burguesia é inevitável mas , a chance do proletariado de triunfar em uma possível Revolução nas sociedades "ocidentais" está no apoio e na base que a sociedade civil irá lhe dar ; "o Estado é somente uma trincheira avançada, atrás da qual se encontra uma robusta cadeia de fortalezas e casamatas".
Outro autor comenta (não lembro qual): "Um dos maiores desafios políticos e pedagógicos que bate à porta do século XXI, particularmente para o Brasil, é superar a condição de massa e fortalecer uma sociedade civil criativa que nasce das aspirações populares e busca autodeterminação, cidadania e participação ativa na gestão democrática do poder. A concepção original de sociedade civil delineada por Gramsci é uma fonte de inspiração fundamental para enfrentar os impasses atuais e construir uma sociedade livre e democrática".
Fico devendo correlação de força.
Todas estas questões são reflexões sobre a minha imensa necessidade de conhecer e aprofundar elementos teóricos para ampliar a minha área central de atuação - a formação docente - e pensar sobre a questão do trabalho e campo de atuação do profissional formado nesse curso(Licenciatura em Computação) do grupo das licenciaturas. Como formar docentes que trabalhem com tecnologia em prol de um mundo mais justo e solidário sem refletir sobre todas as questões político-sociais? A área da tecnologia, especialmente a virtual, proporciona formas de comunicação e possibilidades de ampliação da consciência, reflexão e emancipação. Postando no blogger - dialeticamente - comprovamos esta teoria. O meio virtual proporciona nossa aproximação extra-classe. Como seria interessante aproveitarmos estes textos, ampliar e publicar. Vejo nosso grupo estreitar laços de amizade presencialmente. Aos poucos vamos conversando com os colegas e conhecendo suas peculiaridades. Acho que agora seria um ótima época para uma nova apresentação, pois imaginamos em que áreas os colegas atuam, não lembramos os nomes,... Conversando com o Dalton (está certo?) descobri que ele leciona Física! Bem, até agora a disciplina trouxe "tudo de bom" conheci a Carmen Castro, a Mireila e tantos admiráveis colegas, mas que acabo não lembrando os nomes.
Gostei d+ da idéia da Jará de enviarmos artigos para periódicos, podíamos ainda pensar em unir artigos ao longo da disciplina e tentar um meio formal de publicação. Já pensaram em um livro?
Regina: acho que para tirar uma mens. enviada 2 vezes só a Susana, pois quando clicamos em postar/enviar enviamos o nosso texto para o servidor que hospeda o blogger. A Susana deve ter uma senha e poderá retirar, apesar que prefiro em dose dupla do que nenhuma... Imagino que o nosso editor de webblogger apenas abra local nossos textos.
Um abraço forte a todos! Marcia





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Colegas, desculpem a repetição do texto. Não consegui aprender como desfazer ou corrigir o que já foi postado e publicado. Caso alguem possa me fazer este favor, ficarei muito agradecida. Abraços, REGINA CELI.





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Domingo, 16 de maio de 2004

Caros colegas,

Na semana passada, enviei um e-mail à professora Carmen, falando das minhas angustias, sobre a leitura que fiz do "Maquiavel Notas sobre o Estado e a Política" (GRAMSCI, Cadernos do Carcere, Vol.3, p. 13-109). Tentava alguma contribuição para a aula passada, conforme nos foi recomendado, mas não conseguia fazer nenhuma que julgasse relevante para discussão no grupo. Ainda assim, arrisquei com um pequeno comentário (não publicado aqui, naturalmente!). Agora, arrisco mais, com uma nova tentativa:

GRAMSCI em Boaventura de Sousa Santos?

Tomo como referência o texto Globalización y Democracia que é a Conferência apresentada por Boaventura Santos, no Fórum Social Mundial Temático: Democracia, Derechos Humanos, Guerras e Narccotráficos, realizado em Cartagena das Índias, Colômbia, em junho de 2003. (Disponível em: www.ces.fe.uc.pt.).
Boaventura começa explicando sobre uma característica das sociedades modernas: a existência de uma discrepância entre as experiências que vivemos e as expectativas que temos de forma que, quem nasce pobre pode morrer rico, o que não acontecia nas sociedades antigas, onde havia uma simetria entre experiências e expectativas e quem nascia pobre, morria pobre, quem nascia analfabeto, morria analfabeto. A sociedade moderna assenta-se, pois, na interpretação de mundo, "espera com esperança", a qual chamamos de progresso, desenvolvimento, modernização, revolução, reformismo.
O autor prossegue dizendo que hoje, porém, vivemos em um mundo em que para a grande maioria da população mundial esta discrepância se inverteu: as experiências atuais são provavelmente muito difíceis, mas as expectativas são ainda piores. Isso quer dizer que quando acontece uma reforma na saúde, na educação, na segurança social, não é para melhorar, senão para piorar! Então, hoje, a maioria da população "espera sem esperança". Não há expectativas. Trata-se de um colapso total das expectativas que é o próprio colapso da sociedade em si, do contrato social, com processos de exclusão irreversíveis; é a "sociedade incivil", desigual e que depende, totalmente de forças poderosas sobre as quais não se tem nenhum controle.
Trata-se de uma situação onde os poderosos têm poder de veto sobre a vida dos fracos e vulneráveis, caracterizando um fenômeno que o autor denomina de "fascismo social". Não é um regime político, mas um regime social, uma forma de sociabilidade onde uns tem capacidade de veto sobre a vida de outros. É uma situação que se mantém sob a forma de dois tipos violência: a violência política organizada e a violência "comum". Estamos correndo o risco de viver em sociedades que são politicamente democráticas, mas socialmente fascistas, diz Boaventura Santos.

<b>Como isso foi possível? Onde está a solução? Que instrumentos temos para sair dessa situação? Que fazer, então? Que diz Boaventura Santos?

(OBS: quem quiser, pode parar a leitura por aqui e fazer suas reflexões gramscianas. Quem desejar saber o que diz Boaventura Santos sobre isso, pode continuar).

- O que diz Boaventura Santos:
Como isso foi possível? Um marco dessas mudanças seria os anos 80, com a globalização neoliberal que termina uma tensão criativa que existia entre democracia e capitalismo. Essa tensão era criada pelas seguintes idéias:
1- o trabalho era o motor da cidadania. No início, o contrato social era muito excludente, mas os trabalhadores lutaram para ter seus direitos e o trabalho era, assim, o motor da cidadania. Hoje em dia, este motor ficou dentro do marco da sociedade e da economia nacional, mas a economia globalizada tem feito uma coisa muito simples: concebe o trabalho como um recurso global, mas não há um mercado global de trabalho, então o trabalho não é mais o motor da cidadania;
2- o segundo mecanismo dessa tensão é que o Estado tinha começado a criar, através da luta dos trabalhadores, das mulheres, das classes populares, interações não mercantilistas entre os cidadãos, então, se alguém adoecia, havia um sistema de saúde que fazia com que a pessoa não se veja obrigado a ir ao mercado de serviços médicos. Com a globalização neoliberal, desde os anos 80, isso foi totalmente invertido. Hoje, o estado é um agente de interações comerciais. As privatizações dos serviços públicos são exatamente isso, a transformação de relações que não eram comerciais, em relações completamente comercias, como educação, a segurança social. O Estado tem feito isso sob pressão global.
Tudo isso significa que o Estado que até então era considerado uma solução para os nossos problemas, passou a ser nosso problema (ruptura do contrato: Sociedade X Estado).

Onde está a solução? Na sociedade civil. Essa solução significa uma inversão total de uma idéia anterior a qual dizia que o Estado não é o contrário da sociedade civil, mas o seu espelho, ou seja, um Estado democraticamente forte podia criar uma sociedade civil forte, e vice versa. Os anos 80 inverte essa lógica e a idéia oposta é a que domina: para que uma sociedade civil seja forte é necessário que o estado seja fraco.

Que instrumentos temos para sair dessa situação? Teríamos dois grandes instrumentos para criar expectativas positivas, mas se foram: o reformismo e a revolução. A queda do muro de Berlim é o símbolo da crise simultânea do reformismo e da revolução. Resta-nos apenas, 2 instrumentos hegemônicos para repor a lógica e uma estabilidade de expectativas: a democracia e os direitos humanos os quais, como instrumentos hegemônicos significam que suas promessas de dignidade podem não ser cumpridas. È claro para todos nós que existem democracias que convivem com muito despotismo social. Por outro lado, há muito sofrimento humano injusto que não se constitui uma violação dos direitos humanos.

Que fazer, então? Buscar nesses instrumentos hegemônicos as sementes de uma contra hegemonia. O autor propõe repolitizar e radicalizar os direitos humanos e a democracia, ou seja, reinventar a tensão entre democracia e capitalismo, fazer com que, o objetivo desta democracia seja fazer um mundo menos confortável para o capitalismo, para que um dia possamos criar uma alternativa. Para tanto é necessário criar não só alternativas democráticas, mas também um pensamento alternativo de alternativas.
Como a democracia é hoje, o único regime político legítimo, ela vem sendo um dos temas mais discutido pelos povos do Fórum Social Mundial. O Banco Mundial e o FMI exigem a democracia como uma de suas condicionantes, não reconhecendo alternativa de democracia, enquanto nós estamos buscando uma alternativa de globalização neoliberal. Aí está o problema, diz Boaventura.
Não queremos uma alternativa de democracia. Queremos uma democracia alternativa. São conceitos diferentes de democracia. Pensamos como Rousseau: "só é democrática uma sociedade onde nenhuma pessoa é tão pobre que ten que se vender a outra e nenhuma pessoa é tão rica que pode comprar outra". Segundo esse critério, não temos sociedades democráticas!
Portanto, a democracia, hoje, é parte de nosso problema, como de nossa solução. Enquanto parte da globalização neoliberal é parte de nosso problema e então, há que criticá-la e denunciá-la. Enquanto parte da globalização alternativa é parte de uma solução.

- Podemos identificar GRAMSCI nesse pensamento de Boaventura ?

Abraços para todos. Até terça! Regina Celi.





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Domingo, 16 de maio de 2004

Caros colegas,

Na semana passada, enviei um e-mail à professora Carmen, falando das minhas angustias, sobre a leitura que fiz do "Maquiavel Notas sobre o Estado e a Política" (GRAMSCI, Cadernos do Carcere, Vol.3, p. 13-109). Tentava alguma contribuição para a aula passada, conforme nos foi recomendado, mas não conseguia fazer nenhuma que julgasse relevante para discussão no grupo. Ainda assim, arrisquei com um pequeno comentário (não publicado aqui, naturalmente!). Agora, arrisco mais, com uma nova tentativa:

GRAMSCI em Boaventura de Sousa Santos?

Tomo como referência o texto Globalización y Democracia que é a Conferência apresentada por Boaventura Santos, no Fórum Social Mundial Temático: Democracia, Derechos Humanos, Guerras e Narccotráficos, realizado em Cartagena das Índias, Colômbia, em junho de 2003. (Disponível em: www.ces.fe.uc.pt.).
Boaventura começa explicando sobre uma característica das sociedades modernas: a existência de uma discrepância entre as experiências que vivemos e as expectativas que temos de forma que, quem nasce pobre pode morrer rico, o que não acontecia nas sociedades antigas, onde havia uma simetria entre experiências e expectativas e quem nascia pobre, morria pobre, quem nascia analfabeto, morria analfabeto. A sociedade moderna assenta-se, pois, na interpretação de mundo, "espera com esperança", a qual chamamos de progresso, desenvolvimento, modernização, revolução, reformismo.
O autor prossegue dizendo que hoje, porém, vivemos em um mundo em que para a grande maioria da população mundial esta discrepância se inverteu: as experiências atuais são provavelmente muito difíceis, mas as expectativas são ainda piores. Isso quer dizer que quando acontece uma reforma na saúde, na educação, na segurança social, não é para melhorar, senão para piorar! Então, hoje, a maioria da população "espera sem esperança". Não há expectativas. Trata-se de um colapso total das expectativas que é o próprio colapso da sociedade em si, do contrato social, com processos de exclusão irreversíveis; é a "sociedade incivil", desigual e que depende, totalmente de forças poderosas sobre as quais não se tem nenhum controle.
Trata-se de uma situação onde os poderosos têm poder de veto sobre a vida dos fracos e vulneráveis, caracterizando um fenômeno que o autor denomina de "fascismo social". Não é um regime político, mas um regime social, uma forma de sociabilidade onde uns tem capacidade de veto sobre a vida de outros. É uma situação que se mantém sob a forma de dois tipos violência: a violência política organizada e a violência "comum". Estamos correndo o risco de viver em sociedades que são politicamente democráticas, mas socialmente fascistas, diz Boaventura Santos.

<b>Como isso foi possível? Onde está a solução? Que instrumentos temos para sair dessa situação? Que fazer, então? Que diz Boaventura Santos?

(OBS: quem quiser, pode parar a leitura por aqui e fazer suas reflexões gramscianas. Quem desejar saber o que diz Boaventura Santos sobre isso, pode continuar).

- O que diz Boaventura Santos:
Como isso foi possível? Um marco dessas mudanças seria os anos 80, com a globalização neoliberal que termina uma tensão criativa que existia entre democracia e capitalismo. Essa tensão era criada pelas seguintes idéias:
1- o trabalho era o motor da cidadania. No início, o contrato social era muito excludente, mas os trabalhadores lutaram para ter seus direitos e o trabalho era, assim, o motor da cidadania. Hoje em dia, este motor ficou dentro do marco da sociedade e da economia nacional, mas a economia globalizada tem feito uma coisa muito simples: concebe o trabalho como um recurso global, mas não há um mercado global de trabalho, então o trabalho não é mais o motor da cidadania;
2- o segundo mecanismo dessa tensão é que o Estado tinha começado a criar, através da luta dos trabalhadores, das mulheres, das classes populares, interações não mercantilistas entre os cidadãos, então, se alguém adoecia, havia um sistema de saúde que fazia com que a pessoa não se veja obrigado a ir ao mercado de serviços médicos. Com a globalização neoliberal, desde os anos 80, isso foi totalmente invertido. Hoje, o estado é um agente de interações comerciais. As privatizações dos serviços públicos são exatamente isso, a transformação de relações que não eram comerciais, em relações completamente comercias, como educação, a segurança social. O Estado tem feito isso sob pressão global.
Tudo isso significa que o Estado que até então era considerado uma solução para os nossos problemas, passou a ser nosso problema (ruptura do contrato: Sociedade X Estado).

Onde está a solução? Na sociedade civil. Essa solução significa uma inversão total de uma idéia anterior a qual dizia que o Estado não é o contrário da sociedade civil, mas o seu espelho, ou seja, um Estado democraticamente forte podia criar uma sociedade civil forte, e vice versa. Os anos 80 inverte essa lógica e a idéia oposta é a que domina: para que uma sociedade civil seja forte é necessário que o estado seja fraco.

Que instrumentos temos para sair dessa situação? Teríamos dois grandes instrumentos para criar expectativas positivas, mas se foram: o reformismo e a revolução. A queda do muro de Berlim é o símbolo da crise simultânea do reformismo e da revolução. Resta-nos apenas, 2 instrumentos hegemônicos para repor a lógica e uma estabilidade de expectativas: a democracia e os direitos humanos os quais, como instrumentos hegemônicos significam que suas promessas de dignidade podem não ser cumpridas. È claro para todos nós que existem democracias que convivem com muito despotismo social. Por outro lado, há muito sofrimento humano injusto que não se constitui uma violação dos direitos humanos.

Que fazer, então? Buscar nesses instrumentos hegemônicos as sementes de uma contra hegemonia. O autor propõe repolitizar e radicalizar os direitos humanos e a democracia, ou seja, reinventar a tensão entre democracia e capitalismo, fazer com que, o objetivo desta democracia seja fazer um mundo menos confortável para o capitalismo, para que um dia possamos criar uma alternativa. Para tanto é necessário criar não só alternativas democráticas, mas também um pensamento alternativo de alternativas.
Como a democracia é hoje, o único regime político legítimo, ela vem sendo um dos temas mais discutido pelos povos do Fórum Social Mundial. O Banco Mundial e o FMI exigem a democracia como uma de suas condicionantes, não reconhecendo alternativa de democracia, enquanto nós estamos buscando uma alternativa de globalização neoliberal. Aí está o problema, diz Boaventura.
Não queremos uma alternativa de democracia. Queremos uma democracia alternativa. São conceitos diferentes de democracia. Pensamos como Rousseau: "só é democrática uma sociedade onde nenhuma pessoa é tão pobre que ten que se vender a outra e nenhuma pessoa é tão rica que pode comprar outra". Segundo esse critério, não temos sociedades democráticas!
Portanto, a democracia, hoje, é parte de nosso problema, como de nossa solução. Enquanto parte da globalização neoliberal é parte de nosso problema e então, há que criticá-la e denunciá-la. Enquanto parte da globalização alternativa é parte de uma solução.

- Podemos identificar GRAMSCI nesse pensamento de Boaventura ?

Abraços para todos. Até terça! Regina Celi.





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teste para ver se funcionaa