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Sábado, Maio 13, 2006
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O Trabalho como princípio educativo em Gramsci
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#Colegas,consegui visualizar o que havia escrito,então vou continuar. Este título está em um artigo da Revista "Educação e Realidade" e é de Paolo Nosella, um dos intérpretes de Gramsci. Tenho tido muitas dificuldades em entender os conceitos de Gramsci sobre a educação e compreendi um pouco daquilo que Nosella interpreta.Permitam que eu transcreva alguns trechos que penso entendi.( estou interessada em saber,opinar a respeito da escola que o Brasil atual precisa ). Nosella diz que para Gramsci é o proletariado industrial,organizado em partido(isto é,os quadros em volta de Ordine Nuovo) a se constituir no protótipo de intelectual orgânico das massas italianas.Na pg.5 nº4 diz que o trabalho industrial é o princípio educativo universal de toda a sociedade moderna. Nosella lembra que Gramsci nega o trabalho que não gera sobretrabalho;isto é, aquele trabalho que gera apenas a sobrevivência individualizada sem jamais produzir riqueza universal.Esta é a base objetiva e necessária para a construção do novo homem culturalmente desenvolvido e potencialmente socialista.É por isso que ele defende radicalmente o trabalho industrial,como a forma moderna de atividade produtiva e princípio educativo do homem moderno. Há muito mais neste art. de Nosella. Na pg. 06 da Revista Educação e realidade Nosella diz que Gramsci aponta com clarezao novo trabalho industrial (não americano),socialista:o equilibrio psico-físico do trabalhador e sua produção em vez de ser exterior e mecânico poderá tornar-se um processo interior se o mesmo for proposto pelo próprio trabalhador e não imposto de fora,formando assim uma nova forma de sociedade:interioridade da disciplina,autonomia e originalidade operária. Justificando o que faz o trabalho capitalista,diz no ítem 5 pg.7 " O trabalho industrial,como novo demiurgo modela o homem integralmente,desde criança determinando seus brinquedos,seus hábitos e suas habilidades,até a idade adulta;forja suas necessidades,seu físico e seus músculos,seus princípios e seus sonhos. O mesmo se vê nas mudanças na área das moradias,mudança na economia doméstica,espaços públicos e privados,enfim,o trabalho industrial modifica radicalmente o estado geral das coisas,isto é,o próprio estado,o nível de suas relações de poder e de suas concepções histórico-políticas." Sobre Escolas-ainda Nosella: Gramsci utiliza um conceito de escola muito amplo,quando fala deve-se prestar atenção,porque muitas vezes está a referir-se a escola como círculos culturais:Rotary Clubes,escolas de grandes jornais,das fábricas,do comércio etc.Para ele isto é natural.Gramsci não é um professor,nem um especialista educacional,é um jornalista e chefe de partido. O trabalho educativo-escolar que efetivamente desenvolve se dá na "escola de Ordine Nuovo",do Partido Comunista,que justamente é uma escola no sentido amplo. O autor dá algumas informações gerais sobre o momento histórico político e aponta para as ´idéias principais de Gramsci sobre o trabalho como princípio educativo daquele momento. Para Gramsci o exemplo da revolução russa era imperativo; queria o mesmo para a Itália.Seu interesse para as questões culturais-formativas era orientado pela objetiva preocupação que tinha de preparar os quadros dirigentes que haveriam de governar o novo Estado Proletário. Pensava numa cultura "desinteressada",escola e formação "desinteressada";isto é, que interessa objetivamente não apenas a indivíduos ou a pequenos grupos,mas a coletividade e até a humanidade inteira.Para ele junto está o trabalho,isto é, a cultura,a escola e a formação devem ser classistas,proletárias,do partido do trabalho. "A escola do trabalho e a escola vai à fábrica" talvez os 1º textos importantes que abordam a complexa relação entre a formação humanista e formação profissional.Gramsci denuncia a mesquinhez do Estado que se interessa pela profissionalização a partir de uma "interesseira" situação conjuntual:trata-se de acelerada e febril necessidade que o Estado vive de aumentar a produção industrial de material consumido pela guerra. Nosella sugere alguns textos clássicos de Gramsci sobre trabalho e cultura: "Homens ou máquinas" "A universidade popular" "Para uma associação de cultura" "Cultura e luta de classes" Neles ele reage violentamente as tentativas de se oferecer à classe trabalhadora uma cultura e uma escola pobre,vulgar,sem vida,sem história,enfim,uma indigesta sopa de informações que mantém o operariado eternamente de chapéu na mão e boca fechada e o fixam,como máquina,à política econômica do capitalista. Escritos do após guerra (1919 a 1921 ) Gramsci precisava estabelecer um sério programa de trabalho,para,teórica e praticamente,estruturar um verdadeiro estado proletário alternativo que desse forma política às forças revolucionárias Italianas _ Essa foi a linha de trabalho de seu grupo nos anos após guerra. Teóricamente a 1ª questão era unificar definitivamente o mundo do trabalho com o mundo da cultura; a ciência produtiva com a ciência humanista;a escola profissionalizante com a escola desinteressada. Para Ordine Nuovo,convidava os operários dos conselhos de fábricas,alunos sim,mas sobretudo mestres naquela escola,que o próprio Aquelli,dono da FIAT,tentou comprar,fascinado,mas sobretudo preocupado,por aquela experiência educacional. Nosella sugere ainda mais alguns textos em que Gramsci fala sobre relação de trabalho-educação. "O instrumento do trabalho"-estabelece a primazia política dos conselhos de fábrica sobre o próprio sindicato e partido. "Operário de fábrica"-refere-se ao processo educativo de um novo tipo de humanidade ( a classe trabalhadora ). "A escola da cultura"- Em 4§ nos dá um projeto de escola que, sem ser a tradicional não deixa de constituir-se numa verdadeira escola de "educação direta",orgânicamente ligada a sua matriz pedagógica,a própria fábrica. "O programa de Ordine Nuovo"-onde explica com detalhes sua linha política e educacional. "Superstição e realidade"-escrito pós a greve fracassada de 1920.Diz ele:"será preciso recomeçar do princípio". ESCRITOS DURANTE A ASCENSÃO DO FASCISMO- O processo de ascensão do fascismo é a resposta do capital à nova e incontrolavel esperança revolucionária mundial desencadeada com o fato e o sucesso da revolução russa.A Itália não consegue reprimir os movimentos revolucionários. O Governo e a Igreja apóiam Mussolini e este sem o apoio de Gramsci e seu partido inicia uma repressão violentíssima,e resolve calar de vez a voz de Gramsci o que mandou fazer pela força em 1926. ESCRITOS DO CÁRCERE_ Pode-se dizer que Gramsci no cárcere,ao reorganizar sua reflexão,reafirma a tese de que a base da cultura,da educação e da escola é a prática produtivo-política do mundo do trabalho industrial. A escola unitária não pode pertencer ao vago mundo do trabalho que confunde capital com trabalhador,apenas pode ser gerida pela classe trabalhadora que, a partir da sua prática transformadora,molda um novo currículo educacional. Pg.14 3º§ me fez entender que,para Gramsci a escola unitária e "desinteressada",isto é,formativa;não determina o jovem e sim objetiva sua formação para que se torne um homem de visão geral e superior enquanto que a escola profissionalizante que se segue a unitária,sem deixar sua função formativa-desinteressada,deve objetivar também o treino educação interessada do jovem para que possa exercer a curto prazo uma função intelectual ou prática imediata. Sugere até mesmo um plano educacional. No ítem 6 do artigo de Nosella sobre os escritos de Gramsci ele aborda a questão do 2º grau e da politecnia.A questão do 2º grau vem sendo muito debatida e por isso Nosella deu certa relevância,ele faz uma relação com a escola unitária.Existe um sentimento difuso de que o 2º grau sofre da falta de identidade pedagógica;geralmente é posto no limbo confuso da iniciação ao trabalho.Nosella se questiona 2º grau faz parte da escola unitária? Ninguém duvida que a escola unitária é o 1º grau.A luz da teoria Gramsciana,a unitariedade da escola se contrapõe à duplicação entre a escola científica,profissionalizante,técnica de um lado e escola humanista,formativa de outro. A separação rompe o princípio da unitariedade.Para Gramsci não há dúvida,a escola unitária abrange tanto o 1º quanto o 2º grau. Na escola unitária o 2º grau é a última fase deve ser concebida e articulada como a fase decisiva na qual se visa desenvolver os valores fundamentais do "humanismo"...para posterior especialização,seja de caráter científico (estudos universitários) seja de caráter imediatamente prático-produtivo. Para Gramsci entre 1º e 2º grau a diferença está no método didático. A discussão ou a definição do estatuto pedagógico-didático do 2º grau é uma questão polêmica,não apenas no Brasil. Para Nosella a escola unitária não deve renunciar a sua dimensão formativa desinteressada para exercer treinos profissionalizantes.Ele pensa que é preciso colocar sobre a direção do trabalhador essas escolas ou cursos. Na pg. 17 Nosella fala sobre a chamada formação politécnica. Manocorda sugere o termo tecnologia,acontece que estes termos não são sinônimos. Marx fala de "instrução tecnológica teórica e prática e deixa para os burgueses o termo politecnia. Krupskaya defende a instrução politécnica não contrapondo a tecnológica e sim a instrução profissional ou seja, de fato a direção de seu pensamento aponta para um afastamento do polo profissionalizante. Diz Nosella que sabe que muitos educadores brasileiros quando sugerem a "instrução politécnica" de fato não entendem sugerir a pluriprofissionalização no sentido que o termo "politecnia" sugere etimologicamente e no sentido que a burguesia quer. Gramsci e sem dúvida Makarenko elimina qualquer dúvida sobre o fato do ensino politécnico ser burguês:para ele de fato a escola unitária deve, mantendo as características culturais do Renascimento,estudar a prática do trabalho da sociedade moderna (o mundo da politecnia) a luz da ciência trabalho (tecnologia) e da história-trabalho-humanismo. Foi o que achei de mais interessante no artigo para postar mas é claro que há muito mais. Um abraço ARITA Sexta-feira, Maio 12, 2006
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