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Sexta-feira, Novembro 24, 2006
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Algumas idéias de uma enfermeira tentando se encontrar
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#Por ocasião da primeira aula da disciplina Relendo Clássicos neste semestre, apresentei-me e falei sobre um aspecto do trabalho do enfermeiro, relatando que desde a graduação escutamos de nossos professores e professoras que somos ?educadores por excelência?, mas que, de um modo geral, apenas fornecemos algumas orientações sobre processos fisiopatológicos e algumas medidas que podem alterar o curso de uma doença. O trabalho em Saúde Coletiva acaba evidenciando essa fragilidade do que chamamos educar para a saúde. Mesmo que possamos, através de alguma intervenção, contribuir para que uma pessoa possa sentir-se cuidada, acolhida, recuperada, acabamos por nos deter muito no fisiológico, no medicamento, em técnicas e tecnologias. Em Saúde Coletiva isso não basta, porque se nos limitarmos às técnicas, aos discursos tradicionais, não vamos conseguir que as coisas se transformem. As discussões durante as aulas estão me fazendo perceber melhor o que falta para uma ação educadora, que possa mudar a maneira como fazemos ?saúde? no país, nós, trabalhadores que recebemos salário para recuperar uma função de uma pessoa, que temos "autorização para" definir o que é ou não ser saudável (devemos refletir sobre como e para quê nos foi dado este poder), que podemos dizer para qualquer um o que deve ou não deve fazer para ser saudável, mas que pouco vemos sobre como podemos estar perpetuando modos de cuidar descolados da realidade, da história, da cultura das pessoas. Saímos da Faculdade chamando as pessoas de ?pacientes?; falamos sobre integralidade sem conseguirmos fugir do fragmentado; nem sempre conseguimos perceber o que realmente aflige quem nos procura por sermos ?doutores?; fazemos palestras - inclusive nas escolas - quando queremos "educar" para a saúde; falamos sobre geração de renda, segurança alimentar, cidadania, conselhos de saúde, lazer, mas nossas ações são pontuais, descontinuadas e até pouco atraentes para as pessoas, o que nos frusta e nos faz assumir uma postura de ?não adianta?... Nunca ouvi, dentro das salas de aula e laboratórios durante a minha graduação ou em reuniões de equipes nos serviços de saúde em que atuei, ou em mutirões, eventos, campanhas, reuniões, oficinas ? que são recursos que utilizamos em nosso trabalho ? qualquer referência a ?luta de classes?, ?correlação de forças?, ?ideologia?, "hegemonia" e outros conceitos com que temos trabalhado. Se o que está por trás destas palavras é o entendimento de como as relações de um (grupo) com o outro se constroem para perpetuar exploração, submissão, fome e desvalia, há que se encontrar um modo de semear essas discussões em mais espaços, mesmo que muitos movimentos sejam feitos no sentido de silenciar vozes e consciências. Tendo sido desafiada a escrever ? por mim inclusive ? e ainda tentando organizar as idéias, resolvi colocar aqui um pouco do que me vem ?atormentando?, eu, que tenho despertado aos poucos e que gostaria que estas reflexões pudessem amadurecer cada vez mais e serem oportunizadas para que outros pudessem experienciar um pouco desta distonia com o modo tradicional, dependizador e conservador de trabalhar e educar para a saúde que estou vivendo. |