Intramse sai da rede

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Depois de quase 5 anos de projeto, esta é a última postagem do InTramse. O blog fica online como registro de uma época do TRAMSE, mas não será mais atualizado. Para notícias do TRAMSE, consulte http://www.ufrgs.br/tramse/
ou faça contato com o Núcleo, na UFRGS - 51- 33084144

Entre fetichismo e sobrevivência: o artigo científico é uma mercadoria acadêmica?

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Luis David Castiel; Javier Sanz-Valero

Discutem-se possíveis significados da intensa preocupação vigente nos âmbitos acadêmicos com a idéia de produtividade em pesquisa que se reflete em um excesso de artigos publicados em várias revistas científicas. A contabilização numérica de artigos publicados por investigadores em revistas científicas de reconhecido status acadêmico serve para legitimar acadêmicos nos seus campos de atuação de várias formas. Nesse sentido, sugere-se que o artigo científico assume aspectos de mercadoria como fetiche, segundo a teorização do valor de uso/valor de troca de Marx e do valor de exposição de Benjamin.
Ao mesmo tempo, utilizam-se as idéias biológicas de seleção/evolução como elementos metafóricos constitutivos do "darwinismo bibliográfico". Há referências quanto à possibilidade de grande parte das preocupações bibliométricas vigentes servirem como instrumentos de análise econométrica para, sobretudo, orientar e aperfeiçoar análises de custo-efetividade em investimentos em pesquisa de várias ordens e tipos sob o ponto de vista de seu retorno econômico.

Artigo de Revista; Publicações Periódicas; Comunicação e Divulgação Científica

Link para o artigo no Scielo

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diversas...

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Universidade abre perspectivas para o sul gaúcho
Tomou posse nesta terça-feira, 29, a reitora pro tempore da Universidade Federal do Pampa (Unipampa), Maria Beatriz Luce.

Lista de cotistas da UFSC vaza pela internet
Segundo universidade, hacker invadiu sistema e publicou documento, que traz desempenho de alunos; link estava no Orkut. Relação, com 30 mil nomes, é mantida em sigilo para evitar que aprovados sejam estigmatizados; vazamento acirra a disputa com a Justiça

Caçador de plágios
Programa de computador identifica casos de duplicidade em artigos científicos publicados. Uma análise de 7 milhões de textos da base de dados Medline resultou em quase 70 mil artigos considerados altamente semelhantes

I Simpósio de Ética no Uso de Animais
Evento será realizado durante o XXVII Congresso Brasileiro de Zoologia, que acontece em Curitiba, de 19 a 21 de fevereiro

Pós-graduação: Sem 7, área de Ciências Sociais Aplicadas ganha mais notas 5 e 6
Nenhum curso da área recebeu o conceito máximo; pouca produção discente é considerada o ponto fraco

País ameaçado, artigo de Cristovam Buarque
Se algum país quisesse dominar o Brasil no século 21, não teria estratégia melhor do que abandonar a educação de nosso povo

O calcanhar-de-aquiles da educação brasileira, artigo de João Grandino Rodas
?Nenhuma palavra se disse sobre a causa primeira da lastimável situação da educação superior brasileira, qual seja o baixíssimo nível da educação fundamental, que macula a educação média e torna utópica a possibilidade de ensino superior, no sentido etimológico da palavra?

Instituições podem se inscrever em programa de apoio à formação de professores
Estão abertas a instituições que ofereçam licenciaturas com conceitos satisfatórios no Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (Sinaes), as inscrições para o Programa de Bolsa Institucional de Iniciação à Docência (Pibid)

CNPq divulga resultado das bolsas de produtividade em Pesquisa
Com essa aprovação, o CNPq passa a contar com 10.370 bolsistas de Produtividade

Alexandria - Revista de Educação em Ciência e Tecnologia

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Seminário sobre mulher e mídia

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Sociólogo brasileiro defende abolição do capitalismo como paradigma civilizatório. Entrevista com Michael Löwy

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Michael Löwy é considerado pelos pares um marxista insubordinado. Ele acredita no potencial libertário existente no marxismo, a despeito da aplicação burocrática e autoritária das teorias de Karl Marx pela malfadada experiência soviética. Além de visitar as idéias de Walter Benjamin e Georg Lukács, sua produção teórica perpassa as idéias de Max Weber, o que lhe rende restrições entre marxistas. Suas opiniões radicais, que atingem o próprio marxismo, criticado pela ausência de preocupação ecológica e pelas ilusões a respeito do papel do Estado, se harmonizam com a personalidade tolerante, avessa a rupturas inférteis. A reportagem e a entrevista é de Francisco Quinteiro Pires e publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo, 13-01-2007.

Na definição do amigo e crítico literário Roberto Schwarz, Löwy combina a disciplina do marxista e a transgressão do surrealista. O que poderia ser conflito e prejuízo num intelectual se transforma em 'subversões que atacam a ordem na raiz'. Schwarz é um dos 17 autores, ao lado de Alfredo Bosi e Marcelo Ridenti, de ensaios sobre o sociólogo brasileiro, radicado na França desde 1969.

Proferidas num seminário de 2005 e ora reunidas no livro As Utopias de Michael Löwy, as reflexões abrangem vida e obra desse revolucionário romântico, que aponta o comunismo - erguido em bases democráticas - como alternativa à catastrófica globalização capitalista e afirma estar em curso, na China, verdadeira restauração do capitalismo.

Eis a entrevista.

Faz sentido falar hoje de revolução?

Não só faz sentido falar em revolução, como é mais do que presente a necessidade de transformação radical do sistema capitalista, responsável pela destruição acelerada dos equilíbrios ecológicos do planeta. A principal crítica ao conceito tradicional de revolução é que ele não era suficientemente radical: colocava em questão somente as relações de produção capitalistas. Em outras palavras, o significado da revolução está na mudança do paradigma civilizatório: o atual é insustentável. Não há garantia de que o mundo caminha para a revolução. Pelo caminho atual, chegará a uma catástrofe ecológica sem precedentes, que tem na mudança do clima a expressão mais dramática. A revolução é uma aposta, segundo Blaise Pascal, retomada por Lucien Goldmann, na qual o indivíduo joga a vida, correndo o risco de perder.

O comunismo ainda pode ser uma alternativa mundial à globalização?

O comunismo, definido por Marx e Engels como uma associação de seres humanos livres que trabalha com meios de produção comunitários, é a única alternativa radical, em escala planetária, à globalização capitalista. As grandes decisões sobre produção e consumo não podem ser deixadas em mãos de exploradores - como nas economias de mercado - ou de uma elite técnico-burocrática de planejadores. Elas devem ser adotadas democraticamente, depois de um debate livre e pluralista, pelo conjunto da população, em função das necessidades sociais e de critérios ecológicos. O principal limite da experiência soviética - que transformou a URSS numa gigantesca potência industrial - foi o caráter antidemocrático e o desprezo pelo meio ambiente.

A China é uma economia de mercado ou faz apenas uma experiência controlada do capitalismo?

Está havendo na China um processo de restauração do capitalismo, de forma mais controlada do que na URSS depois de 1991, mantendo um discurso cada vez menos socialista e um sistema político fechado, de partido único. Se existe um futuro socialista para a China, ele não resultará de seus dirigentes, cada vez mais integrados numa lógica de desenvolvimento capitalista. Ele virá da capacidade de os trabalhadores chineses da cidade e do campo se organizarem para lutar por seus interesses. Mas existem, dentro e fora do Partido Comunista Chinês, militantes e intelectuais que ainda pensam em termos marxistas e buscam uma alternativa à restauração capitalista em curso.

O estado bolivariano de Hugo Chávez é uma experiência concreta de socialismo?

Estamos bem longe do comunismo na Venezuela. O projeto bolivariano de Hugo Chávez é um começo de ruptura com a dominação imperialista sobre o país e de uma significativa redistribuição social da renda petroleira. É o processo mais radical em curso atualmente na América Latina, acompanhado de perto pela Bolívia e pelo Equador. Chávez tem colocado a perspectiva de um socialismo do século 21, mas é cedo demais para falar de uma ruptura com o capital. Se a Venezuela tomará o caminho do socialismo, isso depende da mobilização das classes populares. O papel de Hugo Chávez na revolução bolivariana é indiscutível, mas a excessiva personalização do poder é um problema.

Qual o papel do Estado e da democracia na criação de alternativas ao capitalismo?

A democracia é decisiva em qualquer processo de criação de alternativas ao capitalismo: o que é socialismo, senão a extensão, de forma radical e sem concessões, da democracia no terreno econômico e social? Se a democracia política é a recusa de qualquer forma de poder autoritário, o que é a democracia econômica senão a abolição da tirania dos grandes proprietários de fábricas, bancos e terras? Mas a democracia não se limita ao Estado: ela deve se aplicar em todos os terrenos da vida política, econômica e social e no nível internacional.

Qual a urgência da Teologia da Libertação, quando o papa é Bento XVI, um combatente desse 'cristianismo de esquerda'?

Uma coisa é o que se passa em Roma, no alto da pirâmide clerical da Igreja. Outra é o que se passa na base, aqui na América Latina, onde várias gerações de cristãos têm participado, a partir das comunidades de base e das pastorais populares, das lutas sociais e do combate por uma sociedade mais livre e igualitária. Antigamente se dizia na Igreja: Roma locuta, causa finita - Roma (o papa) falou, a discussão acabou. Agora não só os teólogos, mas centenas de milhares de militantes do cristianismo da libertação não abandonaram seus ideais, suas utopias e seu compromisso ativo com a luta dos oprimidos por emancipação. No Brasil, a presença dos cristãos em todos os movimentos sociais - a começar pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) - é decisiva. Não basta uma bula papal para mudar essa realidade.

Em que medida o sr. compartilha a percepção de Walter Benjamin de que o capitalismo é uma religião?

Em O Capital, Marx comparava o capitalismo a uma religião. As mercadorias são percebidas como ídolos, que têm vida própria e decidem o destino dos homens. Esse argumento foi utilizado pelos teólogos da libertação, como Hugo Assmann, Franz Hinkelammert, Jung Mo Sung, para desenvolver uma crítica radical do capitalismo como religião idólatra. A teologia do mercado, de Thomas Malthus ao último documento do Banco Mundial, é ferozmente sacrificial: exige que os pobres ofereçam suas vidas no altar dos ídolos econômicos. Walter Benjamin, ao escrever sobre isso em 1921, não havia lido O Capital. Ele se inspira no sociólogo Max Weber para analisar o caráter cultual do sistema. Na religião capitalista, a cada dia se vê a mobilização do sagrado, seja nos rituais na Bolsa, seja nas empresas, enquanto os adoradores seguem com angústia e extrema tensão a subida ou a descida das cotações. As práticas capitalistas não conhecem pausa, dominam a vida dos indivíduos da manhã à noite, da primavera ao inverno, do berço ao túmulo.

fonte: Instituto Humanitas Unisinos

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Nobel de la Paz pide expropiación de la Amazonia; Brasil prepara ?plan estratégico de defensa nacional?, por Heinz Dieterich

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fonte: Imediata

do artigo de 17/10/2007 da Rebelion.org

1. Rajendra Pachauri y ?la amazona de la libertad?

El hindú Rajendra Pachauri, presidente del Panel Intergubernamental sobre Cambio Climático de las Naciones Unidas, es una persona agradecida. En cuanto recibió el Premio Nobel de la Paz, junto con Al Gore, pagó su deuda con esta institución del imperialismo occidental, sugiriendo la expropiación de la Amazonia: ?No voy a opinar sobre lo que debe hacer el gobierno brasileño, pero las selvas como el Amazonas son las mayores fuentes naturales para la captación del carbono. En el futuro debemos tener políticas claras y un acuerdo internacional para garantizar que la protección forestal aumente en el mundo?.

La demanda de Pachauri renueva un viejo sueño del gran capital occidental. Hace años, la ?amazona de la libertad? de la Internacional Socialista, la ex primer ministra noruega Gro Harlem Brundtland, propuso someter la Amazonia a una autoridad ecológica internacional, dependiente del Consejo de Seguridad de la ONU. El Grupo de los Siete se encantó con la idea y solicitó que la región fuese considerada una ?herencia de la humanidad?.

2. La inerte diplomacia sudamericana

La reacción de la elite brasileña a la creciente presión de desbrasileñar la Amazonia ha sido diversa. En el campo político, la famosa diplomacia de Itamaraty se ha quedado dormida, al igual que la de Venezuela, permitiendo, por ejemplo, que la Organización del Tratado de la Amazonia (OTCA) ?bajo la conducción de su funcionario Rosalía Arteaga, nombrada por Lucio Gutiérrez? abriera las puertas del ?oro verde? al imperialismo europeo (España, Alemania, Francia) y estadounidense.

Esta penetración, en la cual participan gobiernos, ONG´s, fundaciones y universidades, entre otros, se explica en parte por el estado de hibernación de la diplomacia de los países de la OTCA, en parte por el servilismo neocolonial de algunos de sus miembros (Perú, Ecuador bajo Lucio Gutiérrez, Colombia) y la absurda tesis de que se necesita la alianza con el imperialismo europeo para defender la Amazonia del imperialismo de Washington.

3. La respuesta militar brasileña

En lo militar, la reacción ha sido múltiple: a) la generación de una incipiente logística militar y de inteligencia en la Amazonia, p.e., Tabatinga en la triple frontera con Colombia y Perú, y el sistema de inteligencia electrónica, SIVAM; b) un acercamiento con las Fuerzas Armadas de Venezuela, con cuyas adquisiciones de nueve avanzados submarinos rusos, 24 aviones de combate Sukhoi-30, y sistemas misilísticos, los dos países tendrían un potencial militar convencional de gran envergadura; c) la creciente adopción de la doctrina de la guerra de guerrillas y, d) un gradual reacercamiento a la tecnología nuclear.

3.1 Guerra de guerrillas a la brasileña

Cuando la ex presidenta noruega hizo su propuesta de internacionalización de la Amazonia, el general Sotero Vaz anunció la ?vietnamización? de la selva con las siguientes palabras: ?Defenderemos a la Amazonia con una guerra de guerrillas?.

Que esta decisión de los militares brasileños era real, se mostraba, entre otros elementos, en el envío de una misión militar a Vietnam, en el año 2005. La delegación, compuesta por coroneles y tenientes coroneles de centros de instrucción y escuelas de oficiales, tenía la misión de aprender de la guerra popular prolongada vietnamita contra Estados Unidos.

Según el general Cláudio Barbosa de Figueiredo, jefe del Comando Militar de la Amazonia (CMA), en un conflicto en la Amazonia, ?la estrategia de la resistencia no difiere mucho de la guerra de guerrillas y es un recurso que el ejército no dudará en adoptar ante una posible confrontación con un país o grupo de países con potencial económico y bélico mayor que Brasil?. Aseveró que ?se deberá contar con la propia selva tropical como aliada para combatir al invasor?. Recordemos, que son los coroneles y tenientes coroneles los que tienen el control operativo sobre las unidades de combate en las Fuerzas Armadas.

3.2 El componente nuclear

En cuanto al componente nuclear, fue el propio Lula quien lo dio a conocer el 10 de julio de 2007: ?He autorizado los fondos para concluir el primer submarino a propulsión nuclear de la Marina de Guerra brasileña?. ?Si lo que faltaba era dinero, ya no va a faltar?, dijo tras visitar el Centro Tecnológico de la Marina, en el estado de San Pablo.

?Asumí el compromiso de poner los recursos necesarios para que podamos concluir ese proyecto?, confirmó ante los periodistas y explicó que la conclusión de ese submarino, en el que Brasil trabaja desde hace más de 20 años, requiere de una inversión de aproximadamente 68 millones de dólares durante ocho años, ?y, quién sabe, si pudiésemos poner un poco más, podemos anticiparlo, porque está atrasado?. Lula confirmó al mismo tiempo la construcción de la tercera planta nuclear brasileña, Angra III.

4. El ?plan estratégico de defensa nacional?

Ante el planteamiento de Pachauri le tocó al M inistro de Defensa brasileño, Nelson Jobim, responder. La soberanía sobre el Amazonas es innegociable, decía Jobim, y recalcó que es ?difícil recibir recomendaciones? de la India o de Europa. ?Recuerden que ellos destruyeron todo. Vamos a cuidar del Amazonas porque es una cuestión nuestra; los brasileños saben cuidar lo que es suyo?.

Una declaración del gobierno contextualizó las palabras del Ministro, informando que Jobim y los Comandantes de las fuerzas militares de Brasil visitaban los puestos militares de la frontera norte del país para comenzar a elaborar un ?plan estratégico de defensa nacional?, que pretende desarrollar la Amazonía.

Tomando en cuenta el brutal avance del capitalismo agroindustrial brasileño e internacional en la Amazonia, podría resultar difícil convencerse de que la burguesía brasileña sepa ?cuidar lo que es ¿suyo??. Sin embargo, el punto central es que aunque la soberanía de la Amazonia no sea negociable, el futuro de esta región no se decidirá por la negociación, sino por la fuerza.

5. El poder de Brasil

El poder de Brasil radica en tres elementos. El primero es económico. El oxígeno que la humanidad respira es, en gran medida, un producto de la Amazonia. En la crematística capitalista mundial, este producto se convierte en una mercancía, semejante al agua. Aquellos que más consumen esta mercancía ?y que más la contaminan? son Estados Unidos, Europa y China. Y la consumen gratuitamente . Si quieren que se preserve la ecología amazónica, tendrían que compensar a Brasil y los demás países de la cuenca amazónica por ?costos de oportunidad?, pagando el uso de esta mercancía.

El segundo factor es el desarrollo nuclear. Con las reservas sobreproporcionales en agua dulce, biodiversidad, petróleo y oxígeno, América Latina tiene que tener presente un axioma insoslayable de la realpolitik del siglo XXI, formulado hace algunos años con absoluta claridad por el Presidente Francois Mitterrand: que una verdadera soberanía en el siglo XXI solo existirá para los Estados nacionales o regionales que disponen de armas estratégicas.

El tercer elemento es la creación del Bloque Regional de Poder Latinoamericano (BRPL), sin el cual la defensa de la Amazonia, del acuífero guaraní, de la Patagonia y del petróleo de la Faja del Orinoco, son imposibles. Sólo la Unión latinoamericana permitirá a Brasil jugar en la liga de las grandes potencias.

Será difícil que su chovinismo se adapte a tal realidad. Pero si no lo logra, la misma realidad lo despertará un día no muy lejano del ?jogo bonito? de sus fantasías de grandeza.

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O que o Brasil, o México, a Rússia e os EUA têm em comum?

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por Russell Mokhiber

Traduzido de commondreams.org de 17 de outubro de 2007

O que o Brasil, o México, a Rússia e os EUA têm em comum?

Uma nova classe de bilionários em rápida expansão.
Uma pobreza que se alastra.
E uma classe média desamparada.

É o que diz David Cay Johnston, repórter do New York Times e vencedor do prêmio Pulitzer, em seu livro, prestes a ser lançado: ?Free Lunch: How the Wealthiest Americans Enrich Themselves at Government Expense (And Stick You with the Bill )? [Almoço de Graça: como os americanos mais ricos se enriquecem às custas do governo (e mandam a conta para você)] (Portfolio, dezembro de 2007).

No livro, Johnston procura afligir o confortável décimo do um por cento dos estadunidenses no topo ? os 300.000 homens, mulheres e crianças que, no ano passado, fizeram mais dinheiro que todos os 150 milhões de estadunidense juntos, na base.

Sim, temos todos o direito de votar e mudar este estado desequilibrado de coisas.

Mas o poder político nos Estados Unidos é exercido por este estreito e rico segmento da população.

Grande parte da riqueza transferida para o topo chegou através das mãos de artistas do bem-estar corporativo, que transferiram bilhões da classe média para a classe bilionária.

Alguns políticos poderiam tomar a questão política central de ?Free Lunch? ? desigualdade de riqueza ? e basear nisso suas campanhas para a Casa Branca em 2008.

Mas a safra atual dos candidatos corporativos provavelmente ignorarão o fato, para não ofender a classe patrocinadora.

Embora Johnston se concentre nos esquemas perfeitamente legais que empolam os mais ricos dentre os ricos, às custas do restante de todos nós, grande parte do roubo que ele documenta é resultado da pura criminalidade corporativa que prossegue sem que seja promovido um processo de ação penal ou com uma instauração de processos insuficientes.

?Uma das novas regras tem sido a de se certificar de que haja um número insuficiente de ?tiras? em Wall Street para se começar a escrever todas as reclamações legítimas, quanto menos perseguir um punhado de malfeitores?, escreve Johnston. ?Mais importante ainda, as ações de Ken Lay, Bernie Ebbers e dos outros [N. do T.: os responsáveis do escândalo Enron] eram somente parte de uma mudança maciça nas práticas e políticas que continuam. Os escândalos de Wall Street acabaram. A conduta que revelaram está apenas se institucionalizando.?

?Milhares de executivos em centenas de companhias que tiraram dinheiro dos acionistas por meio de ações deliberadas que os distingüem dos bandidos somente por serem cometidas com canetas ao invés de pistolas?, escreve Johnston. ?As técnicas são mais sutis e menos abertamente violentas, mas os resultados são piores, porque destróem a legitimidade da sociedade de formas que os bandidos de rua não poderiam fazer. As normas permitem isso.?

No livro, Johnston focaliza cenas da classe criminosa corporativa que os editores do New York Times nunca permitiriam divulgar.

?Diferentemente do ladrão ou bandido comum, esses executivos contam com os melhores e mais espertos advogados para explicar ou ofuscar suas más condutas,? ele escreve no livro. ?Nas raras ocasiões em que as acusações formais são formuladas, os acionistas enganados, às vezes, acabam pagando para defender os ladrões que os roubaram. Agregadas a isso, estão as legiões de publicistas que são pagos para reportar o que seus patrões querem que nós ouçamos ? a antítese do toque de chamada do jornalismo, no sentido de perseguir os fatos sem medo ou favores. As fileiras desses transformadores de imagem estão crescendo, ao mesmo tempo em que, no país todo, um quarto ou mais de todos os jornalistas estão sendo despedidos, reduzindo-se ulteriormente as chances de que fatos inconvenientes se tornem conhecidos.?

?Os controles e as verificações fornecidos pela supervisão, inspeção, investigação e, em casos extremos, instauração de processo, têm sido todos entranhados em nome da desregulamentação e do encolhimento do tamanho do governo?, escreve ele. ?Quando não há policiais na área, o maior beneficiário não é o contribuinte que é aliviado do custo de se manter os oficiais de polícia, mas o próprio ladrão.?

Johnston salienta que, antigamente, os empréstimos trapaceiros eram levados à justiça. Mas daí nos livramos das leis da usura e passamos novas leis que permitem à ?Goldman Sachs e à Lehman Brothers, ao MBNA e ao Citibank explorar os pobres, os não sofisticados e os tolos.?

?Esses concessores de empréstimos, podem agora cobrar e impor abertamente multas e penalidades que eram ilegais, até mesmo criminosas, uma geração atrás?, diz ele. ?O resultado? Nos últimos 25 anos, aproximadamente, uma família norte-americana em cada sete procurou refúgio nos tribunais federais para bancarrota.

Nós transformamos vícios em passatempos. Caso em questão ? apostar em jogo dinheiro subsidiado que tinha sido prometido aos pobres, aos idosos, aos doentes.?

?É dessa maneira que Donald Trump tira dos menos favorecidos entre nós para polir sua imagem de suposto bilionário,? diz Johnston.

Se estivéssemos em outros tempos, este livro se tornaria um dos best-sellers da lista do New York Times e ficaria lá por muito tempo.

Os 150 milhões de pessoas na base o leriam e ficariam furiosas.

E a política se tornaria populista em 2008.

Mas como as coisas estão agora, Clarence Thomas, Alan Greenspan e Ann Coulter estão em primeiro, segundo e terceiro lugares na lista de best-sellers de não-ficção do Times.

O livro de Johnston não estará nas livrarias até o mês de dezembro.

É hora de mudança.

Russell Mokhiber é editor de Corporate Crime Reporter, com sede em Washington, D.C. http://www.corporatecrimereporter.com .

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48 índios Guarani assassinados em Mato Grosso do Sul no ano de 2007... O que temos a ver com isso?

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Cláudio, Gilson, Marcelo, Marina, Márcio, Ramona, Francisco, César, Edson, Mário, Valdir, Lucas, Ademir... Nomes tão conhecidos, nomes comuns? Uma listagem com 48 (1) nomes de pessoas quase anônimas, daquelas que não contam nas estatísticas, que pesam pouco nas contagens oficiais, as que menos importam... Nomes de Guarani-Kaiowá assassinados no ano de 2007, pessoas que também sonhavam com dias melhores, mortos agora, vítimas da violência cometida contra os povos indígenas em Mato Grosso do Sul. Nomes são marcas que nos individualizam, que nos identificam, e por isso é certamente mais fácil lidar com números, quando se trata de expor a violência. A morte parece menos contundente quando remetida ao campo da estatística. Mas os nomes falam, sussurram histórias pessoais, lembram pessoas que conhecemos, põem em evidência a humanidade e a materialidade das vidas que foram roubadas.

Ao lermos os casos de assassinatos noticiados pelos jornais, esses nomes já não nos são indiferentes, especialmente quando se descrevem as condições das mortes: espancamentos, corpos mutilados por inúmeras facadas ou tiros, enforcamentos, estupros seguidos de morte, uso de meios cruéis, assassinatos praticados diante de crianças, com participação de mulheres e adolescentes. Dados que denunciam uma situação insustentável, e que pode ser vista como um grande grito de socorro. Todos esses nomes pertencem a pessoas que compartilhavam a vida com outras ? eram filhos e filhas, pais e mães, irmãs e irmãos, sobrinhos e netos, eram parte de uma família, de uma comunidade, de um povo, de uma rede de relações que há muito está ameaçada. E a ameaça não é a barbárie ou a falta de civilidade, que muita gente insiste em atribuir aos índios, mas sim a omissão do poder público, a situação de confinamento em que vivem, a falta de terra, a falta de condições adequadas para organizar e manter a vida, a falta de perspectivas, a ausência de justiça e de direitos.

A vida dos Guarani-Kaiowá está ameaçada pelo confinamento de uma imensa população em pequenas áreas, que por sua vez é resultado de uma insaciável sede de produção, de lucratividade, de acumulação que nos torna cegos para as injustiças decorrentes do modelo de desenvolvimento que adotamos como único e inquestionável. Os Guarani-Kaiowá vivem um estado de exceção, parecido com aquele experimentado em tempos de guerra ou de repressão, só que para eles isso se tornou rotineiro e, para nós, parece não fazer diferença. Viver em confinamento, enfrentar a escassez, a fome, a violência, o descaso, o preconceito, a falta de assistência, é uma rotina que torna impossível manter laços de solidariedade, e vivenciar certas tradições, certos costumes que regulam as relações sociais nestas comunidades. Se a desnutrição infantil, noticiada com destaque anteriormente no estado do Mato Grosso do Sul, parecia abalar aquela sensação de que vivemos num país de fartura e de democracia, as notícias de assassinatos indígenas que agora nos chegam desse mesmo lugar parecem não produzir o mesmo efeito. Será que realmente acreditamos se tratar de violência interna, de conflitos entre índios, e pensamos que nada temos a ver com isso?

Se nos conforta essa certeza, é necessário, então, sacudirmos a poeira que recobre o que chamamos de justiça e reconhecer que a violência que assola a vida indígena tem causas implicadas diretamente com nossas vidas, com nosso modelo de sociedade e com as escolhas que temos feito em termos sociais e políticos. Temos tudo a ver com essa lista de nomes de mortos, bem como com as incontáveis listas de pessoas submetidas à semi-escravidão e a condições desumanas de sobrevivência em cada canto desse país. Temos tudo a ver com as concessões dadas a grandes empresas, com a acumulação de terras em latifúndios, com a ampliação dos já imensos plantios de soja, cana-de-açúcar, eucaliptos, e dos cada vez mais amplos campos de criação de gado. E temos também tudo a ver com os desvios de recursos e com a priorização dada a setores financeiros, restringindo sempre mais os investimentos em questões sociais, entre elas a demarcação das terras indígenas.

Afinal, todos nós participamos da consolidação de certas formas de governo, consciente ou inconscientemente, falando ou calando, e desse modo legitimamos certas estratégias políticas e acatamos a omissão de tantos direitos sociais. Se as vítimas indígenas em Mato Grosso do Sul têm nomes, os agressores também têm! Não se trata de responsabilizar apenas a mão que empunhou a arma, a faca, o terçado, a corda da forca, ou que desferiu os golpes, espancando e matando a pauladas. Trata-se de atribuir responsabilidades também, e principalmente, ao poder público, ao Estado brasileiro e ao Governo Federal pela negligência e pelo descaso que leva ao não cumprimento dos direitos constitucionais dos povos indígenas. Se a responsabilidade em demarcar terras indígenas suficientes e adequadas ? assegurando assistência e respeito pelas culturas, crenças, tradições e estilos de vida dos distintos povos indígenas ? fosse efetivamente assumida pelo Governo Federal, é possível que estes cruéis assassinatos não acontecessem. Isso porque, ao assegurar o restabelecimento das condições de vida e de dignidade desta população, seria possível vislumbrar um futuro pelo qual vale a pena viver e lutar. Não se trata de assegurar privilégios aos indígenas, como muitos costumam afirmar, mas de resguardar seus direitos, constantes nas leis brasileiras e referendados, também, em diversos documentos, convenções e normas internacionais.

Pensar nos nomes, nos rostos, na agonia dessas tantas vítimas do descaso e do confinamento nos causa desalento, e é necessário levar em conta que elas tinham diferentes idades... 12, 13, 14, 15, 16 anos! Adolescentes ainda, esfaqueados, violentados, espancados, sem possibilidades de defesa. Adolescentes como nossos filhos, irmãos, netos, passeando, divertindo-se ou a caminho de casa, vítimas da mesma violência que nos apavora quando nossos familiares saem para seus afazeres cotidianos. As vítimas, com seus nomes, histórias e vivências, eram pessoas como nós, para quem certamente a justiça se faz bem mais justa. Também foram assassinados homens e mulheres Kaiowá de 18, 20, 22, 25 anos, outros de 30, 32, 36; 40, 60, 70, 107 anos! E, diante desse amplo espectro de dor, não podemos mais escapar à pergunta: qual a parte que nos cabe neste grande genocídio? Talvez devêssemos nos perguntar: que tipo de mundo estamos colaborando para construir? Quais são os valores que cultivamos? Quem são as pessoas que contam e pelas quais nos mobilizamos para assegurar a vida? Quais são as causas pelas quais lutamos? O que ainda é capaz de nos indignar? E, necessariamente devemos indagar sobre as ações daqueles que escolhemos para nos representar e para fazer valer nossos direitos de cidadania e para resguardar nossa condição de homens e mulheres que, diante da lei, desfrutam dos inalienáveis direitos à vida, à dignidade, à liberdade, à segurança. Devemos nos sentir responsáveis, como pessoas e como cidadãos, pelas grandes injustiças cometidas contra aqueles que se tornam cada vez mais vulneráveis, em especial os povos indígenas para quem reservamos áreas cada vez menores, e de quem a cada dia subtraímos mais e mais as condições de bem viver. Mas, acima de tudo, devemos atribuir responsabilidade àqueles que, ao assumir o governo, assumiram a inegável atribuição de zelar pelo bem de todos, e de cada um.

Porto Alegre (RS), 05 de janeiro de 2008.
Iara Tatiana Bonin - Doutora em Educação/UFRGS

Dados do Conselho Indigenista Missionário indicam que ocorreram 76 assassinatos de indígenas no Brasil em 2007, sendo 48 no Mato Grosso do Sul.

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