Sexta-feira, Outubro 27, 2006

[ Reflexões de uma professora sobre o "dia do professor" ]

#
Caros alun@s!

Este pode parecer um desabafo, apenas uma homenagem ao dia que reverencia
nosso trabalho, mas é hoje, realmente a reflexão de hoje, sobre o
trabalho que fazemos como professores e professoras.
Abraços e o convite para seguirmos vivendo este educar e educar-se.

Tempos atrás assistindo uma palestra de especialista (não lembro quem, pois a memória me trai) ouvi: - "meu mérito não vem de ensinar aos "bons alunos", pois estes aprendem apesar de mim, meu desafio e também o meu melhor trabalho é identificar os alunos que tem as maiores dificuldades para aprender, trabalhar com eles e levá-los ao seu melhor aprendizado". O trabalho do professor e da professora assalariado, explorado, vendido como força de trabalho que produz mais-valia, em seu modo mais perverso, produzindo mais força de trabalho, porque trabalho humano, realizado por sujeitos, necessariamente exige que tenha que "estar por inteiro", de corpo, de mente (razão) e de coração (sentimento , emoções). Enquanto vivência produz saberes de experiência feitos. È aqui que nossa humanidade nos "consome". Quais nossos compromissos, comprometimentos? Entre a data escolhida por sua oficialidade (origem do dia do professor) e o cotidiano que propõe incorporar "novas tecnologias", as Tecnologias Educacionais Informatizadas(TEIs), conhecemos as tecnologias do humano?
Aquelas que exigem o respeito a si mesmo e ao outro, compromisso consigo mesmo, com o outros e com o mundo onde se vive são conhecidas? As delicadezas ao ocupar o "espaço da aula", na troca com colegas, com professo@s, com tutor@s e alun@s? Tenho e temos sido capazes de, além de preencher os "currículos Lattes" e escrever textos (critério básico para qualquer progressão funcional na Universidade), ensinar para aqueles alunos que tem os menores saberes acadêmicos? Tenho e temos sido capazes de trabalhar com suas melhores potencialidades sem deixá-l@s para traz na caminhada que eles se propõe a fazer? "O que fazer?"
Na homenagem de um ex-aluno me vejo uma professora que superando a dor do corpo dava aulas mesmo com um ligamento do tornozelo rompido, de muletas. Mas e os que as usam cotidianamente e sempre. Por absoluta necessidade não o fazem? Mais, como ficar em casa e com 75% do salário mensal, recebidos 60 dias depois numa licença saúde pelo INSS, na década de 90? Como sobreviver?
Estar numa sala de aula presencial, onde alunos consideram natural o preconceito e aceitável a discriminação e a argumentação sobre o ter ou não ter cinco dedos na mão, para não esquecer o exemplo do dia? Tudo isto me faz perguntar: como viver?
Como Gramsci "odeio os indiferentes" e se o trabalho é o me faz sujeito de minha história pessoal, como parte do mundo, estou por inteiro. Mergulhada neste processo de educar e educar-me para ensinar o que sei e também o que não sei, para quem sabe ir só e para quem quer andar junto, sonhando com o possível para mim, para o outro e para o mundo no qual vivo. Vamos?
Carmen Lucia Bezerra Machado

[16:50] [Carmen Lucia][link] [ | ]

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