O que o Brasil, o México, a Rússia e os EUA têm em comum?

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por Russell Mokhiber

Traduzido de commondreams.org de 17 de outubro de 2007

O que o Brasil, o México, a Rússia e os EUA têm em comum?

Uma nova classe de bilionários em rápida expansão.
Uma pobreza que se alastra.
E uma classe média desamparada.

É o que diz David Cay Johnston, repórter do New York Times e vencedor do prêmio Pulitzer, em seu livro, prestes a ser lançado: ?Free Lunch: How the Wealthiest Americans Enrich Themselves at Government Expense (And Stick You with the Bill )? [Almoço de Graça: como os americanos mais ricos se enriquecem às custas do governo (e mandam a conta para você)] (Portfolio, dezembro de 2007).

No livro, Johnston procura afligir o confortável décimo do um por cento dos estadunidenses no topo ? os 300.000 homens, mulheres e crianças que, no ano passado, fizeram mais dinheiro que todos os 150 milhões de estadunidense juntos, na base.

Sim, temos todos o direito de votar e mudar este estado desequilibrado de coisas.

Mas o poder político nos Estados Unidos é exercido por este estreito e rico segmento da população.

Grande parte da riqueza transferida para o topo chegou através das mãos de artistas do bem-estar corporativo, que transferiram bilhões da classe média para a classe bilionária.

Alguns políticos poderiam tomar a questão política central de ?Free Lunch? ? desigualdade de riqueza ? e basear nisso suas campanhas para a Casa Branca em 2008.

Mas a safra atual dos candidatos corporativos provavelmente ignorarão o fato, para não ofender a classe patrocinadora.

Embora Johnston se concentre nos esquemas perfeitamente legais que empolam os mais ricos dentre os ricos, às custas do restante de todos nós, grande parte do roubo que ele documenta é resultado da pura criminalidade corporativa que prossegue sem que seja promovido um processo de ação penal ou com uma instauração de processos insuficientes.

?Uma das novas regras tem sido a de se certificar de que haja um número insuficiente de ?tiras? em Wall Street para se começar a escrever todas as reclamações legítimas, quanto menos perseguir um punhado de malfeitores?, escreve Johnston. ?Mais importante ainda, as ações de Ken Lay, Bernie Ebbers e dos outros [N. do T.: os responsáveis do escândalo Enron] eram somente parte de uma mudança maciça nas práticas e políticas que continuam. Os escândalos de Wall Street acabaram. A conduta que revelaram está apenas se institucionalizando.?

?Milhares de executivos em centenas de companhias que tiraram dinheiro dos acionistas por meio de ações deliberadas que os distingüem dos bandidos somente por serem cometidas com canetas ao invés de pistolas?, escreve Johnston. ?As técnicas são mais sutis e menos abertamente violentas, mas os resultados são piores, porque destróem a legitimidade da sociedade de formas que os bandidos de rua não poderiam fazer. As normas permitem isso.?

No livro, Johnston focaliza cenas da classe criminosa corporativa que os editores do New York Times nunca permitiriam divulgar.

?Diferentemente do ladrão ou bandido comum, esses executivos contam com os melhores e mais espertos advogados para explicar ou ofuscar suas más condutas,? ele escreve no livro. ?Nas raras ocasiões em que as acusações formais são formuladas, os acionistas enganados, às vezes, acabam pagando para defender os ladrões que os roubaram. Agregadas a isso, estão as legiões de publicistas que são pagos para reportar o que seus patrões querem que nós ouçamos ? a antítese do toque de chamada do jornalismo, no sentido de perseguir os fatos sem medo ou favores. As fileiras desses transformadores de imagem estão crescendo, ao mesmo tempo em que, no país todo, um quarto ou mais de todos os jornalistas estão sendo despedidos, reduzindo-se ulteriormente as chances de que fatos inconvenientes se tornem conhecidos.?

?Os controles e as verificações fornecidos pela supervisão, inspeção, investigação e, em casos extremos, instauração de processo, têm sido todos entranhados em nome da desregulamentação e do encolhimento do tamanho do governo?, escreve ele. ?Quando não há policiais na área, o maior beneficiário não é o contribuinte que é aliviado do custo de se manter os oficiais de polícia, mas o próprio ladrão.?

Johnston salienta que, antigamente, os empréstimos trapaceiros eram levados à justiça. Mas daí nos livramos das leis da usura e passamos novas leis que permitem à ?Goldman Sachs e à Lehman Brothers, ao MBNA e ao Citibank explorar os pobres, os não sofisticados e os tolos.?

?Esses concessores de empréstimos, podem agora cobrar e impor abertamente multas e penalidades que eram ilegais, até mesmo criminosas, uma geração atrás?, diz ele. ?O resultado? Nos últimos 25 anos, aproximadamente, uma família norte-americana em cada sete procurou refúgio nos tribunais federais para bancarrota.

Nós transformamos vícios em passatempos. Caso em questão ? apostar em jogo dinheiro subsidiado que tinha sido prometido aos pobres, aos idosos, aos doentes.?

?É dessa maneira que Donald Trump tira dos menos favorecidos entre nós para polir sua imagem de suposto bilionário,? diz Johnston.

Se estivéssemos em outros tempos, este livro se tornaria um dos best-sellers da lista do New York Times e ficaria lá por muito tempo.

Os 150 milhões de pessoas na base o leriam e ficariam furiosas.

E a política se tornaria populista em 2008.

Mas como as coisas estão agora, Clarence Thomas, Alan Greenspan e Ann Coulter estão em primeiro, segundo e terceiro lugares na lista de best-sellers de não-ficção do Times.

O livro de Johnston não estará nas livrarias até o mês de dezembro.

É hora de mudança.

Russell Mokhiber é editor de Corporate Crime Reporter, com sede em Washington, D.C. http://www.corporatecrimereporter.com .

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