.:: Esse blog visa dar continuidade as discussões e reflexões sobre educação em saúde realizadas na disciplina Prática Educativa em Medicina do Programa de Pós-Graduação da FAMED/UFRGS.

Sexta-feira, Abril 09, 2004


Bom, o meu texto, "Educação, trabalho e currículo na era do pós-trabalho e da pós-política", de Tomaz Tadeu da Silva, é essencialmente teórico, e de leitura bem difícil, uma vez que traz uma série de conceitos próprios às ciências políticas e sociais. O autor faz uma crítica da maneira como vem sendo tratada a educação nos tempos neoliberais, partindo da máxima "educação para o trabalho e para a cidadania". Questiona esse princípio, a partir da idéia de que, hoje em dia, é mais comum não haver trabalho (desemprego). Também traça um paralelo entre a nova "crítica" da educação e a literatura empresarial disponível, onde conceitos como flexibilidade, espírito crítico, capacidade de inovação, adaptabilidade à mudança, espírito de cooperação, etc. são igualmente utilizados e valorizados. Basicamente, conclui que o discurso educacional crítico atual serve às necessidades do capitalismo vigente.

A parte de que eu mais gostei, entretanto, é uma em que o autor critica a separação entre o conhecimento técnico e científico e o conhecimento cultural e social, transmitindo-se uma impressão de que "a técnica e a ciência são domínios relativamente livres de de processos interpretativos e de discussão". Desde meu ingresso no curso de medicina, nos idos de 1992, me questiono quanto à capacidade de ensinar-se medicina ou qualquer outra coisa, sem uma vasta bagagem das chamadas "humanidades". A propósito dessas idéias sugiro a todos a leitura das páginas amarelas da penúltima Veja (número 1847), uma entrevista com o atual reitor da Harvard, Lawrence Summers.

Acho que era isso.

Abraços a todos,

Ana Soledade