.:: Esse blog visa dar continuidade as discussões e reflexões sobre educação em saúde realizadas na disciplina Prática Educativa em Medicina do Programa de Pós-Graduação da FAMED/UFRGS.

Quarta-feira, Abril 07, 2004


"Nenhum livro é isento de posicionamento político. Cada linha de texto sério que escrevi desde 1936 foi escrita, direta ou indiretamente, contra o totalitarismo e em defesa do socialismo democrático, tal como o entendo" George Orwell

Recebi uma coletânea de textos, sendo eles:
"Rumo a 1984" Thomas Pynchon
"A invenção de George Orwell" Louis Menand
"O George Orwell de cada um" Roberto Dias
"Parábolas do meio-irmão" Robert Kurz
"A risada enlatada ou o retorno dos reprimidos" Slavoj Zizek


O tema central de todos eles pode ser resumido em duas palavras COMUNICAÇÃO, como e o que comunicar; e INTERPRETAÇÃO, como os ouvintes e leitores decodificam o que comunicamos.
Os quatro primeiros textos falam sobre George Orwell e dois de seus livros "A Revolução dos Bichos"(1945) e "1984"(1949). Apresentam uma breve descrição da sua biografia, personalidade e ideologia. Orwell, codinome de Eric Blair, era inglês, nascido em Bengala (Índia) a 25 de junho de 1993, era considerado membro da esquerda dissidente, até mesmo de extrema esquerda. Apesar de "1984" versa sobre a natureza da experiência totalitária e se orienta pela noção do supérfluo. Em plena Guerra Fria, termo cunhado por Orwell, este escritor tornou um ícone do capitalismo norte-americano. "Quase tudo no entendimento popular de Orwell é uma distorção de suas reais convicções e do tipo de escritor que ele era" (Louis Menad, 2003).
É difícil resumir texto de cunho filosófico, principalmente quando versão sobre um escritor com George Orwell, mas penso que poderia tentar sintetizá-los dizendo que temos que ter objetivos bem definidos e saber muito claramente como eles serão encaminhados para atingirmos o resultado final e, além desta clareza, as pessoas são seres individuais, diferentes, recebem e filtram as informações, apropriam-se dos que consideram relevante e as utilizam na direção em que pensam ser a mais apropriada.
O último texto fala sobre a "máquina do riso" inventada por Charles R. Douglas no ínicio da década de 1950. Esta invenção é a responsável pelas "risadas de platéia" dos seriados cômicos, bem comuns na TV. É um texto crítico de como nós fazemos esforço para não pensar, até para rir nós utilizamos um equipamento eletrônico, estamos sempre correndo, trabalhando tanto, agindo em duetos de ato-reflexo, que não temos mais espaço em nossas mentes para a reflexão-educação.
Vou parar por aqui, não que o tema tenha se esgotado, mas para não ser monopolista e extensa.

Cristina Dornelles