.:: Esse blog visa dar continuidade as discussões e reflexões sobre educação em saúde realizadas na disciplina Prática Educativa em Medicina do Programa de Pós-Graduação da FAMED/UFRGS.

Terça-feira, Abril 13, 2004


Título: Os processos de ensino-aprendizagem: análise didática das principais teorias da aprendizagem.
Autor: A. I. Pérez Gómez

O texto analisa as principais teorias da aprendizagem a partir das suas implicações didáticas, oferece idéias e reflexões para o debate da utilização destas teorias na prática educativa e debate sobre as características e natureza da aprendizagem na aula e na escola: o que é relevante.

Principais teorias da aprendizagem:
1) Teorias associacionistas, de condicionamento, de E-R:
2 correntes: condicionamento clássico: Pavlov, Watson, Guthrie
condicionamento instrumental ou operante: Hull, Thorndike, Skinner
2) Teorias mediacionais:
múltiplas correntes: aprendizagem social, condicionamento por imitação de modelos: Bandura, Lorenz, Tinbergen, Rosenthal

teorias cognitivas: Gestalt e psicologia fenomenológica: Kofka, Köhler, Whertheimer, Maslow, Rogers

Psicologia genético cognitiva: Piaget, Bruner, Ausubel, Inhelder
Psicologia genético-dialética: Vygotsky, Luria, Leontiev, Rubinstein, Wallon

3) Teoria do processamento de informação: Gagné, Newell, Simon, Mayer, Pascual, Leone

OBS: achei importante citar os nomes pois as vezes ouvimos falar ou lemos, e é importante sabermos pelo menos em que corrente eles estão inseridos.

O primeiro grupo concebe a aprendizagem como um processo cego e mecânico de associação de estímulos e respostas provocado e determinado pelas condições externas, ignorando a intervenção mediadora de variáveis referentes à estrutura interna.

O segundo grupo considera que em toda aprendizagem intervém, de forma mais ou menos decisiva, as peculiaridades da estrutura interna.

O terceiro grupo diz que a aprendizagem é um processo de conhecimento, de compreensão de relações, em que as condições externas atuam mediadas pelas condições internas.

O autor conclui afirmando que as teorias da aprendizagem dão a informação básica, mas não suficiente, para organizar a teoria e a prática do ensino. A organização das condições externas da aprendizagem e o controle do modo de interação destas com as condições internas do sujeito, supõem o desenvolvimento e aperfeiçoamento das próprias condições internas (estrutura cognitiva efetiva e conduta do sujeito). Por isso, deve se dar especial atenção à interação nos processos de motivação, atenção, assimilação, organização, recuperação e transferência. Tais processos se dão em complexas redes de intercâmbio social, cultural e material do meio e são de extraordinária importância para compreender e orientar os processos de aprendizagem e desenvolvimento. Por isso a didática, ao organizar as condições da troca, deve prestar um cuidado especial a estas dimensões sutis destas complexas redes de comunicação.

Luciane Beitler da Cruz