.:: Esse blog visa dar continuidade as discussões e reflexões sobre educação em saúde realizadas na disciplina Prática Educativa em Medicina do Programa de Pós-Graduação da FAMED/UFRGS.

Terça-feira, Maio 04, 2004


Cara Sônia

Com algum atraso estou enviando minha apreciação com um breve resumo sobre o artigo que lí para os seminários de Pedagogia Médica.
Tive a oportunidade de ler o texto " Teses sobre o construtivismo" de Juan Delval, da Universidade Autônoma de Madri.
Gostei muito do artigo pois trata-se de um texto escrito de forma clara, objetiva e pedagógica, no sentido de ensinar conteúdos novos de forma eficaz, transformando conhecimentos antigos em algo novo.
Minha compreensão deste texto foi a de que o construtivismo como base teórica dentro do campo pedagógico baseia-se nas concepções de Vico, Kant, Marx e Darwin e se pretente uma teoria genética do conhecimento de cunho interacionista, com uma posição ontológica diferenciada.
Dentro da visão construtivista do processo de ensino-aprendizagem conceitos de interacionismo; de estados internos do sujeito que estabelece representações atribuídas à realidade, em que o sujeito tem um papel ativo na construção do seu conhecimento em que busca, provoca e interpreta as resistências da realidade externa estabelecendo esquemas, que são unidades psicológicas do funcionamento do sujeito, são idéias centrais.
Os esquemas tem uma organização , uma estrutura que não é percebida exteriormente mas que entra em funcionamento sempre que o esquema é aplicado. , proporcionando enorme economia cognitiva quando automatizados, liberando capacidade para realizar atividades conscientes. A tomada de consciência do esquema só ocorre quando a aplicação do esquema não produz o resultado esperado, então é preciso modificá-lo para resolver uma dada situação.
Diante de um problema o sujeito tem de elaborar um plano, valendo-se de esquemas anterioires ou a elaboração de novos esquemas modificados. Assim uma das características do repertório de esquemas de um sujeito é estar em contínua modificação para gerar novos esquemas cada vez mais mais especializados e complexos, relacionados entre sí e com uma estrutura hierárquica.
Os esquemas constituem uma parte essencial das representações que também são compostas por outros elementos , como os conceitos e as relações entre eles. Os conceitos , propriedades comuns de um tipo de objeto ou situação, são gerados a partir da aplicação dos esquemas, sendo elementos para organizar a realidade, sendo produtos da atividade do sujeito para dar conta das resistências que encontra na realidade externa. As resistências da realidade facilitam ou dificultam determinadas categorizações , ou seja facilitam ou dificultam ao sujeito organizar ou dar uma ordem a realidade.
Os conceitos teóricos são conceitos abstratos e a utilização de conceitos abstratos seria impossível sem o apoio da linguagem, sistema muito complexo. A linguagem e os sistemas simbólicos também são manifestações de economia cognitiva.
As teorias constituem um tipo de representações mais explícitas e elaboradas, com características especiais , estudadas pela teoria da ciência. A introdução de um novo conceito exige remodelações em uma dada teoria ou em parte dela.
A teoria cognitiva é parcial e incompleta e não pode ser considerada construtivista. O conhecimento se origina da resistência que o sujeito encontra ao efetuar suas ações, esta resistência deve ser atribuída à realidade. O sujeito percebe a realidade de uma forma única determinada por suas características biológicas. Assim as capacidades inatas do sujeito devem ser consideradas disposições que se atualizam em contato com determinado ambiente, ao invés de serem vistas como respostas fixas. Quanto maior a capacidade biológica de adaptação do sujeito maior seu sucesso na resolução de problemas ou na criação de novos esquemas.
O que se denomina de estágios do desenvolvimento é determinado pelas melhores formas de abordar os novos problemas que o sujeito é capaz de elaborar em um dado momento do seu desenvolvimento. A teoria de Piaget é o ponto de partida do construtivismo comteporâneo, é uma teoria do próprio desenvolvimento , que preconiza que as mudanças cognoscivas só ocorrem no interior do sujeito e constituem um processo psicológico. Encontrando paralelo na afirmação de Marx de que o sujeito ao transformar a natureza transforma a sí mesmo. A teoria piagetiana não exclui de forma alguma os contextos sociais, isto é , os ambientes em que o desenvolvimento se produz.

Abraços Patrícia Picon