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Segunda-feira, Maio 24, 2004
Caras colegas de grupo
Tentei sem sucesso mandar por e-mail o resumo do artigo que lí, pois pelo menos 3 voltaram . Então pensei em mandar pelo Blog para vocês. Abraços Patrícia Picon
Linguagem e Globalização- questões linguísticas, culturais e éticas
Jorge Campos da Costa. Revista da ADPUCRS, 2000, n 1, p 43-53, Porto Alegre, Edipucrs.
A polêmica atual: interferência de uma língua sobre outras, no mundo globalizado, mais especificamente os efeitos do inglês sobre o português. O artigo pretende entre outras coisas os principais argumentos em confronto.
O problema dos estrangeirismos, embora antigo na tradição pedagógica , chega agora, com o mundo globalizado, à sua máxima complexidade. Há duas posturas possíveis:
1. A postura de condenação aos estrangeirismos, com os seguintes argumentos. Se a cultura de um povo se expressa em sua tradição lingüística , e é desejável assumir esta como forma adequada de preservar aquela, então cabe normatizar para que se evitem estrangeirismos, nocivos à tal tradição , ou para que ela possam ser organicamente incorporados por ela. Assim é desejável normatizar -se o uso de estrangeirismos.
2. Se a língua, em sua evolução histórico-social, expressa a cultura do povo que a pratica, e é desejável preservar tal patrimônio, então cabe respeitar, democraticamente, esse momento histórico de intensas trocas culturais e interpenetrações lingüísticas, ou, ainda, assumir que o espírito da língua se sustenta e enriquece com a tendência à globalização. Então a língua não é ameaçada em seu espírito , ela incorpora o momento cultural.
As línguas vivas atuais interagem intensamente, dentro do contexto da realidade globalizadora e os estrangeirismos não são apenas rótulos soltos e isolados mas verdadeiros "icebergs" com camadas espessas de realidades extrapedagógicas por baixo.
Assumindo-se o princípio da arbitrariedade do signo (aquilo que se compreende ) em qualquer língua, torna , a realidade, do ponto- de-vista puramente lingüístico, inexpressiva a troca de um significante por outro. Isso quer dizer, ao nível do léxico, em termos teóricos, a substituição do português 'apagar' pelo americanismo de 'deletar' é equivalente à substituição cultural, no interior do próprio português de 'parir' por 'dar a luz'. Todas as expressões continuam arbitrariamente conectadas em termos de significantes-significado (sinal-signo) , linguagem-objetos do mundo. Isso aponta, em última análise, para uma cerat trivialização na atitude de se reagir com tanta radicalidade a alguns significantes em nome de outros. Em sua forma espontânea de compreender o uso da lígua, opvo sabe intuitivamente o pricípio da arbitrariedade. Não convém, por isso, em nome de qualquer pedagogia, trata-lo como ignorante em questões de linguagem.
Resumo: Patrícia Picon
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