.:: Esse blog visa dar continuidade as discussões e reflexões sobre educação em saúde realizadas na disciplina Prática Educativa em Medicina do Programa de Pós-Graduação da FAMED/UFRGS.

Sexta-feira, Junho 18, 2004



Olá Cristina e demais alunos!
É verdade, as pessoas não conseguem e/ou não querem manter um diálogo com os outros, fico aqui pensando será que ninguém tem nada a dizer. Acredito que todos tem algo a comunicar. Sei também que é um problema que vem lá do inicio da formação - aquela que tivemos no decorrer de nossas vidas, onde na maiorias das vezes imperou o não diálogo. Os nossos professores sempre pediam silêncio para o menor dos "barulhos", abria-se a boca somente para dizer o que era solicitado, nada mais. Percebesse que com o passar dos anos escolares os sujeitos vão perdendo a autonomia da fala, não nos sentimos seguros para dialogar, questionar o que foi dito. O que é certo/correto é somente o que vem de cima, ou seja, acabo acreditando que sou incapaz de opinar sobre algo.
Hoje em dia mesmo estando protegido atrás da tela de um computador muitos não conseguem dizer a palavra parafraseei-o aqui nosso querido e saudoso Paulo Freire.
Referente a importância da disciplina para a formação de profissionais que estão e/ou irão atender tanto no meio acadêmico (o aluno) quanto no meio clínico (o paciente) apresentei no último Salão de Iniciação Cientifica da UFRGS, um trabalho intitulado "Formação Pedagógica Para Quê? Não Somos Professores Não Educamos Ninguém!" que trata do questionamento que muitos alunos trazem sobre a relevância da disciplina Prática Educativa em Medicina para a suas formações. Constatei através das perguntas sutis que mais cedo ou mais tarde sempre se faziam presente em aula sobre qual a importância da disciplina ou para que ela serve? ou por que nós temos que fazer essa disciplina?. Essas perguntas traziam a tona vários preconceitos referente a educação.
Ao mesmo tempo que essa pergunta que não quer calar sempre surge, aparece nas discussões dos alunos outros questionamentos referente a relação médico -paciente que não são percebidos pelos mesmos e que conforme eles é frustrante, mas se eles dessem o devido respeito ao ensino iriam perceber que a educação não é, e nunca será a salvadora da pátria, mas ela pode auxiliar vislumbrando caminhos a serem tomados para começar a resolver os seus problemas, ou seja, não é só vendo nos outros os problemas que iremos resolvé-los mas sim buscando sermos humildes, arregaçarmos as mangas e irmos a luta. Não dá mais para ouvirmos que as pessoas mais humildes e ou a população que não tem uma formação igual a nossa, que não nos entende. Será mesmo? Ou são muito que não querem se fazer entender, será que esse não é o objetivo?
Pergunto ainda, não fomos nós que estudamos e estudamos, não somos nós que fomos privilegiados porque conseguimos ter acesso a um saber que é restrito a tão poucos e mesmo que quiséssemos, nunca será compartilhado com todos.
A formação pedagógica é importante e sempre será porque querendo ou não é a única que vai ao encontro de buscar sempre conhecer o ser humano no seu todo. Não devemos esquecer nunca que a educação é a base de tudo.
Um abraço e até a nosso próximo encontro,
Sônia