.:: Esse blog visa dar continuidade as discussões e reflexões sobre educação em saúde realizadas na disciplina Prática Educativa em Medicina do Programa de Pós-Graduação da FAMED/UFRGS.

Sábado, Abril 02, 2005


Entre Fraudelino e Paulo Rogério?
Confesso ser uma pessoa distraída, não lembro de Fraudelino nem Paulo Rogério na turma...
Então imaginei se tratar de alunos do semestre passado, numa pegadinha bem aplicada pela professora, que é quem assina a mensagem, datada de 1º de abril.
Conheço um pouco de Paulo Freire (vários textos, nenhum livro completo) e sou Apaixonada por Edgar Morin, o que torna minha opinião tendenciosa. Gostaria mesmo de recomendar os Sete Saberes aos colegas da disciplina.
De certa forma, o texto dos Sete Saberes me parece mais feliz, até porquê não se fecha em teoria. Segundo Morin (e podemos constatá-lo facilmente) o problema em se lançar uma teoria, mesmo que em bases científicas, é que corremos o risco de nos tornarmos escravos dela. Assim, seria perfeitamente possível alguém tornar-se escravo de uma "Teoria da Libertação", na medida em que a manutenção dessa teoria o impedisse de olhar além. Não estou de forma alguma afirmando que seja o caso de Paulo Freire.Estou apenas exemplificando o que o autor, citado por Paulo Rogério quis dizer em relação ao Erro e Ilusão produzido pelo conhecimento.
Usando o próprio Morin, deveríamos citar o contexto no qual um conhecimento se insere. Pois bem, aqui estamos diante de um texto escrito por Paulo Freire em 1996, tratando especificamente de um assunto e aparentemente com um objetivo específico (divulgar uma ideologia). De outro lado um texto de Edgar Morin, escrito em 1999, por solicitação da UNESCO, com o objetivo de "sistematizar um conjunto de reflexões que servissem de ponto de partida para se repensar a educação do próximo milênio". Tratam-se portando de pêssegos e laranjas.
Uma imagem que eu gosto do Paulo Freire, é a de que o conhecimento vai abrindo comportas, como se estivéssemos em uma colméia e cada conhecimento adquirido fosse nos conduzindo entre favos de mel, que depois de abertos não haveriam de se fechar.Portanto, o conhecimento adquirido com Morin, nos levaria obrigatoriamente a ver de outra forma o próprio Paulo Freire e vice versa.
Assim, acredito que podemos ficar "com" os dois autores, refletindo sobre ambos, e felizes por conhecê-los.
Talitha