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Sexta-feira, Abril 01, 2005
Entre Morin e Paulo Freire ou: entre Paulo Rogério e Praudelino
PEDAGOGIA DA AUTONOMIA
Segundo o método de Paulo Freire a educação constitui-se na idéia de um diálogo entre educador e educando. Junto ao ensino, o indivíduo deve ser incentivador a compreender seu papel na sociedade.
Sendo assim, o homem é o sujeito da educação, já que a interação homem-mundo, sujeito-objeto é imprescindível para que o ser humano se desenvolva e se torne sujeito de suas ações.
Essa participação do homem na sociedade, se dá na medida em que o mesmo desenvolva sua conscientização.
Dessa forma, a educação assume um caráter amplo, não restrita à escola em si e a uma educação formal, e sim consiste na educação problematizadora que objetiva o desenvolvimento da consciência crítica e a liberdade como meios de superar as contradições da sociedade.
Nesse contexto, se a teoria do conhecimento de Paulo Freire é sustentada por uma concepção dialética, em que o educador e o educando aprendem juntos, onde a prática e a teoria relacionam-se num processo de constante aperfeiçoamento.
Portanto, a educação baseia-se num ato coletivo e solidário, onde o educador apreende ensinando, e o educando ensina apreendendo.
Diante dessa análise, constata-se que o método de Paulo Freire está ao alcance de todos, precisamos mudar de verdade os nossos conceitos para ingressar na corrente da educação crítica, e não é com uma simples adaptação que iremos abandonar a educação ingênua. Durante as aulas do curso de Didática, apenas, alguns pontos, apesar dos esforços de muitos colegas, coincidiram com o método de Paulo Freire. Na verdade, precisamos de coragem e vontade para lidar sem medo e sem preconceito com as diferenças que envolvem o cotidiano.
Paulo Freire, Pedagogia da Autonomia, São Paulo: Paz e Terra, 1996.
PRAUDELINO BATISTA DOS SANTOS SOBRINHO
Os sete saberes necessários
As cegueiras do conhecimento o erro e a ilusão. O conhecimento do conhecimento como necessidade primeira para enfrentar o erro e a ilusão que paralisam a mente humana. A educação deve mostrar que não há conhecimento que não esteja ameaçado do risco do erro e da ilusão.
O desenvolvimento do conhecimento científico é poderoso instrumento contra o erro e a ilusão, porém ele também produz erro e ilusão quando se torna um paradigma.
A construção do conhecimento pela educação do futuro não pode se embotada pelos paradigmas que a inibem.
Os princípios do conhecimento evidente - para que o conhecimento seja pertinente, a educação deve tornar evidente:
- o contexto o conhecimento fragmentado do séc XX, gerou especialização que tem dificuldades de contextualização e de conhecimento global.
- o global é preciso recompor o todo para reconhecer as partes.
- o multi-dimensional o ser humano é ao mesmo tempo biológico, psíquico, social, afetivo e racional. O conhecimento pertinente dever conhecer este caráter.
- o complexo o conhecimento deve a complexidade. A educação deve promover a inteligência geral.
O processo do aprender é construído através da possibilidade de fazer correlações com outros saberes já internalizados.
Ensinar a condição humana a educação do futuro deverá ter o ensino centrado na condição humana. Conhecer o ser humano é centra-lo no universo.
A sociedade vive para o indivíduo, que vive para a sociedade. Cada um destes termos é ao mesmo tempo, meio e fim.
Nada do que vem do ser humano deve ser estranho ao processo de ensino-aprendizagem.
Ensinar a identidade terrena o ensino do futuro pretende educar para a solidariedade, fazendo compreender que todos os seres humanos compartilham do mesmo espaço planetário e terão um destino comum, independente das suas individualidades.
Enfrentar as incertezas é preciso aprender a enfrentar as incertezas, pois o homem pressionado pelas incertezas é levado a uma nova aventura. Por isso a educação do futuro deverá se voltar para as incertezas ligadas ao conhecimento.
O conhecimento é uma aventura incerta, pois comporta o risco permanente do erro e da ilusão. Entretanto é nas certezas que se encontram as maiores ilusões, pois o conhecimento não é estanque e não pode ser engessado em paradigmas. É necessário despertar a curiosidade pelo desconhecido que permitirá a navegação por universos não explorados. É a curiosidade e a aventura do desconhecido que leva o homem à evolução da ciência e o prepararáao enfrentamento dos imprevistos.
Ensinar a compreensão a compreensão deve ser uma das finalidades da educação do futuro.
A comunicação não garante a compreensão. A informação deve ser bem transmitida e bem compreendida para trazer inteligibilidade.
A capacidade de compreender permite o entendimento do semelhante, estando esse novo ser humano desarmado no seu espírito de beligerância e preparado para a condução do processo de paz.
A ética do gênero humano a partir da nova educação, o indivíduo deve ser ensinado a entender a sua condição de cidadão terrestre, onde o indivíduo necessita do controle da sociedade e essa necessita do controle do indivíduo. Somente o processo estabelecido democraticamente permite o adequado controle da sociedade sobre o indivíduo e do outro lado a interferência do indivíduo sobre a sociedade.
A humanidade é uma comunidade planetária construída por todos que se preservará na realização da cidadania de cada um.
Análise da experiência educativa à luz do autor
Primeiramente, a minha aula baseou-se no conhecimento global, em que diferenciei exercício aeróbio do anaeróbio, para chegar ao tema da aula que era Caminhar ou correr?. Citei os benefícios da prática da educação física, estimulando os alunos à participação, com perguntas seguidas de respostas. Citei as conseqüências do exercício sem orientação, comparando o atleta com o sedentário e qual o exercício recomendado de acordo com a capacidade aeróbia de cada um, ou seja, que deverá ser conduzido por profissional habilitado, que fará a medição direta ou indireta da capacidade pulmonar da pessoa, com o trabalho direcionado a esse condicionamento apresentado. Também foram apresentadas as conseqüências do sedentarismo à circulação sanguínea, com formação de ateromas.
A aula ministrada e citada neste documento foi muito curta face à larga atuação que tenho em aulas deste tipo, onde fiz parte do corpo docente da Academia de Polícia Militar durante seis anos. Assim, as minhas observações também servem para esta experiência.
Durante as aulas e geralmente no início, os alunos costumavam fazer perguntas de ordem prática e técnica, que às vezes saíam um pouco do conteúdo a ser ministrado, mas sempre eram atendidos por mim, que não os deixava sem respostas. Verificando junto ao autor, constato que ele cita o conhecimento global é o conhecimento a ser procurado na educação do futuro, e constato que foi o que procurei fazer, ou seja, dar um conhecimento global, sem se ater demasiadamente na especialização.
O esporte, sendo uma atividade primordialmente grupal, fomenta a solidariedade, permitindo a comunicação. Em vista da necessidade da participação de todos para a realização do resultado final, a cidadania foi desenvolvida e estimulada, através da integração dos alunos nos conteúdos ministrados em que os objetivos a serem alcançados eram divulgados antecipadamente e buscados através da construção coletiva.
A ênfase na condição humana era através do direcionamento da atividade física de acordo com a capacidade individual do aluno, ou seja, o aluno mais condicionado fazia trabalho diferenciado do menos condicionado, assim, o mais não se via prejudicado pelo menos, que por sua vez, não se via humilhado pela sua condição, pois o seu condicionamento físico não suportaria.
Paulo Rogério Farias Medeiros
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