.:: Esse blog visa dar continuidade as discussões e reflexões sobre educação em saúde realizadas na disciplina Prática Educativa em Medicina do Programa de Pós-Graduação da FAMED/UFRGS.

Quarta-feira, Abril 27, 2005


Patricia, obrigado pelo Rubens Alves.
Decio Peres]

Terça-feira, Abril 26, 2005


Professor / Ator
Procurando elaborar um texto para a aula de amanhâ encontrei o seguinte:
Como um ator
Você pode se aprimorar usando algumas técnicas de teatro. "O professor deve se ver como um ator", diz a fonoaudióloga Natália Ribeiro Fiche. Ela recomenda duas atitudes adotadas pelos artistas do palco. Uma é usar o olhar que "vê e enxerga" a platéia, evitando aquele olhar vago, que não se detém em nada. A outra é adotar uma voz que seja um "abraço sonoro" no ambiente todo. Para isso, procure um volume audível, mas que não agrida os ouvintes. Acima de tudo, observe sua respiração. Se você cuidar dela, ganhará relaxamento, fôlego para pontuar a fala e força para projetar a voz. Lembre-se que a respiração correta é aquela que alarga as costelas da base do tórax.
Ao se dirigir à classe:
  • não seja vago, olhe nos olhos dos seus alunos;
  • utilize corretamente a linguagem;conscientize-se de seus gestos e postura;
  • preste atenção na entonação, no ritmo, no timbre e na modulação da voz;
  • torne seu discurso o mais natural possível;
  • evite um tom defensivo ou intimidatório;
  • use de bom senso e bom humor.

Disponível em: http://novaescola.abril.com.br/index.htm?ed/170_mar04/html/ensinar

Boa reflexão

Abraços

Eliane


Domingo, Abril 24, 2005


Caros colegas,

Dentro daquilo que discutimos na aula passada, lembrei-me de um texto do Rubens Alves que li recentemente (em uma das buscas estimuladas pela professora) e gostaria de compartilhá-lo com vocês. O texto é longo, e por isto acabei selecionando alguns trechos. Mesmo assim ficou longo, mas vale a pena ler.

" (...)
   Educadores, onde estarão? Em que covas se terão escondido? Professores, há aos milhares. Mas o professor é profissão, não é algo que se define por dentro, por amor. Educador, ao contrário, não é profissão; é vocação. E toda vocação nasce de um grande amor, de uma grande esperança.
   Profissões e vocações são como plantas. Vicejam e florescem em nichos ecológicos, naquele conjunto precário de situações que as tornam possíveis e - quem sabe? - necessárias. Destruído esse habitat, a vida vai-se encolhendo, murchando, fica triste, mirra, entra para o fundo da terra, até sumir.
   Com o advento da indústria, como poderia o artesão sobreviver? Foi transformado em operário de segunda classe, até morrer de desgosto e saudade. O mesmo com os tropeiros que dependiam das trilhas estreitas e das solidões, que morreram quando o asfalto e o automóvel chegaram. Destino igualmente triste teve o boticário, sem recursos para sobreviver num mundo de remédios prontos. Foi devorado no banquete antropofágico das multinacionais. E os médicos-sacerdotes? Conseguiam sobreviver, em parte porque as pessoas ainda acreditavam em chás, cataplasmas, emplastros, simpatias e rezas de comadres e curandeiras. Foi em parte isso que impediu que se amontoassem nos consultórios do único médico do vilarejo. Além disso, o tempo durava o dobro. Por outro lado, a ausência de milagres técnicos fazia com que as soluções fossem mais rápidas e simples. Bem dizia a sabedoria popular: "o que não tem remédio remediado está". Também a morte era uma solução.
   E o educador? Que terá acontecido com ele? Existirá ainda o nicho ecológico que torna possível a sua existência? Resta-lhe algum espaço? Será que alguém lhe concede a palavra ou lhe dá ouvidos? Merecerá sobreviver? Tem alguma função social ou econômica a desempenhar?
   Uma vez cortada a floresta virgem, tudo muda. É bem verdade que é possível plantar eucaliptos, essa raça sem vergonha que cresce depressa, para substituir as velhas árvores seculares que ninguém viu nascer nem plantou. Para certos gostos, fica até mais bonito: todos enfileirados, em permanente posição de sentido, preparados para o corte. E para o lucro. Acima de tudo, vão-se os mistérios, as sombras não penetradas e desconhecidas, os silêncios, os lugares ainda não visitados. O espaço racionaliza-se sob a exigência da organização. Os ventos não mais serão cavalgados por espíritos misteriosos, porque todos eles só falarão de cifras, financiamentos e negócios.
   Que me entendam a analogia.
   Pode ser que educadores sejam confundidos com professores, da mesma forma como se pode dizer, jequitibá e eucalipto, não é tudo árvore, madeira? No final, não dá tudo no mesmo?
   Não, não dá tudo no mesmo, porque cada árvore é a revelação de um habitat, cada uma delas tem cidadania num mundo específico. A primeira, no mundo do mistério, a segunda, no mundo da organização, das instituições, das finanças. Há árvores que têm personalidade e os antigos acreditavam mesmo que possuíam uma alma. É aquela árvore, diferente de todas, que sentiu coisas que ninguém mais sentiu. Há outras que são absolutamente idênticas umas às outras, que podem ser substituídas com rapidez e sem problemas.
   Eu diria que os educadores são como as velhas árvores. Possuem uma face, um nome, uma "história" a ser contada. Habitam um mundo em que o que vale é a relação que os liga aos alunos, sendo que cada aluno é uma "entidade" sui generis, portador de um nome, também de uma "história", sofrendo tristezas e alimentando esperanças. E a educação é algo para acontecer nesse espaço invisível e denso, que se estabelece a dois. Espaço artesanal.
   Mas professores são habitantes de um mundo diferente, onde o "educador" pouco importa, pois o que interessa é um "crédito" cultural que o aluno adquire numa disciplina identificada por uma sigla, sendo que, para fins institucionais, nenhuma diferença faz aquele que a ministra. Por isso professores são entidades "descartáveis, copinhos de plástico para café descartáveis. De educadores para professores realizamos o mesmo salto que de pessoa para funções.
   É doloroso mas é necessário reconhecer que o mundo mudou. As florestas foram abatidas. Em seu lugar, eucaliptos.
   (...)
   Frequentemente o educador é mau funcionário, porque o ritmo do mundo do educador não segue o ritmo do mundo da instituição. (...) Bem observa Weber que a racionalização exigia que o corpo do operário, animado pelo ritmo biológico do tempo, fosse submetido ao ritmo da máquina, animado pelo ritmo estabelecido pela racionalização. E é nesse espaço-tempo, político-institucional, que existe essa entidade contraditória que recebe um salário, tem CIC, RG e outros números, adquire direitos, soma quinquênios, escreve relatórios, assina listas de presença e quantifica os estudantes: o professor. Notem o embaraço da gerência para avaliar esta coisa imponderável que é o ensino. Avaliar pesquisa é muito fácil, porque ela pode ser quantificada: números de artigos publicados em revistas especialiazadas no estrangeiro (que valem mais), número de livros escritos. Essas são actividades pelas quais um professor ganha concursos, consegue promoções, ganha acesso à administração de projectos e à administração de recursos. Mas e o ensino? Como avaliá-lo? Número de horas/aulas dadas? Neste caso, o professor caixeiro-viajante seria o paradigma. O facto é que não pomos de critérios para avaliar esta coisa imponderável a se dá o nome de educação...
   Não sei como preparar o educador. Talvez porque isso não seja nem necessário nem possível... É necessário acordá-lo. E aí aprenderemos que educadores não se extinguiram como tropeiros e caixeiros. Porque, talvez, nem tropeiros nem caixeiros tenham desaparecido, mas permaneçam como memórias de um passado que está mais próximo do nosso futuro que o ontem. Basta que os chamemos do seu sono, por um acto de amor e coragem. E talvez, acordados, repetirão o milagre da instauração de novos mundos."

Conversas com quem gosta de ensinar (2003), Rubens Alves.
Patricia Guerrero

Sexta-feira, Abril 22, 2005


" A pratica docente crítica, implicante do pensar certo, envolve o movimento dinâmico, dialético, entre o fzer e o pensar sobre o fazer. O saber que a prática docente espontânea ou quae espontânea, desarmada, indiscutivelmente produz é um saber ingênuo, um saber de experiência feito, a que falta a rigorosidade metódica que caracteriza a curiosidade epistemològica do sujeito. Por isso, é fundamental que, na pratica da formação docente, o aprendiz de educador assuma que o indispensável pensar certo não é presente dos deuses nem se acha nos guias de professores que iluminados intelectuais escrevem desde o centro do poder, mas, pelo contrário, o pensar certo que supera o ingênuo tem que ser produzido pelo próprio apendiz em comunhão com o professor formador"...
Paulo Freire - Pedagogia da Autonomia.
Bom feriadão a todos.
Decio P.S.Péres

Quarta-feira, Abril 20, 2005


VIRUS II
o desafio continua....


Colegas,
Conversando com a profª Carmen, recebi a seguinte sugestão:
Solicitar a colega Lili, vencedora do "desafio", que manifeste sua impressão ou seu sentimento em relação ao verso transcrito e/ou à música. A propósito, o nome correto é Virus e a autoria (letra e música) é assinada por (Harris/Gers/Murray e Bayley).
O colega Brasil identificou a letra, porém não postou sua resposta por que a colega Lili já havia respondido.
Mas, como se mostrou um "conhecedor de Iron Maiden", é convidado a expressar sua impressão.

O verso postado dia 19 é da música Brave New World, que me traz muitas imagens. Uma delas é desse Admirável Mundo Novo, onde "se pode encontrar todas as respostas" navegando na internet...


A Lili e o Brasil estão oficialmente convidados a lançar os próximos "desafios"...

Um abraço e boa semana,
Talitha

Terça-feira, Abril 19, 2005


Desafio no Blog.
A Resposta da Lili...

É uma resposta interessante essa da Lili. Ao mesmo tempo uma resposta e uma revelação, sobre os meios utilizados para obtê-la. Novas formas de comunicação, novos meios de encontrar respostas..
Por enquanto só uma observação, o mesmo autor escreveu :
Dying swans twisted wings
Beauty not needed here...

Um abraço a todos,
Talitha

Segunda-feira, Abril 18, 2005


Creo que el autor del texto citado es de los musicos de la banda IRON MAIDEN. El nombre de la música es Virus Lyrics. Es correcto?
Un abrazo!!
Lili.-

Domingo, Abril 17, 2005


Desafio no Blog...
Caros colegas,
Dia 13 de abril foi postado um desafio no Blog.
O Desafio é aberto a todo(a)s, e quem não souber a resposta pode participar arriscando um "chute".
O objetivo é identificar o autor do verso transcrito:
A segunda dica: O autor é inglês.
A primeira dica foi postada dia 13.


VIRUS

There's an evil virus that's threatening mankind
Not state of the art, a serius state of the mind
The muggers, the backstabbers, the two faced elite
A menace to society, a social disease

Quem acertar, leva um prêmio!
Um abraço a todos.
Talitha


Sexta-feira, Abril 15, 2005


Cada vez son mas las dudas que me surgen sobre cómo debe ser el proceso de enseñanza, qué cosas deben cambiar y cuáles deben permanecer. No me parece que el modelo de educación que existe actualmente este muy lejos del modelo ideal (si es que existe tal modelo).
Hay métodos que deben cambiar, y sobre eso no hay dudas, pero yo me pregunto: Cómo podemos lograrlo? En una sala de aula con mas de 50 alumnos, es posible aplicar ese modelo ideal no tradicionalista a la hora de evaluar y de dar clases? Si al problema del número de alumnos, sumamos los problemas que tenemos por ser paises del "tercer mundo", en donde la prioridad no es la educación y los profesores ganan una miseria como salario... vuelvo a la misma pregunta: Cómo? Cómo pueden mejorar los métodos de enseñanza?
No se si a lo largo de este curso obtendré algunas respuestas. Pero me parece muy bueno el hecho de que como alumnos tengamos un espacio para discutir y compartir opiniones sobre temas tan importantes como estos, tal como lo hacemos en nuestras clases.

Liliana.-


Oriente X Ocidente


Interessantíssimoo livro de Amin Maalouf. E aproveito o momento para levantar as questões de educação nestes dois mundos: como é a educação árabe? Seu vínculo direto com a religião, a restrição às mulheres...
E na China? Seu vínculo atrelado ao Estado, o ateísmo...
E no Japão? Seu vínculo ao sucesso, a pressão esmagadora...
Qual mundo têm evoluído? Qual modelo de educação vai prevalecer? Que mundo veremos e teremos quando estivermos aposentados?
Quem puder me ajudar nestas questões, por favor...



Melhor caminho da (e para) a educação


Existe um melhor caminho para a educação? Existem vários? Quais são os melhores? É preciso um computador, internet, projetor? Basta um quadro negro?
Muitas dúvidas, poucas respostas, minímas ações. Falar da via-crucis da educação brasileira e, conseqüentemente do educador, não é difícil, na verdade é assunto conhecido e discutidopor todos. Desde o saber restrito aos jesuítas do séc. XV até as reformas obscuras a partir de 68, se deslumbra , talvez, uma nova possibilidade de educar: sem tirania, sem demagogia, mas com consciência e compromisso, depois que tantos pensadores, incluindo brasileiros, decidiram considerar o educando e o ato de educar como eixo-base da possibilidade de mudança de um mundo que até agora poucos acreditam que possa se tornar real. Aquele mundo com mais respeito à vida, à tolerância, não por indiferença, mas por sabedoria, enfim, o mundo que todos esperam dar aos filhos.
Talvez com todas essas novas possibilidades de educar, mais importante que a ferramenta é quem a utiliza. Faz parte do educador ser criativo: fazer da horta um laboratório, guerreiro: viver um mês com seu salário, persistente: despertar o melhor do pior aluno, criar suas próprias ferramentas a partir de sua realidade e do meio que o cerca.

Quinta-feira, Abril 14, 2005


Quarta-feira, Abril 13, 2005
[ Diálogos e reflexões: em busca de novas perspectivas na e para a educação ]
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Na aula de hoje (13/04) teve seqüência as discussões referente a ensino-aprendizagem e as efetivas ou não mudanças na educação, mas especificamente da saúde. Ao ouvir os colegas (pois sou uma eterna aprendiz) percebi que a grande questão discutida hoje mesmo não sendo explicitada foi a ACOMODAÇÃO. Acredito que esse é um dos fatores que leva as não mudanças. Muitos profissionais depois de empregados, principalmente em serviço público acabam acreditando que não precisam fazer mais nada, basta repetir/reproduzir o que um dia aprenderam . O tempo passa, mas as coisas não mudam. Não mudam por quê? No serviço público por exemplo, não se é demitido por fazer a mesma coisa do mesmo jeito. Se ofereço o mínimo basta. Se eu faltar muito (participar de congressos/seminários e deixar os alunos sozinhos ou com monitores), mas ir de vez enquanto terei assegurado a minha vaga e assim por diante. Falou-se também da adaptação como algo importante visto que não podemos mudar tudo. Acredito também que não se deve querer ser o salvador da pátria, mas nem por isso necessitamos desistir das mudanças que são necessárias. Não é só o aluno de medicina que precisa ter uma formação mais adequada, que váde encontro com as novas realidades sociais. A sociedade como um todo quer ver, ouvir, sentir essas mudanças. Eu quero ir em um posto/hospital público e ser ouvida, respeitada como cidadão, quero que o profissional olhe nos meus olhos quando estiver falando comigo e não fique de cabeça baixa lendo o prontuário/ficha médica, que use uma linguagem acessível/clara, escreva para ser entendido, etc. Não quero ser atendida com desrespeito depois de ficar 4 horas sentada esperando um extração de cisto da pálpebra esquerda e na sala de espera com anestesia local ser avisada pela enfermeira que o médico foi embora e que ele não tinha perguntado se havia mais alguém para ser atendido (neste caso eu e mais duas senhoras). Eu tenho certeza que antes de qualquer outra coisa, para haver alguma mudança, os profissionais da saúde tem que querer que isso aconteça para depois mudar a prática. Fingir que acredita e dizer o que o outro quer ouvir é fácil, fazer que é difícil. A prática educativa, e não estou falando da disciplina, é algo que sóquem gosta de ensinar, sente e sabe o que ela é e a importância dela na formação dos cidadãos. Essa prática educativa precisa ser diária crítica reflexiva (a nossa própria avaliação das nossas ações frente o educando, os outros profissionais da educação, a instituição, etc). Abraço e um excelente final de semana, Sônia
[Sônia] [20:17]


Famed inaugura o primeiro Laboratório Open-Source da Ufrgs
A Faculdade de Medicina da Ufrgs está inovando na parte de informática. Há duas semanas foi inaugurado um novo laboratório, que contêm 30 computadores equipados exclusivamente com programas livres, inclusive o sistema operacional, que é o Linux.

fonte: Parla

Meu comentário: Desculpem interromper as reflexões de vocês, mas não posso ficar sem dizer:
Parabéns FAMED!!!


REPENSANDO A PALAVRA DESILUSÃO


Colegas e profs,
Durante a última aula a colega Raquel questionou o uso que fiz da palavra desilusão, que no seu entender teria uma conotação de decepção, desencantamento. Considerando a possibilidade de que eu tivesse feito um mau uso da palavra, consultei o Aurélio.

Desilusão- Ato ou efeito de desiludir (-se); desengano, decepção.
Ok. A colega tinha sua parcela de razão, mas a palavra era realmente inadequada?
O que é o ato ou efeito de desiludir-se?

Desiludir- Tirar ilusões ou perde-las; desenganar-se.
O que é ilusão? O que é desengano?

Ilusão- Engano dos sentidos ou da mente, que faz tomar uma coisa por outra. 2. Sonho, devaneio.
Desenganar- Tirar o engano, 2. tirar as esperanças (de salvação) 3. sair (do engano)
4. desilusão.

Eu falava em tirar as ilusões, então o uso que fiz foi adequado. Mais do que isso, penso agora que retratava exatamente o que eu gostaria de ter dito.
Por outro lado, é bastante interessante perceber como as palavras são percebidas por quem as ouve e quanto desengano isso pode acarretar...

A propósito, não encontrei desconstruir em meu mini dicionário. É muito usado em educação e não é o mesmo que destruir.

Um abraço e não deixem de dar um palpite no desafio, postado dia 13/04.
Talitha


Quarta-feira, Abril 13, 2005


Professor Manfroi e Professora Carmen

Para pensarmos


   "A primeira caracteristica do objeto do trabalho docente é que se trata de indivíduos. Embora ensinem a grupos, os professores não podem deixar de levar em conta as diferenaças individuais, pois são os indivíduos que aprendem, e não os grupos. Esse componente individual significa que as situações de trabalho não levam à solução de problemas gerais, universais, globais, mas se referem a situações muitas vezes complexas, marcadas pela instabilidade, pela unicidade, pela particularidade dos alunos, que são obstáculos inerentes a toda generalização, às receitas e às técnicas definidas de forma definitiva.

                                                                                                                                                                                       Mauricie Tardif


   Até quarta

Décio Passos Sampaio Péres


Re lendo um texto lido em conjunto!
Ele é de Amin Maalouf - As cruzadas vistas pelo Árabes - editado pela Brasiliense que trouxe para um grupo de professores, indicado pela Simone Valdete dos Santos (a dona do livro), mas que falando do século XII nos remete a pensar o séc. XXI e nossas pretensas mudanças, transformações, saberes e conhecimentos. Mais do que isto, nos provoca!
"A opinião do emir sírio a respeito dos "bárbaros" não se modifica quando ele evoca o seu saber. Os franj no século XII se mostram muito atrasados em relação aos árabes em todos os domínios científicos e técnicos, mas é sobretudo na medicina que o afastamento entre o Oriente desenvolvido e o Ocidente primitivo é maior. Ussama observa a distância.

  • "Um dia", ele conta, " o governador franco de Muneitra, no monte Líbano, escreveu a meu tio Sultan, emir de Chayzar, para lhe pedir que lhe enviasse um médico para cuidar de alguns casos urgentes. Meu tio escolheu um médico cristão de nosso país chamado Thabet. Este se ausentou apenas por poucos dias, depois voltou. Todos estávamos bastante curiosos para saber como ele tinha podido assim tão rapidamente obter a cura dos doentes, e o crivamos de perguntas. Thabet respondeu: 'Fizeram vir à minha presença um cavaleiro que tinha um abcesso na perna e uma mulher desnutrida e definhada. Coloquei um emplastro no cavaleiro, o tumor abriu e melhorou. Para a mulher, prescrevi uma dieta para refrescar-lhe o temperamento'. Mas um médico franco chegou e então disse: ' O que você prefere, viver com uma sóperna ou morrer com as duas?'. O paciente tendo respondido que preferia viver com uma só perna, o médico ordenou: "Tragam-me um cavaleiro forte com um machado bem afiado'. Logo vi chegar o cavaleiro e o machado. O médico franco colocou a perna do paciente num cepo e disse ao recém-chegado: 'Dê uma boa machadada para cortá-la de uma sóvez!' . Sob meus olhos, o homem descarregou um primeiro golpe na perna, depois, como ela continuasse presa, bateu uma Segunda vez. O tutano da perna esguichou e o ferido morreu no mesmo instante. Quanto à mulher, o médico franco a examinou e disse: 'Ela tem na cabeça um demônio que está apaixonado por ela. Cortem-lhe os cabelos!'. Eles foram cortados. A mulher então recomeçou a comer seu alimento com alho e mostarda, o que agravou o definhamento. 'Foi o diabo que lhe entrou na cabeça', afirmou o médico. E, pegando uma navalha, fez-lhe uma incisão em forma de cruz, deixando aparecer o osso da cabeça', que ele esfregou com sal. A mulher morreu imediatamente. Então perguntei: 'Vocês ainda precisam de mim?'. Disseram-me que não, e eu retornei, depois de Ter aprendido muitas coisas que ignorava a respeito da medicina dos franj''."

.... Quanto mais aprende por conta própria, mais Ussama faz uma idéia mesquinha a respeito dos ocidentais. Neles, só admira as qualidades guerreiras. Compreende-se, assim, porque, no dia em um dos "amigos" que fez entre eles, um cavaleiro do exército do rei Fulque, lhe propôs levar seu jovem filho à Europa para o iniciar das regras da cavalria, o emir declina polidamente o convite, dizendo para si mesmo que prefere ver seu filho ir "para a prisão do que ao país dos franj". (MAALOUF, 1988, p. 126-
127)."






Desafio no BLOG...
O texto a seguir faz parte de um desafio, cujo objetivo é identificar o autor do verso transcrito. É um jogo de palavras e foi escolhido por utilizar termos que nós frequentemente consideramos como "nossos" ou seja, da área da saúde....
Uma única dica, por enquanto: quem escreveu não é médico


VIRUS


There's an evil virus that's threatening mankind
Not state of the art, a serius state of the mind
The muggers, the backstabbers, the two faced elite
A menace to society, a social disease


Quem souber a resposta pode escrevê-la e lançar outro desafio ou aguardar um tempo....
Achei mais interessante em inglês, se houver necessidade posso publicar a tradução.
Na falta de respostas em uma semana, publico outra dica...
Um abraço,
Talitha


Terça-feira, Abril 12, 2005


No texto Avaliação no Cotidiano Escolar gostaria de, democraticamente, discordar um pouco do texto, pois lendo-o a impressão que ficou para mim é a quase hojeriza da autora em relação a avliação com a prova, concordo que a avalição híbrida é mais justa, mas também acho que a prova continua sendo vital no aprendizado de qualquer pessoa, pois o desafio de uma prova continua sendo um grande estímulo ao crescimento do aluno, grato Paulo César de César.

Domingo, Abril 10, 2005


Colegas...
Até que enfim consegui entrar...
A memória educativa que logo me leibrei, infelizmente não foi um bom exemplo: Eram aquelas disciplinas em que o pressor só consegui dar aula se tivesse um retroprojetor...então ele colocava aquelas transparências, percebidamente, utilizadas durante anos a fio...o próximo passo era desligar a luz e então, iniciava a leituras daquelas lâminas, com um tom de voz contínuo e monótono...Realmente não aluno que resista a essa cena...
Mas, essas más recordações, pelo menos, servem como exemplo de como não ministrar uma aula...reforçando o estímulo de sermos cada vez melhores...
Grande Abraço a todos
Mauren Porto

Quinta-feira, Abril 07, 2005


Para esquentar a discussão que começou na aula passada, sobre o papel do professor no processo de ensino-aprendizagem. Uma das lindas figuras de Rubem Alves...


"O que se encontra no início? O jardim ou o jardineiro? É o jardineiro. Havendo um jardineiro, mais cedo ou mais tarde um jardim aparecerá. Mas, havendo um jardim sem jardineiro, mais cedo ou mais tarde ele desaparecerá. O que é um jardineiro?
Uma pessoa cujo pensamento está cheio de jardins."
Rubem Alves
Entre a Ciência e a Sapiência
11ª Ed. Edições Loyola.São Paulo. 2004
Abraços,
Talitha


Memória educativa:marcas na vida de cada um


   Quando me pergunto o porquê de tanta dedicação ao estudo, à vida acadêmica, às horas intermináveis na frente do computador escrevendo, da prática no laboratório, dos desafios em geral que aguardam na esquina, acabei lembrando um passado recente, já na reta final da graduação, quando tudo conspirou para que eu não pudesse continuar. A correria atrás de um auxílio imediato me levou a ter uma bolsa filantrópica: trabalho social e 100% de desconto nas mensalidades. Dias depois estava em uma escola em um bairro pobre da cidade e como primeiro desafio ser o professor de crianças da 3ª série do ensino fundamental. Durante todo o tempo de trabalhei lá, percebi a necessidade da educação constante e de qualidade como chave de todo um processo que pode levar nosso País a uma melhor condição de vida para todos. É piegas, mas também real. Vi pessoas, principalmente crianças que realmente precisavam de ajuda, e de várias maneiras. Espero sinceramente poder ter ajudado, mesmo que um pouco, pelo menos dando horas tão agradáveis quanto elas me deram. Sempre lembro de alguns rostinhos entre tantos que haviam e desejo que a educação lhes garanta um futuro melhor.
Vagner

Quarta-feira, Abril 06, 2005




Uma contribuição para reflexão sobre ensino aprendizagem

A Instrução Integral, por Mikhail Bakunin
"A instrução deve ser igual em todos os graus para todos; por conseguinte, deve ser integral, quer dizer, deve preparar as crianças de ambos os sexos tanto para a vida intelectual como para a vida do trabalho, visando a que todos possam chegar a ser pessoas completas."
..."o ensino se dividirá em duas partes: a parte geral, que proporcionará os principais elementos de todas as ciências sem exceção, assim como o conhecimento completo de seu conjunto, não um conhecimento superficial;... e a parte especial ...que mais convenha às suas disposições individuais e a seus gostos.
(...)
Se se equivocarem, o próprio erro que cometerem lhes servirá de ensino eficaz para o porvir, e a instrução geral que houverem recebido lhes servirá de luz, e facilmente poderão volver ao caminho que sua própria natureza lhes indica.
Tanto as crianças como os homens maduros só se tornam sensatos com suas próprias experiências, nunca com os demais.
...Na instrução instrução integral, ao lado do ensino científico ou teórico, deve haver necessariamente o ensino industrial ou prático.Só assim se forma o homem completo: o trabalhador que compreende e sabe.
Além do ensino científico e industrial, existirá necessariamente o ensino prático, ou melhor, uma série sucessiva de experiências de moral, não divina, mas sim, humana. A moral divina baseia-se nestes dois princípios imorais: o respeito à autoridade e o desrespeito à humanidade. A moral humana, pelo contrário, fundamenta-se no desprezo à autoridade e no respeito pela liberdade e pela humanidade."

Mikhail Bakunin
A Instrução Integral- Escrito em 1869
Publicado pela Editora Imaginário, São Paulo, 2003.
Boa semana a todos,
Talitha

Terça-feira, Abril 05, 2005


Olá pessoal,
Mais uma vez estou tentando "blogar"!
A questão que formulei na primeira aula foi: Existe um modelo pedagógico mais adequado para contemplar as prioridades educacionais atuais?
A característica que mais valorizo no professor é a sua capacidade de observação, ou seja, perceber se a aula está interessante, se está dentro das espectativas propostas, se a aula está sendo aproveitada pelos alunos, etc.
A característica que destaco em mim é o interesse.
obrigado, um abraço,
Paulo



Falar de avaliação como ponto de partida para...
Uma educação eticamente comprometida e compromissada, um esnino que discuta o que é o ensino humanista, e ao mesmo tempo desenvolver o senso crítico como eixos propostos pelo nosso grupo, nos fazem buscar, por via da tecnologia um meio de compartilhar descobertas. Hoje, trago uma parábola na versão escrita por AlziraCastilho, no livro "Como atirar vacas no pricipício", chama-se:
"O casulo

O grande escritor grego Nikos Kazantzakis (Zorba, o grego) conta que, quando criança, reparou num casulo preso a uma árvore, onde uma borboleta preparava-se para sair. Esperou algum tempo, mas como ela estava demorando muito resolveu acelerar o processo, enquentando o casulo com seu hálito. A borboleta terminou saindo, mas morreu em seguida, pois suas asas tinham continuado presas.
"Era necessária uma paciente maturação feita pelo sol, e eu não soube esperar", diz Kazantzakis. " Aquele pequeno cadáver é, até hoje, um dos maiores pesos que tenho na consciência. Mas foi ele que me fez entender o que é um verdadeiro pecado mortal: forçar as grandes leis do Universo."
É preciso paciência, aguardar a hora certa e entregar-se com confiança ao ritmo da vida."
Sem naturalizar o tempo dos humanos e para problematizarmos a avaliação que conhecemos, realizamos ou impomos aos outros...
Abraço a todos


Professores e colegas
Parece que finalmente consegui entender o esquema, me confirmem amanhã.
Minhas questões na primeira aula foram:
Como estimular o raciocínio crítico e a interação professorXaluno em salas de aula com turma de 40 a 50 alunos?
Quais as melhores técnicas de avaliação do aprendizado?
Para mim uma das características essenciais ao professor é a receptividade, isto é dar sinal verde a qualquer aluno que sinalizar a vontade de aprender.
A característica pessoal que mais valorizo em mim é a tentativa de manifestar simpatia às pessoas com quem tenho contato.
Eliane

Segunda-feira, Abril 04, 2005


Caros Alunos
Estas são as dúvidas referentes à prática educatica, construídas na aula passada. Durante o semestre estas dúvidas e outras serão discutidas e problematizadas a fim de constituir um referencial teórico-prático sobre estas questões. Gostaríamos de saber porque estas perguntas são importantes para vocês, quando e onde elas surgiram, ou seja, o que faz vocês quererem saber sobre estes temas?
As respostas serão muito importantes para Carmen e principalmente para mim, visto que é isso que pesquiso a 4 anos, ou seja, compreender e analisar as concepções de educação dos alunos da saúde para problematizar os questionamentos destacados por vocês e buscar coletivamente possibilidades e alternativas aos limites vivenciados. Para cada um de vocês compreender essas temáticas serve para entender a importância e a dificuldade que é ser um educador.


Grupo 1
Necessidade de remodelação do método de ensino, "substituição" do professor pelo tutor, para proporcionar uma melhor troca de conhecimentos fazendo com que o aluno participe desta construção.
Reavaliar a participação do professor "catedrático" no processo de educação, que hoje é um expositor do conhecimento, fazendo com que ele estimule os alunos na busca do conhecimento e senso crítico.

1) Como estimular o aluno a procurar o conhecimento, a estudar e aprender?
2) Por que a necessidade de remodelação? O que é considerado um resultado insatisfatório?
3) Buscar um ensino mas humanista na profissão de profissionais.
4) estabelecer as diferenças entre o professor, o tutor e o educador e seus respectivos papéis: Ensino-aprendizagem e formas alternativas de ensino.


Grupo 2
Como organizar o conhecimento perante a avalanche de informações que a tecnologia (Ex. Internet) e os demais meios de informação nos oferecem o tempo todo? Interagir com o aluno para saber até que ponto ele domina o conhecimento a ser trabalhado em aula (bagagem prévia).
1) Método de planejamento de aula, considerando:
# o conhecimento prévio do aluno
# atualização da informação
# estímulo a busca de conhecimento

Grupo 3
Qual o processo de formação para o professor neste novo contexto?
- Desenvolver habilidades? Técnicas pedagógicas? Tolerância às críticas (alunos/colegas)?
- Manter-se realizado e manter a motivação do professor perante as dificuldades!!! Até que ponto é o papel do professor frente à resistência do aluno, sociedade?

Um ponto importante neste "novo" professor, na nossa opinião, seria o desenvolvimento de novas técnicas pedagógicas e de aferição do conhecimento do alunos, não é mais aceitável o aluno sentar em sala de aula e apenas ser cobrado em uma prova, é importante desenvolver o senso crítico do aluno com isso a sedimentação de conhecimento no aluno é mais intenso que com a simples fato de decorar para uma prova.

Grupo 6
Como otimizar o ensino da pós-graduação, criando uma interação teórico-prática para que possamos utilizar de uma forma mais efetiva as ferramentas que nos são transmitidas?

De que maneira os modelos pedagógicos são avaliados e comparados entre si?
- Enfoque pedagógico para o ensino da pós-graduação.

Grupo 7
Qualidade na educação:
Bases da prática educativa
Ética em educação
Prática em educação (redução do mercado de trabalho)
Políticas de ensino
Técnicas de avaliação da aprendizagem

- Ética em educação
- Métodos de avaliação

Sábado, Abril 02, 2005



Quais Universidades brasileiras, hoje, desenvolvem projetos de apoio e orientação aos professores, em relação à prática de ensino (formas de avaliação, metodologias de ensino, etc)?

Memória educativa: No meu "registro educativo" existem algumas lembranças tristes, como por exemplo de provas extremamente extensas, que avaliava basicamente a capacidade de decorar, onde os professores ficavam falando o tempo que restava para terminar a prova, entre outras frases de terrorismo. Lembranças positivas também existem. Professores atentos ao aprendizado dos alunos, que buscavam mudar sua metodologia de ensino para um melhor aproveitamento em sala de aula.

Patricia Guerrero


Entre Fraudelino e Paulo Rogério?
Confesso ser uma pessoa distraída, não lembro de Fraudelino nem Paulo Rogério na turma...
Então imaginei se tratar de alunos do semestre passado, numa pegadinha bem aplicada pela professora, que é quem assina a mensagem, datada de 1º de abril.
Conheço um pouco de Paulo Freire (vários textos, nenhum livro completo) e sou Apaixonada por Edgar Morin, o que torna minha opinião tendenciosa. Gostaria mesmo de recomendar os Sete Saberes aos colegas da disciplina.
De certa forma, o texto dos Sete Saberes me parece mais feliz, até porquê não se fecha em teoria. Segundo Morin (e podemos constatá-lo facilmente) o problema em se lançar uma teoria, mesmo que em bases científicas, é que corremos o risco de nos tornarmos escravos dela. Assim, seria perfeitamente possível alguém tornar-se escravo de uma "Teoria da Libertação", na medida em que a manutenção dessa teoria o impedisse de olhar além. Não estou de forma alguma afirmando que seja o caso de Paulo Freire.Estou apenas exemplificando o que o autor, citado por Paulo Rogério quis dizer em relação ao Erro e Ilusão produzido pelo conhecimento.
Usando o próprio Morin, deveríamos citar o contexto no qual um conhecimento se insere. Pois bem, aqui estamos diante de um texto escrito por Paulo Freire em 1996, tratando especificamente de um assunto e aparentemente com um objetivo específico (divulgar uma ideologia). De outro lado um texto de Edgar Morin, escrito em 1999, por solicitação da UNESCO, com o objetivo de "sistematizar um conjunto de reflexões que servissem de ponto de partida para se repensar a educação do próximo milênio". Tratam-se portando de pêssegos e laranjas.
Uma imagem que eu gosto do Paulo Freire, é a de que o conhecimento vai abrindo comportas, como se estivéssemos em uma colméia e cada conhecimento adquirido fosse nos conduzindo entre favos de mel, que depois de abertos não haveriam de se fechar.Portanto, o conhecimento adquirido com Morin, nos levaria obrigatoriamente a ver de outra forma o próprio Paulo Freire e vice versa.
Assim, acredito que podemos ficar "com" os dois autores, refletindo sobre ambos, e felizes por conhecê-los.
Talitha

Sexta-feira, Abril 01, 2005


Entre Morin e Paulo Freire ou: entre Paulo Rogério e Praudelino
PEDAGOGIA DA AUTONOMIA



Segundo o método de Paulo Freire a educação constitui-se na idéia de um diálogo entre educador e educando. Junto ao ensino, o indivíduo deve ser incentivador a compreender seu papel na sociedade.
Sendo assim, o homem é o sujeito da educação, já que a interação homem-mundo, sujeito-objeto é imprescindível para que o ser humano se desenvolva e se torne sujeito de suas ações.
Essa participação do homem na sociedade, se dá na medida em que o mesmo desenvolva sua conscientização.
Dessa forma, a educação assume um caráter amplo, não restrita à escola em si e a uma educação formal, e sim consiste na educação problematizadora que objetiva o desenvolvimento da consciência crítica e a liberdade como meios de superar as contradições da sociedade.
Nesse contexto, se a teoria do conhecimento de Paulo Freire é sustentada por uma concepção dialética, em que o educador e o educando aprendem juntos, onde a prática e a teoria relacionam-se num processo de constante aperfeiçoamento.
Portanto, a educação baseia-se num ato coletivo e solidário, onde o educador apreende ensinando, e o educando ensina apreendendo.
Diante dessa análise, constata-se que o método de Paulo Freire está ao alcance de todos, precisamos mudar de verdade os nossos conceitos para ingressar na corrente da educação crítica, e não é com uma simples adaptação que iremos abandonar a educação ingênua. Durante as aulas do curso de Didática, apenas, alguns pontos, apesar dos esforços de muitos colegas, coincidiram com o método de Paulo Freire. Na verdade, precisamos de coragem e vontade para lidar sem medo e sem preconceito com as diferenças que envolvem o cotidiano.
Paulo Freire, Pedagogia da Autonomia, São Paulo: Paz e Terra, 1996.


PRAUDELINO BATISTA DOS SANTOS SOBRINHO




Os sete saberes necessários

As cegueiras do conhecimento o erro e a ilusão. O conhecimento do conhecimento como necessidade primeira para enfrentar o erro e a ilusão que paralisam a mente humana. A educação deve mostrar que não há conhecimento que não esteja ameaçado do risco do erro e da ilusão.
O desenvolvimento do conhecimento científico é poderoso instrumento contra o erro e a ilusão, porém ele também produz erro e ilusão quando se torna um paradigma.
A construção do conhecimento pela educação do futuro não pode se embotada pelos paradigmas que a inibem.

Os princípios do conhecimento evidente - para que o conhecimento seja pertinente, a educação deve tornar evidente:
- o contexto o conhecimento fragmentado do séc XX, gerou especialização que tem dificuldades de contextualização e de conhecimento global.
- o global é preciso recompor o todo para reconhecer as partes.
- o multi-dimensional o ser humano é ao mesmo tempo biológico, psíquico, social, afetivo e racional. O conhecimento pertinente dever conhecer este caráter.
- o complexo o conhecimento deve a complexidade. A educação deve promover a inteligência geral.
O processo do aprender é construído através da possibilidade de fazer correlações com outros saberes já internalizados.

Ensinar a condição humana a educação do futuro deverá ter o ensino centrado na condição humana. Conhecer o ser humano é centra-lo no universo.
A sociedade vive para o indivíduo, que vive para a sociedade. Cada um destes termos é ao mesmo tempo, meio e fim.
Nada do que vem do ser humano deve ser estranho ao processo de ensino-aprendizagem.

Ensinar a identidade terrena o ensino do futuro pretende educar para a solidariedade, fazendo compreender que todos os seres humanos compartilham do mesmo espaço planetário e terão um destino comum, independente das suas individualidades.

Enfrentar as incertezas é preciso aprender a enfrentar as incertezas, pois o homem pressionado pelas incertezas é levado a uma nova aventura. Por isso a educação do futuro deverá se voltar para as incertezas ligadas ao conhecimento.
O conhecimento é uma aventura incerta, pois comporta o risco permanente do erro e da ilusão. Entretanto é nas certezas que se encontram as maiores ilusões, pois o conhecimento não é estanque e não pode ser engessado em paradigmas. É necessário despertar a curiosidade pelo desconhecido que permitirá a navegação por universos não explorados. É a curiosidade e a aventura do desconhecido que leva o homem à evolução da ciência e o prepararáao enfrentamento dos imprevistos.

Ensinar a compreensão a compreensão deve ser uma das finalidades da educação do futuro.
A comunicação não garante a compreensão. A informação deve ser bem transmitida e bem compreendida para trazer inteligibilidade.
A capacidade de compreender permite o entendimento do semelhante, estando esse novo ser humano desarmado no seu espírito de beligerância e preparado para a condução do processo de paz.

A ética do gênero humano a partir da nova educação, o indivíduo deve ser ensinado a entender a sua condição de cidadão terrestre, onde o indivíduo necessita do controle da sociedade e essa necessita do controle do indivíduo. Somente o processo estabelecido democraticamente permite o adequado controle da sociedade sobre o indivíduo e do outro lado a interferência do indivíduo sobre a sociedade.
A humanidade é uma comunidade planetária construída por todos que se preservará na realização da cidadania de cada um.

Análise da experiência educativa à luz do autor

Primeiramente, a minha aula baseou-se no conhecimento global, em que diferenciei exercício aeróbio do anaeróbio, para chegar ao tema da aula que era Caminhar ou correr?. Citei os benefícios da prática da educação física, estimulando os alunos à participação, com perguntas seguidas de respostas. Citei as conseqüências do exercício sem orientação, comparando o atleta com o sedentário e qual o exercício recomendado de acordo com a capacidade aeróbia de cada um, ou seja, que deverá ser conduzido por profissional habilitado, que fará a medição direta ou indireta da capacidade pulmonar da pessoa, com o trabalho direcionado a esse condicionamento apresentado. Também foram apresentadas as conseqüências do sedentarismo à circulação sanguínea, com formação de ateromas.
A aula ministrada e citada neste documento foi muito curta face à larga atuação que tenho em aulas deste tipo, onde fiz parte do corpo docente da Academia de Polícia Militar durante seis anos. Assim, as minhas observações também servem para esta experiência.
Durante as aulas e geralmente no início, os alunos costumavam fazer perguntas de ordem prática e técnica, que às vezes saíam um pouco do conteúdo a ser ministrado, mas sempre eram atendidos por mim, que não os deixava sem respostas. Verificando junto ao autor, constato que ele cita o conhecimento global é o conhecimento a ser procurado na educação do futuro, e constato que foi o que procurei fazer, ou seja, dar um conhecimento global, sem se ater demasiadamente na especialização.
O esporte, sendo uma atividade primordialmente grupal, fomenta a solidariedade, permitindo a comunicação. Em vista da necessidade da participação de todos para a realização do resultado final, a cidadania foi desenvolvida e estimulada, através da integração dos alunos nos conteúdos ministrados em que os objetivos a serem alcançados eram divulgados antecipadamente e buscados através da construção coletiva.
A ênfase na condição humana era através do direcionamento da atividade física de acordo com a capacidade individual do aluno, ou seja, o aluno mais condicionado fazia trabalho diferenciado do menos condicionado, assim, o mais não se via prejudicado pelo menos, que por sua vez, não se via humilhado pela sua condição, pois o seu condicionamento físico não suportaria.

Paulo Rogério Farias Medeiros

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