.:: Esse blog visa dar continuidade as discussões e reflexões sobre educação em saúde realizadas na disciplina Prática Educativa em Medicina do Programa de Pós-Graduação da FAMED/UFRGS.

Quarta-feira, Maio 25, 2005


Caros alunos e alunas
As apresentações que começaram hoje, foram muito boas e com a participação da maioria dos componentes dos grupos. O primeiro grupo que se intitulou Cardiologia, trabalhou com a letra da música de Gabriel Pensador "Estudo Errado" para fazer a reflexão sobre o formação que recebemos durante nosso período escolar. Num segundo momento distribuíram aleatoriamente pétalas de cores diferentes para cada aluno/a e solicitaram que estes se reunissem pela cor da pétala recebida para discutirem sobre uma pergunta que cada grupo recebeu em forma de miolo (miolo da flor). Depois da determinado tempo, mais ou menos 10 minutos solicitaram os alunos voltassem para o grande grupo para a discussão das frases e/ou palavras que estes escreveram nas pétalas.
A coordenadora Adriana pediu que o grupo com a pergunta "O que vocês poderiam tirar dessa letra da música que mudaria a sua maneira de ser na vida profissional?", montasse a sua flor na mesa disposta no meio da sala. E as respostas àquela pergunta são estas:

Metodologia
Sensibilidade

Atualização do método de ensino
Motivação
Empatia



O mesmo ocorreu com o grupo da pergunta É triste, mas que fazer? A realidade é esta. Que fazer, enquanto educadores, trabalhando num contexto assim? (Há o que fazer? Como fazer). As respostas são:

Um encontro ensino-aprendizagem deve ser um local de convivência feliz,
uma melodia prazerosa no trabalho.

Olhar e escuta
Mudança na forma de ensinar
Aprendizagem = Interesse
Preparo para enfrentar o novo e o desconhecido



O terceiro grupo respondeu a pergunta: "Mudar é difícil, mas é possível. Com base nessa afirmação que mudanças podem ser realizadas em nossa ação político-pedagógica?". As respostas são:

Ensinar a entender o mundo ensinar a aprender
Porque vamos à escola?
Para gerar mudança é importante mudar toda uma estrutura educacional, até atingir o aluno.
E poder desenvolver com esses alunos o gosto pelo estudo e o senso crítico da vida.
Conseguir despertar no aluno que a aprendizagem não é só uma obrigação.
Motivação para a mudança.
Estudo centrado no desenvolvimento humano individual. Promoção do senso crítico do aluno como cidadão e como parte de uma sociedade, a qual o considera agente de mudança.


O último grupo respondeu esta pergunta:" Vocês já vivenciaram alguma situação semelhante à letra da música? (Relatem como foi, o que sentiram)." As respostas são:

Mudança na didática desenvolvida em aula e gostar do que faz.
Processo compartilhado, escuta de si e do outro. Onde o papel do professor é fundamental.
Mudança
A importância do currículo e do conteúdo. Na formação/interesse do aluno.
Adequação
Educação sem motivação é ineficaz. O respeito e o afeto são fundamentais na aprendizagem


Abraço, até 4º feira, Sônia Pedroso


V Ciclo de Palestras do CINTED / UFRGS
O CINTED - Centro Interdisciplinar de Novas Tecnologias na Educação e a SEAD - Secretaria de Educação a Distância/UFRGS promovem o V Ciclo de Palestras: Inovações em Tecnologia na Educação: Processos e Produtos.

Período: 30 de maio a 03 de junho de 2005
Local: FACED e CINTED / UFRGS (campus central)
Informações: 3316-3070 ou 3316-4098 ou secretaria@cinted.ufrgs.br

Terça-feira, Maio 24, 2005


E aqui vai a tirinha :)

Recebi a imagem por e-mail e colocarei aqui a autoria assim que descobrir.


Mensagem para comentar uma tirinha que fala de emprego e do orkut!

Compartilho com voces o que escrevi para nosso Núcleo, pois quando se diz que trabalho não é mais a centralidade para o estudo de nossa sociedade e as tecnologias não são importantes dá para pensar que ....
"Caros Integrantes e visitantes de nosso Núcleo!
Parece que a Su tem razão. Afinal em tempos de qualidade total, de restruturação produtiva, de produção de subjetividade os mecanismos de controle vão se tornando cada vez mais fechados e as estratégias e alternativas que como escreveu a Professora Anézia engendram "uma universalidade a qual se coloca como necessidade absoluta, por que a sobrevivência humana continuará permanentemente ameaçada, enquanto as necessidades do capital permanenecerem. ... essa é uma tarefa possível e necessária, por que não paramos de lutar, desejar, imaginar. ... para superar as formas pelas quais as pessoas investem em sua própria infelicidade, aceitando sua condição de oprimido por meio de algumas pequenas compensações."
Na universidade pública, que alguns dizem que "não custa nada", porque individualmente não pagam, mas que se faz com a contribuição do conjunto da sociedade brasileira, que a financia, parece que as pessoas andam preferindo estes controles, até do orkut. Ou, o mais perverso, individualmente submetem-se e na ausência do controle, sentem-se descompromissados com os colegas, com a turma e com o conjunto da sociedade que financia este estar na Universidade. Nem vou citar aqui o "desengajamento" consigo mesmo, como disse a Cátia! São pequenas compensações trocadas.
Como sou teimosa vou continuar acreditando que a maioria das pessoas com as quais convivo não se regem por estas lógicas.
Mais, que podemos cotidianamente construir sentidos que nos levem por outros caminhos, que não os da quantificação e do controle do mercado. Mais do que fazer um texto, fazermos a vida.
Abraços o todos e todas
Carmen"

----- Original Message -----
From:
Suzana Gutierrez
To: tramse
Sent: Monday, May 23, 2005 10:50 PM
Subject: [tramse] a centralidade do trabalho na internet
. Daqui a pouco vai ter esta sessão no curriculo lattes ...

Segunda-feira, Maio 23, 2005


Caro Décio
Levarei um exemplar do livro para deixar no xerox na quarta-feira.
Abraço, Sônia

Domingo, Maio 22, 2005


Para a Próxima aula
Caros colegas!
O texto abaixo será de apoio para a atividade que realizaremos em sala na próxima quarta (25/05). Para quem tem o livro "Pedagogia da Autonomia: saberes necessários à prática educativa" do Paulo Freire, trata-se dos capítulos 2.7 e 2.8.
Um grande abraço.
Grupo: Patricia G, Patricia B, Adriana, Raquel, Paulo e Leandro.

Pedagogia da Autonomia: Saberes necessários à prática educativa
Paulo Freire

Ensinar exige alegria e esperança

O meu envolvimento com a prática educativa, sabidamente política, moral, gnosiológica, jamais deixou de ser feito com alegria, o que não significa dizer que tenha invariavelmente podido cria-la nos educandos. Mas, preocupado com ela, enquanto clima ou atmosfera do espaço pedagógico, nunca deixei de estar.
Há uma relação entre a alegria necessária à atividade educativa e a esperança. A esperança de que professor e alunos juntos podemos aprender, ensinar, inquietar-nos, produzir e juntos igualmente resistir aos obstáculos à nossa alegria. Na verdade, do ponto de vista da natureza humana, a esperança não é algo que a ela se justaponha. A esperança faz parte da natureza humana. Seria uma contradição se, inacabado e consciente do inacabamento, primeiro, o ser humano não se inscrevesse ou não se achasse predisposto a participar de um movimento constante de busca e, segundo, se buscasse sem esperança. A desesperança é negação da esperança. A esperança é uma espécie de ímpeto natural possível e necessário, a desesperança é o aborto deste ímpeto. A esperança é um condimento indispensável à experiência histórica. Sem ela, não haveria História, mas puro determinismo. Só há história onde há tempo problematizado e não pré-dado. A inexorabilidade do futuro é a negação da História.
É preciso ficar claro que a desesperança não é maneira de estar sendo natural do ser humano, mas distorção d esperança. Eu não sou primeiro um ser da desesperança a ser convertido ou não pela esperança. Eu sou, pelo contrário, um ser da esperança que, por "n"razões, se tornou desesperançado. Daí que uma das nossas brigas como seres humanos deva ser dada no sentido de diminuir as razões objetivas para a desesperança que nos imobiliza.
Por tudo isso me parece uma enorme contradição que uma pessoa progressista, que não teme a novidade, que se sente mal com as injustiças, que se ofende com as discriminações, que se bate pela decência, que luta contra a impunidade, que recusa o fatalismo cínico e imobilizante, não seja criticamente esperançosa.
A desproblematização do futuro numa compreensão mecanicista da História, de direita ou de esquerda, leva necessariamente à morte ou à negação autoritária do sonho, da utopia, da esperança. É que, na inteligência mecanicista portanto determinista da História, o futuro é já sabido. A luta por um futuro assim "a priori" conhecido prescinde da esperança.
A desproblematização do futuro, não importa em nome de quê, é uma violenta ruptura com a natureza humana social e historicamente constituindo-se.
Tive, recentemente em Olinda, numa manhã como só os trópicos conhecem, entre chuvosa e ensolarada, uma conversa, que diria exemplar, com um jovem educador popular que, a cada instante, a cada palavra, a cada reflexão, revelava a coerência com que vive sua opção democrática e popular. Caminhávamos, Danilson Pinto e eu, com alma aberta ao mundo, curiosos, receptivos, pelas trilhas de uma favela onde cedo se aprende que só a custo de muita teimosia se consegue tecer a vida com sua quase ausência - ou negação -, com carência, com ameaça, com desespero, com ofensa e dor. Enquanto andávamos pelas ruas daquele mundo maltratado e ofendido eu ia me lembrando de experiências de minha juventude em outras favelas de Olinda ou do Recife, dos meus diálogos com favelados e faveladas de alma rasgada. Tropeçando na dor humana, nós nos perguntávamos em torno de um sem-número de problemas. Que fazer, enquanto educadores, trabalhando num contexto assim? Há mesmo o que fazer? Como fazer o que fazer? Que precisamos nós, os chamados educadores, saber para viabilizar até mesmo os nossos primeiros encontros com mulheres, homens e crianças cuja humanidade vem sendo negada e traída, cuja existência vem sendo esmagada? Paramos no meio de um pontilhão estreito que possibilita a travessia da favela para uma parte menos maltratada do bairro popular. Olhávamos de cima um braço de rio poluído, sem vida, cuja lama, e não água, empapa os mocambos nela quase mergulhados. "Mais além dos mocambos", me disse Danilson, "há algo pior: um grande terreno onde se faz o depósito do lixo público. Os moradores de toda esta redondeza 'pesquisam' no lixo o que comer, o que vestir, o que os mantenham vivos". Foi desse horrendo aterro, que há dois anos, uma família retirou de lixo hospitalar pedaços de seio amputado com que preparou seu almoço domingueiro. A imprensa noticiou o fato que citei, horrorizado e pleno de justa raiva, no meu último livro À Sombra desta Mangueira. É possível que a notícia tenha provocado em pragmáticos neoliberais sua reação habitual e fatalista sempre em favor dos poderosos. "É triste, mas, que fazer? A realidade é mesmo esta." A realidade, porém, não é inexoravelmente esta. Está sendo esta como poderia ser outra e é para que seja outra que precisamos, os progressistas, lutar. Eu me sentiria mais do que triste, desolado e sem achar sentido para minha presença no mundo, se fortes e indestrutíveis razões me convencessem de que a existência humana se dá no domínio da determinação. Domínio em que dificilmente se poderia falar de opções, de decisão, de liberdade, de ética. "Que fazer? A realidade é assim mesmo", seria o discurso universal. Discurso monótono, repetitivo, como a própria existência humana. Numa história assim determinada, as posições rebeldes não têm como tornar-se revolucionárias.
Tenho o direito de ter raiva, de manifesta-la, de tê-la como motivação para minha briga tal qual tenho o direito de amar, de expressar meu amor ao mundo, de te-lo como motivação de minha briga porque, histórico, vivo a História com tempo de possibilidade e não de determinação. Se a realidade fosse assim porque estivesse dito que assim teria de ser não haveria sequer por que ter raiva. Meu direito à raiva pressupõe que, na experiência histórica da qual participo, o amanhã não é algo pré-dado, mas um desafio, um problema. A minha raiva, minha justa ira, se funda na minha revolta em face da negação do direito de "ser mais" inscrito na natureza dos seres humanos. Não posso, por isso, cruzar os braços fatalistamente diante da miséria, esvaziando, desta maneira, minha responsabilidade no discurso cínico e "morno", que fala da impossibilidade de mudar porque a realidade é mesmo assim. O discurso da acomodação ou de sua defesa, o discurso da exaltação do silêncio imposto de que resulta a imobilidade dos silenciados, o discurso do elogio da adaptação tomada como fado ou sina é um discurso negador da humanização de cuja responsabilidade não podemos nos eximir. A adaptação a situações negadoras da humanização só pode ser aceita como conseqüência da experiência dominadora, ou como exercício de resistência, como tática na luta política. Dou a impressão de que aceito hoje a condição de silenciado para bem lutar, quando puder, contra a negação de mim mesmo. Esta questão, a da legitimidade da raiva contra a docilidade fatalista diante da negação das gentes foi um tema que esteve implícito em toda a nossa conversa naquela manhã.


Ensinar exige a convicção de que a mudança é possível



Um dos saberes primeiros, indispensáveis a quem, chegando a favelas ou a realidades marcadas pela traição a nosso direito de ser, pretende que sua presença se vá tornando convivência, que seu estar no contexto vá virando estar com ele, é o saber do futuro com problema e não como inexorabilidade. É o saber da História como possibilidade e não como determinação. O mundo não é. O mundo está sendo. Como subjetividade curiosa, inteligente, interferidora na objetividade com que dialeticamente me relaciono, meu papel no mundo não é só o de quem constata o que ocorre, mas também o de quem intervém como sujeito de ocorrências. Não sou apenas objeto da História, mas seu sujeito igualmente. No mundo da História, da cultura, da política, constato não para me adaptar, mas para mudar. No próprio mundo físico minha constatação não me leva à impotência. O conhecimento sobre os terremotos desenvolveu toda uma engenharia que nos ajuda a sobreviver a eles. Não podemos elimina-los, mas podemos diminuir os danos que nos causam. Constatando, nos tornamos capazes de intervir na realidade, tarefa incomparavelmente mais complexa e geradora de novos saberes do que simplismente a de nos adaptar a ela. É por isso também que não me parece possível nem aceitável a posição ingênua ou, pior, astutamente neutra de quem estuda, seja o físico, o biólogo, o sociólogo, o matemático, ou o pensador da educação. Ninguém pode estar no mundo, com o mundo e com os outros de forma neutra. Não posso estar no mundo de luvas nas mãos constatando apenas. A acomodação em mim é apenas caminho para a inserção, que implica decisão, escolha, intervenção na realidade. Há perguntas a serem feitas insistentemente por todos nós e que nos fazem ver a impossibilidade de estudar por estudar. De estudar descomprometidamente como se misteriosamente, de repente, nada tivéssemos que ver com o mundo, um lá fora e distante mundo, alheado de nós e nós dele.
Em favor de que estudo? Em favor de quem? Contra que estudo? Contra quem estudo?
Que sentido teria a atividade de Danilson no mundo que descortinávamos do pontilhão se, para ele, estivesse decretada por um destino todo poderoso a impotência daquela gente fustigada pela carência? Restaria a Danilson trabalhar apenas a possível melhora de performance da população no processo irrecusável de sua adaptação à negação da vida. Porém, na medida em que para ele, como param mim, o futuro é problemático e não inexorável, outra tarefa se nos oferece. A de, discutindo a problematicidade do amanhã, tornando-a tão óbvia quanto a carência de tudo na favela, ir tornando igualmente óbvio que a adaptação à dor, à fome, ao desconforto, à falta de higiene que o eu de cada um, como corpo e alma, experimenta é uma forma de resistência física a que se vai juntando outra, a cultural. Resistência ao descaso ofensivo de que os miseráveis são objeto. No fundo, as resistências - são manhas necessárias à sobrevivência física e cultural dos oprimidos. O sincretismo religioso afro-brasileiro expressa a resistência ou a manha com que a cultura africana escrava se defendia do poder hegemônico do colonizador branco.
É preciso, porém, que tenhamos na resistência que nos preserva vivos, na compreensão do futuro com problema e na vocação para o ser mais como expressão da natureza humana em processo de estar sendo, fundamentos para a nossa rebeldia e não para a nossa resignação em face das ofensas que nos destroem o ser. Não é a resignação mas na rebeldia em face das injustiças que nos afirmamos.
Uma das questões centrais com que temos de lidar é a promoção de posturas rebeldes em posturas revolucionárias que nos engajam no processo radical de transformação do mundo. A rebeldia enquanto denúncia precisa se alongar até uma posição mais radical e crítica, a revolucionária, fundamentalmente anunciadora. A mudança do mundo implica a dialetização entre a denúncia da situação desumanizante e o anúncio de sua superação, no fundo, o nosso sonho.
É a partir deste saber fundamental: mudar é difícil mas é possível, que vamos programar nossa ação político-pedagógica, não importa se o projeto com o qual nos comprometemos é de alfabetização de adultos ou de crianças, se de ação sanitária, se de evangelização, se de formação de mão-de-obra técnica.
O êxito de educadores como Danilson está centralmente nesta certeza que jamais os deixa de que é possível mudar, de que é preciso mudar, de que preservar situações concretas de miséria é uma imoralidade. É assim que este saber que a História vem comprovando se erige em princípio de ação e abre caminho à constituição, na prática, de outros saberes indispensáveis.
Não se trata obviamente de impor à população expoliada e sofrida que se rebele, que se mobilize, que se organize para defender-se, vale dizer, para mudar o mundo. Trata-se, na verdade - não importa se trabalhamos com alfabetização, com saúde, com evangelização ou com todas elas - , de, simultaneamente com o trabalho específico de cada um desses campos, desafiar os grupos populares para que percebam, em termos críticos, a violência e a profunda injustiça que caracterizam sua situação concreta. Mais ainda, que sua situação concreta não é destino certo ou vontade de Deus, algo que não pode ser mudado.
Não posso aceitar como tática do bom combate a política do quanto pior melhor, mas não posso também aceitar, impassível, a política assistencialista que, anestesiando a consciência oprimida, prorroga, "sine die", a necessária mudança da sociedade. Não posso proibir que os oprimidos com quem trabalho numa favela votem em candidatos reacionários, mas tenho o dever de adverti-los do erro que cometem, da contradição em que se emaranham. Votar no político reacionário é ajudar a preservação do "status quo". Como posso votar, se sou progressista e coerente com minha opção, num candidato em cujo discurso, faiscante de desamor, anuncia seus projetos racistas?
Partindo de que a experiência da miséria é uma violência e não a expressão da preguiça popular ou fruto da mestiçagem ou da vontade punitiva de Deus, violência contra que devemos lutar, tenho, enquanto educador, de me ir tornando cada vez mais competente sem o que a luta perderá eficácia. É que o saber de que falei - mudar é difícil mas é possível -, que me empurra esperançoso à ação, não é suficiente para a eficácia necessária a que me referi. Movendo-me enquanto nele fundado preciso ter e renovar saberes específicos em cujo campo minha curiosidade se inquieta e minha prática se baseia. Como alfabetizar sem conhecimentos preciso sobre a aquisição da linguagem, sobre linguagem e ideologia, sobre técnicas e métodos do ensino da leitura e da escrita? Por outro lado, como trabalhar, não importa em que campo, no da alfabetização, no da produção econômica ou no da saúde sem ir conhecendo as manhas com que os grupos humanos produzem sua própria sobrevivência?
Como educador preciso de ir "lendo" cada vez melhor a leitura do mundo que os grupos populares com quem trabalho fazem de seu contexto imediato e do maior de que o seu é parte. O que quero dizer é o seguinte: não posso de maneira alguma, nas minhas relações político-pedagógicas com os grupos populares, desconsiderar seu saber de experiência feito. Sua explicação do mundo de que faz parte a compreensão de sua própria presença no mundo. E isso tudo vem explicitado ou sugerido ou escondido no que chamo "leitura do mundo"que precede sempre a "leitura da palavra".
Se, de um lado, não posso me adaptar ou me "converter"ao saber ingênuo dos grupos populares, de outro, não posso, se realmente progressista, impor-lhes arrogantemente o meu saber como o verdadeiro. O diálogo em que se vai desafiando o grupo popular a pensar sua história social como a experiência igualmente social de seus membros, vai revelando a necessidade de superar certos saberes que, desnudados, vão mostrando sua "incompetência" para explicar os fatos.
Um dos equívocos funestos de militantes políticos de prática messianicamente autoritária foi sempre desconhecer totalmente a compreensão do mundo dos grupos populares. Vendo-se como portadores da verdade salvadora, sua tarefa irrecusável não é propô-la ma impô-la aos grupos populares.
Recentemente, ouvi de jovem operário num debate sobre a vida na favela que já se fora o tempo em que ele tinha vergonha de ser favelado. "Agora", dizia, "me orgulho de nós todos, companheiros e companheiras, do que temos feito através de nossa luta, de nossa organização. Não é o favelado que deve ter vergonha da condição de favelado mas quem, vivendo bem e fácil, nada faz para mudar a realidade que causa a favela. Aprendi isso com a luta." É possível que esse discurso do jovem operário não provocasse nada ou quase nada o militante autoritariamente messiânico. É possível até que a reação do moço mais revolucionarista do que revolucionário fosse negativa à fala do favelado, entendida como expressão de quem se inclina mais para a acomodação do que para a luta. No fundo, o discurso do jovem operário era a leitura nova que fazia de sua experiência social de favelado. Se ontem se culpava, agora se tornava capaz de perceber que não era apenas responsabilidade sua se achar naquela condição. Mas, sobretudo, se tornava capaz de perceber que a situação de favelado não é irrevogável. Sua luta foi mais importante na constituição do seu novo saber do que o discurso sectário do militante messianicamente autoritário.
É importante salientar que o novo momento na compreensão da vida social não é exclusivo de uma pessoa. A experiência que possibilita o discurso novo é social. Uma pessoa ou outra, porém, se antecipa na explicitação da nova percepção da mesma realidade. Uma das tarefas fundamentais do educador progressista é, sensível à leitura e à releitura do grupo, provoca-lo bem como estimular a generalização da nova forma de compreensão do contexto.
É importante ter sempre claro que faz parte do poder ideológico dominante a inculcação nos dominados da responsabilidade por sua situação. Daí a culpa que sentem eles, em determinado momento de suas relações com o seu contexto e com as classes dominantes por se acharem nesta ou naquela situação desvantajosa. É exemplar a resposta que recebi de mulher sofrida, em São Francisco, Califórnia, numa instituição católica de assistência aos pobres. Falava com dificuldade do problema que a afligia e eu, quase sem ter o que dizer, afirmei indagando: Você é norte-americana, não é?
"Não. Sou pobre", respondeu como se estivesse pedindo desculpas à "norte-americanidade" por seu insucesso na vida. Me lembro de seus olhos azuis marejados de lágrimas expressando seu sofrimento e a assunção da culpa pelo seu "fracasso" no mundo. Pessoas assim fazem parte das legiões de ofendidos que não percebem a razão de ser de sua dor na perversidade do sitema social, econômico, político em que vivem, mas na sua incompetência. Enquanto sentirem assim, pensarem assim e agirem assim, reforçam o poder do sistema. Se tornam coniventes da ordem desumanizante.
A alfabetização, por exemplo, numa área de miséria, só ganha sentido na dimensão humana se, com ela, se realiza uma espécie de psicanálise histórico-político-social de que vá resultando a extrojeção da culpa indevida. A isto corresponde a "expulsão"do opressor de "dentro"do oprimido, enquanto sombra invasora. Sombra que, expulsa pelo oprimido, precisa de ser substituída por sua autonomia e sua responsabilidade. Saliente-se contudo que, não obstante a relevância ética e política do esforço conscientizador que acabo de sublinhar, não se pode parar nele, deixado-se relegado para um plano secundário o ensino da escrita e da leitura da palavra. Não podemos, numa perspectiva democrática, transformar uma classe de alfabetização num espaço em que se proíbe toda reflexão em torno da razão de ser dos fatos nem tampouco num "comício libertador". A tarefa fundamental dos Danilson entre quem me situo é experimentar com intensidade a dialética entre "a leitura do mundo"e a "leitura da palavra".
"Programados para aprender" e impossibilitados de viver sem a referência de um amanhã, onde quer que haja mulheres e homens há sempre o que fazer, há sempre o que ensinar, há sempre o que aprender.
Nada disso, contudo, cobra sentido, para mim, se realizado contra a vocação para o "ser mais", histórica e socialmente constituindo-se, em que mulheres e homens nos achamos inseridos.



Sábado, Maio 21, 2005


Professora Carmen, o local do Xerox indicado para aquisição do livro "Pratica educativa", ainda não recebeu o exemplar para cópias.
Poderia rever isto?
Um abraço
Decio

Terça-feira, Maio 17, 2005


testando a postagem de texto + imagem por email
testando a postagem de texto + imagem por email


Convite: Políticas Públicas em Educação Profissional
No próximo dia 9 de junho, quinta feira, das 8 horas às 10 horas, na sala 603, estará palestrando com os interessados na temática acima, como promoção de nosso Núcleo de estudos e experiências em Trabalho, Movimentos Sociais, Saúde e Educação - TRAMSE, a Professora
IVONE MARIA ELIAS MOREYRA, Mestre em Educação Escolar,
Diretora de Educação Profissional e Tecnológica da Secretaria de Educação Média e tecnológica do
Ministério da Educação entre 2003 e 2004.
A atividade será promovida plo Núcleo, com o apoio da Linha de Pesquisa, sob a coordenação do
Prof. Dr. Augusto Nibaldo Silva Triviños, e a organização da doutoranda Magda Colao.
Divulguem aos interessados.
Abraços,
Carmen

Segunda-feira, Maio 16, 2005


<font color="#0000A0" size="3">Caros alunos </font>Estas são algumas referências bibliográficas para o seminário:
- CECIL Text Book of Medicine
- HARRISON Internal Medicine
- Outros
Abraço, Sônia Pedroso


Respeito do seminário para esta semana...

Gostaría de saber quais são os textos que temos que ler para fazer as atividades sobre o seminario de cardiología...
Un abraço!!
Lili.-

Sexta-feira, Maio 13, 2005


Caros alunos e alunas

A nossa ex-aluna Vivian Missaglia convida a todos/as a participarem do Simpósio Internacional Diagnóstico precoce de autismo: um desafio para o Brasil para aprendermos/entendemosr sobre os procedimentos utilizados para identificar precocemente o autismo.Quem desejar participar desse evento que ocorrerá somente em três cidades além de Porto Alegre entre em contato com ela:

Prezados Amigos e Colegas,

É com grande satisfação que lhes convido a participar e a divulgar o evento que acontecerá em Porto Alegre, no dia 22 de junho de 2005, sob minha coordenação.

O Simpósio Internacional - Diagnóstico precoce de autismo: um desafio para o Brasil está sendo promovido pela Veronica Bird Charitable Foundation - Ahead with Autism, que trará o Dr. Ami Klin (Harris Associate Professor of Child Psychology and Psychiatry, Child Study Center, Yale University School of Medicine) ao Brasil.

Está programada uma agenda de eventos no Brasil com a presença do Dr. Ami Klin, Veronica Bird e Walter Camargos Júnior. É relevante ressaltar que a equipe só visitará quatro capitais brasileiras (São Paulo, Porto Alegre, Aracaju e Fortaleza).

Em Porto Alegre, o objetivo principal do evento é contribuir com a conscientização dos profissionais da área da saúde em relação ao seu relevante papel na identificação precoce de autismo. Além disso, o evento pretende promover a capacitação desses profissionais de diversas especialidades para a identificação de sinais precoces de autismo em bebês. A proposta é identificar a presença de transtornos globais do desenvolvimento em bebês para encaminhá-los, o mais cedo possível, aos especialistas habilitados (psiquiatras e neurologistas infantis) para que a realização do diagnóstico precoce, antes dos primeiros 18 meses de vida, seja uma realidade em nosso país.

Por favor, aguardem mais informações.

Não percam essa oportunidade. Desde já, anotem na agenda:

Simpósio Internacional - Diagnóstico precoce de autismo: um desafio para o Brasil Data: 22/06/05

Horário: 8 às 13 horas

Local: AMRIGS, Porto Alegre - RS
Caro aslunos e alunas

Todos os participantes receberão um exemplar do vídeo "Os diferentes graus do autismo: exame e diagnóstico dos distúrbios do espectro autista".

Contamos com a presença e com a colaboração de todos.

Atenciosamente,

Vivian Missaglia

Especialista em Toxicologia Aplicada

Mestre em Ciências Médicas: Pediatria
Contatos:

E-mail: vivian.missaglia@terra.com.br

Celular: (51) 9187-7801

Abraço Sônia


Caros Alunos

Este é o material a ser estudado para a realização do Seminário Cardiopatia Isquêmica I - Síndrome Isquêmicas, coordenado pelo professor Waldomiro Carlos Manfroi

1- Objetivos específicos: após a participação no seminário, sob a orientação do professor, e vencidas as etapas propostas pela técnica o aluno deverá ser capaz de:

1.1- Descrever as teorias da gênese e a progressão da aterosclerose coronária.
1.2.- Descrever os fatores de risco que estão implicados na gênese da progressão da aterosclerose coronária, citando alguns trabalhos de investigação que fundamento o conhecimento existente.
1.3- Descrever as formas clínicas das síndromes isquêmicas, caracterizando os quadros clínicos de angina estável e das diversas formas de angina instável. Isquemia funcional e isquemia silenciosa.
1.4- Descrever as características da dor nos fatores desencadeantes, atenuantes e agravantes da angina do peito.
1.5- Citar as outras patologias que produzem dor no peito e que podem ser confundidas com angina do peito.
1.6- Citar a seqüência na investigação laboratorial e as condições de realização dos mesmos nas diversas formas de síndromes isquêmicas (teste de esforço em esteira, em ecocardiograma, na cintilografia miocárdia ou com uso de medicamentos, o Holter e cinecoronariografia).
1.7- Elaborar um plano terapêutico para cada uma das síndromes isquêmicas, descrevendo a ação farmacocinética, farmacodinâmica, efeitos e paraefeitos dos medicamentos utilizados para seu tratamento, destacando-se, entre eles, os nitratos, os betabloqueadores, os antagonistas do cálcio, os antiplaquetários, os anticoagulantes e as medidas de revascularização miocárdia por ponte ou por hemodinâmica invasiva.


Bom final de semana, Sônia


Quinta-feira, Maio 12, 2005


Professora Carmen, não recebi nada ainda sobre o seminário.
Um abraço
Decio

Segunda-feira, Maio 09, 2005


Gracias!
Obrigada Lili pelo lindo texto. Interessante que, da mesma forma que na letra da música proposta como desafio (Virus), o autor do texto fala em enfermidade....e vai além, nos provoca para uma mudança de atitude, como na música que termina com a frase:
Watching beginning the social decay....
É uma forma de constatar como os pensamentos convergem.

Um abraço,
Talitha


Não é um desafío mas...

Pessoal, ainda não achei exatamente o que eu quería, mas encontrei um texto muito bonito de um escritor argentino... é meio comprido, mas vale a pena tentar ler...

Um abraço!!
Lili.-

?El ser humano aprende en la medida en que participa del descubrimiento y la invención. Debe tener libertad para opinar, para equivocarse, para rectificarse, para ensayar métodos y caminos, para explorar... El mundo está gravemente enfermo de incredulidad y correlativamente de feroces dogmatismos. Y la educación no puede ser ajena a esos padecimientos, pues, en desdichada dialéctica es su raíz y su consecuencia, porque no sólo se manifiesta en las escuelas, en la universidades, sino también en la calle, en las fábricas, en los estadios deportivos y dentro de cada hogar... Fanáticos y demagogos que han detentado o detentan el poder obligan a maestros y profesores a sustituir la búsqueda de la verdad por la inyección de sus ideologías, entronizando el dogma en lugares en donde en tiempos más felices llegó a reinar la tolerancia... Se comete un grave error cuando se pretende reformar la educación como si se tratase de un problema meramente técnico, y no el resultado de la concepción del hombre que sirve de fundamento, de esos presupuestos que la sociedad mantiene acerca de su realidad y su destino, y que de una manera u otra, definen una manera de vivir y de morir, una actitud ante la felicidad y el infortunio... La educación no se lleva a cabo en abstracto, ni es válida para cualquier época o civilización, sino que vale en concreto, se hace con vistas a un proyecto de ser humano y de comunidad... No soy pedagogo, no soy especialista en educación, pero a esta altura de mi vida me considero especialista en esperanzas y desesperanzas, pues algo he aprendido a través de los golpes que he sufrido, de los errores cometidos, de las ilusiones perdidas... La educación no puede ser extraña al drama total de la civilización, no puede no participar de las fallas esenciales que agitan el universo espiritual de nuestro tiempo y amenazan con su derrumbe... La escuela y la universidad deben atender a las necesidades físicas y espirituales de cada una de las regiones... En fin, habrá que reintegrar la ciencia y la sabiduría, lo que implica una humanización de la técnica, una valorización ética de sus adquisiciones y una condena a la profanación de la naturaleza".

Ernesto Sábato
Fragmentos de un ensayo publicado en 1979.

Quarta-feira, Maio 04, 2005


Caros alunos
Para a próxima aula, a professora Carmen solicita que leiam e tragam materiais sobre currículo.
Abraço, e até 4º feira, Sônia

Domingo, Maio 01, 2005


Aguardo....
Ainda estou aguardando a manifestação dos colegas Brasil e a Lili (esta já me garantiu que escreveria) sobre suas impressões em relação ao texto do Desafio.
Se outro colega tiver algo a dizer sobre o texto será bem vindo, o Blog é nosso...
Então pessoal, vamos lá?
Um abraço,
Talitha

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