.:: Esse blog visa dar continuidade as discussões e reflexões sobre educação em saúde realizadas na disciplina Prática Educativa em Medicina do Programa de Pós-Graduação da FAMED/UFRGS.

Quarta-feira, Abril 26, 2006


Baseando-se na reportagem escolhida, alguns pontos merecem discussão com relação à construção de um currículo de saúde e formação docente qualificada. O primeiro ponto a ser destacado é o fato que a maior parte do período de formação de qualquer curso superior da saúde contempla quase que exclusivamente a parte técnica da profissão e conhecimentos a cerca do exercício profissional na vida real muitas vezes não são contemplados pelos currículos. Neste ponto se encaixa a formação docente que também teve, em seu período de formação, uns currículos técnicos, que não contempla outros aspectos práticos tais como o cuidado com questões burocráticas, por exemplo. No caso apresentado, talvez caberia ao médico não somente exercer a parte técnica (cirurgia), mas também revisar os dados do paciente e certificar-se de que aquele procedimento seria o correto. Casos como este ocorrem freqüentemente e reflete também uma compartimentalização das profissões, a inexistência de relações de interdisciplinariedade (cada um faz o seu papel pré-determinado dentro da equipe, sem se comunicar com os demais profissionais que estão envolvidos no processo). Uma formação docente mais voltada para a realidade do dia a dia de cada profissão, mais preocupada em transmitir e discutir com os alunos questões práticas e não apenas técnicas, e, principalmente para questões de comunicação entre profissionais e não apenas o exercer o saber técnico (ministrei minha aula, transmiti o conteúdo que estava determinado e pronto) parecem que agora necessitam urgentemente fazer parte da formação docente e a aparecer de forma mais clara e intensa nos currículos.


Simone Wajner