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Quarta-feira, Abril 26, 2006
Comunicação e a Profusão de Idéias e Percepções
A aula de hoje verdadeiramente me fez refletir sobre a dificuldade que temos ao difundir nossas idéias e viabilizar uma comunicação fidedigna (se é que ela existe).
Os diálogos e episódios do filme demonstraram esta perplexidade, como uma caricatura, o que de fato se concretiza nas relações e no nosso cotidiano. Não podemos negar! Uma máxima antiga do Direito diz: contra fatos não há argumentos. É fato! Desaprendemos a nos relacionar.
Por outro lado, o ser humano contém todo um universo dentro de si, trata-se de uma verdadeira profusão de idéias e percepções de uma riqueza sem tamanho ou limites. E isso é demonstrado em debates como este que ocorreu hoje, em que meus pares me trazem o enfoque da mídia e de recursos tecnológicos, fazendo-me voar longe, rumo ao futuro, trazendo à tona novos questionamentos que sequer eu já havia me feito. E aí? Nos moldamos ou não a essa nova realidade tecnológica? Todo cuidado é pouco, pois o saber nos traz uma falsa onipotência. Basta ver o que acontece nos nossos meios de trabalho quando ocorre uma ?pane? no sistema. E o quanto à questões de sobrevivência, como aquela do naufrágio? Do que adianta todo o conhecimento? Será que podemos dispensar a empirismo? Qual o papel da Epistemologia? Será que o estamos esquecendo?
O caso proposto, e que eu li rapidamente, sobre o erro médico e a enfermeira, demonstra bem isso: ligamos o piloto automático e nos esquecemos de pensar e sentir a nossa realidade. Confiamos por deveras na forma e nos procedimentos de nosso cotidiano e esquecemos de por atenção no agora e em toda a riqueza de que o momento presente nos presenteia (desculpem a repetição, mas me faltou palavra melhor. O presente é um presente, pois nos desafia.). Foi o que aconteceu: o médico confiou no que havia sido escrito pela enfermeira e esqueceu de olhar o rosto da paciente que ele havia atendido há dez dias. E a enfermeira também errou por ter automatizado por deveras o seu procedimento. Também podemos julgá-los? De um lado, todos sabemos dos grandes problemas que enfrentam os profissionais que atuam no Sistema SUS, por outro prisma, quem não cometeu erros em seu trabalho que jogue a primeira pedra (desculpem a paródia). Deixo registrado de que não estou fazendo apologia ao erro médico.
Ocorre que, para quem trabalha com Saúde, todas as questões são viscerais e um erro aqui, importa numa vida ali. Isso eu pude verificar na minha profissão, em que pese não lidar diretamente com os pacientes, tenho o panorama de quem bate às portas do Judiciário: normalmente é alguém que está fora de si, pois a sua vida e o seu direito de acesso à saúde está em jogo. E tudo toma outra dimensão, sendo que não há espaço para erros. E a Ciência, sem dúvida, nos dá a segurança de que precisamos e de que as pessoas precisam, e, ainda, parafraseando a Professora Carmen, de que o aluno precisa. Tal postura nos é exigida pela sociedade. Isto tudo faz emperrar o Sistema, pois enquanto cada um não pensar no seu papel, em como está funcionando e atuando, não é possível haver o intercâmbio e a comunicação. O "pensar" é vital! O repensar mais ainda!
Para que a comunicação possa ocorrer, no meu entendimento, é preciso que estejamos dispostos a mudar o olhar, ver com outros olhos, os olhos de quem conosco interage. É preciso que nos despojemos do nosso ponto de vista, que estejamos abertos a ouvir, dispor a escuta, sendo que nos dias atuais, parece não haver muito espaço para que isso ocorra. No entanto, aulas como a de hoje me fazem vislumbrar uma outra maneira de compor os novos desafios, ou seja, com criatividade podemos avançar no sentido de repensar a nossa maneira de nos relacionar e ?ver? os fatos que nos cercam.
Gostaria, para finalizar, de registrar que o elemento surpresa com que a as aulas têm acontecido, me estimulam a não querer perder uma aula sequer. De outra banda, porém ainda oportunamente, o empenho demonstrado pelos colegas em não se furtarem ao diálogo, torna tudo ainda muito mais interessante e dá um todo um colorido às nossas aulas.
A todos, um abraço,
Renata dos Anjos.
Os diálogos e episódios do filme demonstraram esta perplexidade, como uma caricatura, o que de fato se concretiza nas relações e no nosso cotidiano. Não podemos negar! Uma máxima antiga do Direito diz: contra fatos não há argumentos. É fato! Desaprendemos a nos relacionar.
Por outro lado, o ser humano contém todo um universo dentro de si, trata-se de uma verdadeira profusão de idéias e percepções de uma riqueza sem tamanho ou limites. E isso é demonstrado em debates como este que ocorreu hoje, em que meus pares me trazem o enfoque da mídia e de recursos tecnológicos, fazendo-me voar longe, rumo ao futuro, trazendo à tona novos questionamentos que sequer eu já havia me feito. E aí? Nos moldamos ou não a essa nova realidade tecnológica? Todo cuidado é pouco, pois o saber nos traz uma falsa onipotência. Basta ver o que acontece nos nossos meios de trabalho quando ocorre uma ?pane? no sistema. E o quanto à questões de sobrevivência, como aquela do naufrágio? Do que adianta todo o conhecimento? Será que podemos dispensar a empirismo? Qual o papel da Epistemologia? Será que o estamos esquecendo?
O caso proposto, e que eu li rapidamente, sobre o erro médico e a enfermeira, demonstra bem isso: ligamos o piloto automático e nos esquecemos de pensar e sentir a nossa realidade. Confiamos por deveras na forma e nos procedimentos de nosso cotidiano e esquecemos de por atenção no agora e em toda a riqueza de que o momento presente nos presenteia (desculpem a repetição, mas me faltou palavra melhor. O presente é um presente, pois nos desafia.). Foi o que aconteceu: o médico confiou no que havia sido escrito pela enfermeira e esqueceu de olhar o rosto da paciente que ele havia atendido há dez dias. E a enfermeira também errou por ter automatizado por deveras o seu procedimento. Também podemos julgá-los? De um lado, todos sabemos dos grandes problemas que enfrentam os profissionais que atuam no Sistema SUS, por outro prisma, quem não cometeu erros em seu trabalho que jogue a primeira pedra (desculpem a paródia). Deixo registrado de que não estou fazendo apologia ao erro médico.
Ocorre que, para quem trabalha com Saúde, todas as questões são viscerais e um erro aqui, importa numa vida ali. Isso eu pude verificar na minha profissão, em que pese não lidar diretamente com os pacientes, tenho o panorama de quem bate às portas do Judiciário: normalmente é alguém que está fora de si, pois a sua vida e o seu direito de acesso à saúde está em jogo. E tudo toma outra dimensão, sendo que não há espaço para erros. E a Ciência, sem dúvida, nos dá a segurança de que precisamos e de que as pessoas precisam, e, ainda, parafraseando a Professora Carmen, de que o aluno precisa. Tal postura nos é exigida pela sociedade. Isto tudo faz emperrar o Sistema, pois enquanto cada um não pensar no seu papel, em como está funcionando e atuando, não é possível haver o intercâmbio e a comunicação. O "pensar" é vital! O repensar mais ainda!
Para que a comunicação possa ocorrer, no meu entendimento, é preciso que estejamos dispostos a mudar o olhar, ver com outros olhos, os olhos de quem conosco interage. É preciso que nos despojemos do nosso ponto de vista, que estejamos abertos a ouvir, dispor a escuta, sendo que nos dias atuais, parece não haver muito espaço para que isso ocorra. No entanto, aulas como a de hoje me fazem vislumbrar uma outra maneira de compor os novos desafios, ou seja, com criatividade podemos avançar no sentido de repensar a nossa maneira de nos relacionar e ?ver? os fatos que nos cercam.
Gostaria, para finalizar, de registrar que o elemento surpresa com que a as aulas têm acontecido, me estimulam a não querer perder uma aula sequer. De outra banda, porém ainda oportunamente, o empenho demonstrado pelos colegas em não se furtarem ao diálogo, torna tudo ainda muito mais interessante e dá um todo um colorido às nossas aulas.
A todos, um abraço,
Renata dos Anjos.
![Prática Educativa é um projeto vinculado ao [zaptlogs] da ZAPT / UFRGS , Porto Alegre, RS, Brasil Prática Educativa é um projeto vinculado ao [zaptlogs] da ZAPT / UFRGS , Porto Alegre, RS, Brasil](http://www.ufrgs.br/tramse/bt/im/zaptlogo.jpg)