.:: Esse blog visa dar continuidade as discussões e reflexões sobre educação em saúde realizadas na disciplina Prática Educativa em Medicina do Programa de Pós-Graduação da FAMED/UFRGS.

Quinta-feira, Abril 27, 2006


Existem muitos aspectos interessantes a serem ressaltados sobre as interrelações entre a reportagem que lemos e o filme. A primeira delas sem dúvida é a comunicação interpessoal, a forma como ela é feita, a comunicação não verbal implícita e a capacidade de cada pessoa de se comunicar e se fazer entender. Partindo-se do episósio narrado na reportagem, o médico que não falou com a enfermeira que não confirmou os dados da paciente com a auxiliar e por aí vai, uma ausência total de comunicação, onde cada um simplismente desempenha suas tarefas como pequenos robôs, sem necessidade de interação, no segundo episódio do filme observamos o contrário, ou seja, mesmo o imigrante com dificuldade na linguagem falada consegue de alguma forma se comunicar e se fazer entender pelas outras pessoas presentes. Já no último episódio, entre o taxista da Costa do Marfim e seus "irmãos", como eles mesmo se tratam, não houve a menor possibilidade de comunicação mesmo falando a mesma lingua, faltavam os outros aspectos da comunicação entre essas pessoas. De forma muito interessante, uma terceira possibilidade de comunicação se revelou agora entre o mesmo taxista e a moça cega, ele impressionado pela capacidade dela de fazer suas atividade e até mesmo conhecer e sentir muitas coisas que para o taxista só seriam possiveis com o uso da visão ou até mesmo eram desconhecidas por ele. Estas histórias e a leitura delas fazemos nos remetem para a importância da interação no nosso dia a dia, dentro da rotina de trabalho e dentro de nossas casas, interação esta que não diz respeito somente a falar o que desejamos ou responder o que nos é perguntado, mas também em deixar claro às outras pessoas aquilo que queremos e o que realmente estamos expressando com nossas atitudes, o que é um vasto caminho para a ocorrência dos famosos mal-entendidos. Quero também salientar a imensa importância que a comunicação e o fazer-se entender deve entremear a relação professor-aluno, não somente para que um entenda o outro mas também para que os dois consigam comunicar suas visões de mundo/realidade.
Outro aspecto importante que deve ser comentado é a relação de poder/submissão que está presente de alguma forma em todos os relacionamentos sejam pessoais, sejam de trabalho. Especificamente, a interação professor-aluno é um tipo de relação historicamente marcada pela relação de poder, onde o professor é dono do saber e o aluno mero receptor. Acredito que nos tempos modernos esta realidade deve ser modificada, até porque estes mesmos padrões serão transportados para as relações de trabalho como o exemplo acima, o que já está mais do que estabelecido que não funciona.
De modo geral, acredito que um dos pontos mais importantes que devem ser trabalhados no currículo é a relação/aproximação da interação professor/aluno, de forma a "humanizar" o aprendizado técnico e o aprefeiçoamento das relações humanas com as quais o aluno irá se deparar em toda a sua vida.


Simone Wajner