.:: Esse blog visa dar continuidade as discussões e reflexões sobre educação em saúde realizadas na disciplina Prática Educativa em Medicina do Programa de Pós-Graduação da FAMED/UFRGS.

Sábado, Abril 29, 2006


Útero de mulher é retirado por engano
Comentário do grupo com relação à comunicação em saúde com base na reportagem do jornal ? Útero de mulher é retirado por engano

É consenso do grupo que houve neste caso uma série de erros, na qual não só a auxiliar de enfermagem e cirurgião, mas toda a equipe errou e são responsáveis pelo dano causado a paciente e família.
Quando falamos em toda a equipe, nos referimos à administração do hospital, ao cirurgião, ao anestesista, ao enfermeiro, os auxiliares de sala, enfim todos que se envolveram com o caso. Pensamos que a Instituição deve possuir uma rotina que garanta a segurança para o procedimento cirúrgico dos pacientes. Pelo descrito na reportagem, não foi conversado com a paciente na sua admissão no bloco cirúrgico, os dados da mesma não foram checados por nenhum membro da equipe e os dados do prontuário não foram conferidos? Esses procedimentos na nossa experiência são necessários e preveniriam o erro. É inconcebível que não se proceda desta forma antes de uma cirurgia.
Ressaltamos ainda, o fato de ser uma paciente jovem que iria se submeter a uma cirurgia de esterilização (histerectomia) que provavelmente necessitaria por parte da equipe multidisciplinar uma maior atenção e acolhimento.
Nenhum dos profissionais envolvidos na cirurgia parou para ouvir a paciente quando ela relatou minutos antes da cirurgia que não havia feito a ultrassonagrafia. Isso nos faz refletir sobre a dificuldade que temos de realmente nos comunicarmos com as pessoas. Pois, muitas vezes, elas nos contam fatos importantes e nós profissionais seguimos nossa rotina, independente do que o paciente, nosso cliente, está nos informando. Isto é justificado pela quantidade de atividades dos mesmos e em outros casos pela convicção de que ?sei fazer meu trabalho e não aceito interferências?. O ouvir é necessário, é humano, é ser profissional e ser gente.
Acreditamos que de todos os erros ocorridos, neste caso, o menor tenha sido o nome errado da cirurgia, se é que os erros podem ser quantificados. Pois este profissional normalmente não tem contato prévio com o paciente, na realidade na maior parte das vezes não o conhece. É interessante destacar, que o profissional (auxiliar de enfermagem) que se encontra num patamar inferior numa escala hierárquica, e que, portanto detém menor poder, já foi punido. É importante, também registrar que não estamos eximindo a culpa de quem escreveu errado.
Com relação ao fato do cirurgião dizer que foi induzido ao erro isso é lamentável, talvez seja uma desculpa na ausência de uma real desculpa, pois isso não justifica e nem minimiza o erro.
Um abraço
Grupo da frente (favor colocar seus nomes e fazer as devidas correções)
Isabel Cristina Echer
Isabella