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Terça-feira, Maio 02, 2006
Comentário sobre formação de currículo e a reportagem da Zero Hora
De acordo com os princípios das diretrizes curriculares do MEC, e de como estes realmente se dão na prática, nos diversos cursos e em suas mais diversas formas, nos deparamos com muitos questionamentos e assuntos para reflexão.
Considero interessante, principalmente, a referência sobre a liberdade que há para as universidades criarem seus currículos e a ênfase em que estes estimulem a autonomia e a independência do aluno em seu processo de aprendizado, bem como proporcionem uma preparação para que o futuro profissional possa vir a superar os desafios em seu exercício profissional.
Abre-se aí uma discussão do quanto a teoria se distancia da prática, tanto na formação do currículo, quanto na formação de nosso conhecimento profissional e da realidade com que nos deparamos quando saímos da universidade.
Podemos então discorrer em uma vasta discussão sobre as políticas em que está envolvido o processo de ensino e também sobre as questões de poder que derivam delas e nos afetam direta e indiretamente.
Deparar com essa realidade muitas vezes nos decepciona, como o exemplo do SUS, comentado em aula, onde a realidade do seu funcionamento é muito discrepante de sua "teoria". Em tantas outras situações também nos deparamos com realidades muito diferentes de suas "teorias", que muitas vezes nos acostumamos a não mais nos espantar com tantas coisas que acontecem... e não deveríamos!
No que se refere a formação do currículo e ao processo de aprendizagem na área da saúde,acredito que o que faz a diferença na prática são os aspectos humanos, além do conhecimento e do questionamento crítico sobre as coisas. O papel do professor é de suma importância neste processo, como alguém que instiga a busca do conhecimento, da reflexão e da crítica e que também serve como modelo em sua relação com os alunos. Mas isso, com certeza, exige muito mais da pessoa que está desempenhando este papel. Exige muito de seus recursos internos e de sua abertura enquanto pessoa, da sua responsabilidade de não se ater a mero reprodutor de conhecimentos, teorias, modelos... mas em se comprometer em um processo de aprendizado e crescimento juntamente com aqueles a quem irá passar os seus conhecimentos, para que isto possa, também, se refletir em suas realidades enquanto profissionais.
Em relação a reportagem da Zero Hora, podemos pensar que o excesso de preocupação com os resultados, com as tecnologias e com a otimização dos processos, esteja fazendo com que os aspectos humanos na área da saúde deixem de ser valorizados. Os pacientes, para muitos profissionais, são vistos somente pelo ângulo da sua especialidade, da sua doença e do procedimento a ser realizado. A comunicação entre profissionais e entre estes e seus pacientes torna-se secundária e problemática. Neste aspecto, também podemos pensar na questão do poder que envolve o saber médico, onde muitos profissionais vêem o paciente como alguém realmente passivo a quem não dispõem muito tempo, nem muita atenção. Não se pode desconsiderar as dificuldades que existem em relação a baixa remuneração pelo SUS entre outras mais, mas o que não podemos deixar acontecer é que isso desumanize essas relações.
Cláudia Wachleski
De acordo com os princípios das diretrizes curriculares do MEC, e de como estes realmente se dão na prática, nos diversos cursos e em suas mais diversas formas, nos deparamos com muitos questionamentos e assuntos para reflexão.
Considero interessante, principalmente, a referência sobre a liberdade que há para as universidades criarem seus currículos e a ênfase em que estes estimulem a autonomia e a independência do aluno em seu processo de aprendizado, bem como proporcionem uma preparação para que o futuro profissional possa vir a superar os desafios em seu exercício profissional.
Abre-se aí uma discussão do quanto a teoria se distancia da prática, tanto na formação do currículo, quanto na formação de nosso conhecimento profissional e da realidade com que nos deparamos quando saímos da universidade.
Podemos então discorrer em uma vasta discussão sobre as políticas em que está envolvido o processo de ensino e também sobre as questões de poder que derivam delas e nos afetam direta e indiretamente.
Deparar com essa realidade muitas vezes nos decepciona, como o exemplo do SUS, comentado em aula, onde a realidade do seu funcionamento é muito discrepante de sua "teoria". Em tantas outras situações também nos deparamos com realidades muito diferentes de suas "teorias", que muitas vezes nos acostumamos a não mais nos espantar com tantas coisas que acontecem... e não deveríamos!
No que se refere a formação do currículo e ao processo de aprendizagem na área da saúde,acredito que o que faz a diferença na prática são os aspectos humanos, além do conhecimento e do questionamento crítico sobre as coisas. O papel do professor é de suma importância neste processo, como alguém que instiga a busca do conhecimento, da reflexão e da crítica e que também serve como modelo em sua relação com os alunos. Mas isso, com certeza, exige muito mais da pessoa que está desempenhando este papel. Exige muito de seus recursos internos e de sua abertura enquanto pessoa, da sua responsabilidade de não se ater a mero reprodutor de conhecimentos, teorias, modelos... mas em se comprometer em um processo de aprendizado e crescimento juntamente com aqueles a quem irá passar os seus conhecimentos, para que isto possa, também, se refletir em suas realidades enquanto profissionais.
Em relação a reportagem da Zero Hora, podemos pensar que o excesso de preocupação com os resultados, com as tecnologias e com a otimização dos processos, esteja fazendo com que os aspectos humanos na área da saúde deixem de ser valorizados. Os pacientes, para muitos profissionais, são vistos somente pelo ângulo da sua especialidade, da sua doença e do procedimento a ser realizado. A comunicação entre profissionais e entre estes e seus pacientes torna-se secundária e problemática. Neste aspecto, também podemos pensar na questão do poder que envolve o saber médico, onde muitos profissionais vêem o paciente como alguém realmente passivo a quem não dispõem muito tempo, nem muita atenção. Não se pode desconsiderar as dificuldades que existem em relação a baixa remuneração pelo SUS entre outras mais, mas o que não podemos deixar acontecer é que isso desumanize essas relações.
Cláudia Wachleski
![Prática Educativa é um projeto vinculado ao [zaptlogs] da ZAPT / UFRGS , Porto Alegre, RS, Brasil Prática Educativa é um projeto vinculado ao [zaptlogs] da ZAPT / UFRGS , Porto Alegre, RS, Brasil](http://www.ufrgs.br/tramse/bt/im/zaptlogo.jpg)