.:: Esse blog visa dar continuidade as discussões e reflexões sobre educação em saúde realizadas na disciplina Prática Educativa em Medicina do Programa de Pós-Graduação da FAMED/UFRGS.

Quinta-feira, Maio 25, 2006


Queridos Prof. Manfroi, Prof.a Carmen e Colega Sônia!
A carta da Professora Carmem nos trouxe a reflexão sobre três diferentes abordagens: a lógica do Capitalismo, que faz gerar desigualdade e exclusão, a marginalização como decorrência do sistema em que vivemos e o próprio papel do Professor, enquanto gerador de opinião.
O conflito é algo inerente à sociedade e aos indivíduos. Quando o assunto é relações e relacionamentos, é impossível imaginarmos que não haverão interesses opostos, pois estes fatalmente existirão. No entanto, o conflito é, na verdade, um desafio, o desafio da diversidade, do novo, do diferente.
Não estamos preparados para criar o novo ou, ao menos, oferecemos a escuta, ver o objeto sobre o enfoque do outro. Tentamos impor a nossa visão de mundo, e, assim, acaba por prevalecer a vontade do mais forte perante os interesses do mais fraco, ou seja, vence aquele que possui mais habilidade em vencer num mundo que não sabe conviver com a diferença.
Dentro dessa ótica, forma-se uma sociedade que vive à margem do sistema e que, fatalmente, se organizará de alguma maneira. Assim, testemunhamos situações como a que vivenciamos hoje, nas penitenciárias de diferentes pontos do país, cuja liderança se autodenomina ?PCC?(Primeiro Comando da Capital), cuja organização acabou por transformar suas reivindicações em uma verdadeira guerra civil.
Assistimos a falência de nossas Instituições e de nosso Estado, o que nos leva a refletir: não haveria um outro modo de compor os conflitos? Seria impossível criarmos uma sociedade mais justa e igualitária?
Ora, o ser humano tem necessidade de conviver, de relacionar-se e de organizar-se enquanto grupos. Ao ser excluído, fatalmente, se associará a outros pares, com os mesmos interesses, reunindo todo um arcabouço de valores e sistema de crenças, contituídos dentro das percepções que lhes são características.
Estes grupos, quer desejemos ou não, se farão ouvir, de um modo ou de outro, reclamarão atenção, e, ainda, de forma questionável e quando menos esperarmos.
Isso tudo nos faz refletir, enquanto professores, enquanto indivíduos, enquanto cidadãos, enquanto sujeitos ativos ou passivos de nossa história: que lugar não deveria ser palco de todas estas reivindicações, oriundas dos diferentes atores sociais, senão a Academia? Onde deveríamos discutir todos estes dilemas? Que papel teria o professor senão promotor de tais discussões?
Será que, cada um, ao seu modo, não teria algo a nos ensinar, dentro da sua realidade, da sua percepção e da sua história? Não teria uma contribuição? São muitos os questionamentos, mas, a saída, a longo prazo (como lembrou a colega Juliana, já que temos de pensar em soluções a curto, médio e longo prazo para a violência) não estaria em tentar acolher estes grupos, colocar atenção em suas angústias, ouvir as suas inquietações, valorizar os seus talentos e ampliar as suas percepções?
Aprender com o diferente sempre é melhor do que rechaçá-lo. Compor, conjuntamente, novas alternativas faz estabelecer novos laços, e, assim, faz emergir o engajamento e a aliança com um fim em comum.
Claro, não temos as respostas, pois estas deverão ser construídas frente a cada situação. No entanto, o papel do professor consiste, justamente, em trazer à reflexão diferentes assuntos, demonstrar os intrumentos, estimular a ousadia e fazer acreditar que o final pode ser surpreendente!
Que venham os desafios, não nos furtemos a eles! Mas, estejamos atentos aos diferentes pontos de vista, pois todos estes podem ser importantes na contrução de uma sociedade mais justa e igualitária.
componentes do Grupo - Aline, Bianca, Claudia, Juliana, Renata