.:: Esse blog visa dar continuidade as discussões e reflexões sobre educação em saúde realizadas na disciplina Prática Educativa em Medicina do Programa de Pós-Graduação da FAMED/UFRGS.

Segunda-feira, Outubro 02, 2006


29 de setembro de 2006.
Suzi Roseli Kerber

Mestranda em Psiquiatria

Relato de Duas Experiências de Prática de Ensino

Eu estava fazendo a minha cadeira de prática de ensino com alunos do segundo semestre do curso de medicina, e a disciplina se chamava Desenvolvimento Normal da Criança e do Adolescente. O assunto da aula era ? O Latente?, ou seja, a criança entre 6 e 10 anos aproximadamente.
Quando entrei na sala de aula encontrava-se um senhor de oitenta anos que estava aguardando uma palestra sobre?coluna? e estava no local errado.
Ele perguntou o que faríamos ali e expliquei que tratava-se de uma aula para futuros médicos. Ele achou muito interessante e me pediu para assistir. Fiquei me perguntando se isto era correto mas concordei. Os alunos foram chegando e eu apresentava o nosso ouvinte. Alguns alunos prepararam o assunto e começaram a perguntar para o senhor como era a educação das crianças naquela época. Ele vinha de uma família de oito filhos, era o irmão mais velho, ficou órfão muito cedo e precisou ajudar a mãe a criar os irmãos. Nos contou como foi severa a educação das crianças e como apanhavam da professora quando faziam algo errado. Também nos contou como foi mais branda a educação dada ao seu único filho. Era visível o prazer que todos estávamos sentindo com aquela aula e sempre me recordo dela com muita satisfação.
Na próxima semana ele foi o primeiro a chegar e novamente me pediu permissão para assistir a aula. Neste dia abordamos algo sobre sexualidade e ele nos falou que ?em seu tempo nada disto existia, que criança era criança e não tinha nada destas coisas de sexo?. Meu aluno-professor não veio mais, mas suas lições permaneceram conosco durante todo aquele semestre.
A minha segunda experiência não foi agradável. Havia um aluno matriculado na disciplina que comparecia muito eventualmente e então reprovaria por falta. Várias vezes solicitei a seus colegas que viesse conversar porque gostaria de saber a razão pela qual faltava tanto. Fez todos os trabalhos, compareceu na prova final, mas não veio conversar comigo. Precisei reprová-lo por suas faltas e achei que então se manifestaria.Continuei sem saber o que ocorria com ele. A experiência foi muito desagradável para mim.