.:: Esse blog visa dar continuidade as discussões e reflexões sobre educação em saúde realizadas na disciplina Prática Educativa em Medicina do Programa de Pós-Graduação da FAMED/UFRGS.

Terça-feira, Outubro 03, 2006


Texto Paulo Freire
O texto de Paulo Freire abrange a necessidade do educador de ver o aluno como ser ?inconcluso? porém autônomo, devendo o primeiro invariavelmente respeitar o segundo, independentemente de suas qualidades ou defeitos, facilidades ou dificuldades vivenciadas no trabalho educativo diário. Segundo o autor, é justamente esta situação de ?inacabamento? do educando (e por que não também do educador?) que o torna digno de respeito, fazendo com que o educador tenha atitudes plenamente éticas, respeitando sua individualidade e autonomia. Essa autonomia diz respeito basicamente ao modo de ser do aluno, seja este mais curioso, mais rebelde, mais inquieto, mais pobre, mais ignorante, nunca devendo o professor se fazer valer de sua (suposta) superioridade intelectual para ser autoritário, preconceituoso, irônico ou segregador. Por outro lado, o professor que apenas ensina sem cumprir seu dever de também educar, propor limites à liberdade do aluno, estimular seu pensamento crítico e sua independência, também age de forma errada, de acordo com o autor.
Há, assim, a necessidade de uma relação dialógica entre educadores e educandos, para que ambas as partes interajam, ensinem e aprendam, troquem experiências, tendo noção de suas diferenças mas nunca as discriminando, e sim respeitando a autonomia e a identidade do de cada um.
Em relação à tecnologia, é imperioso, atualmente, reconhecer que esta vem progressivamente se tornando parte inerente do processo de ensino e aprendizado, e que, na medida do possível, tanto educadores como educandos devem ser orientados adequadamente a utilizarem-se deste tipo de ferramenta para aperfeiçoar conhecimentos, buscar novas fontes de dados, interagir virtualmente e trocar experiências com educandos e educadores de outras partes do mundo. Mas não devem estas novas ferramentas tecnológicas, no entanto, substituir a verdadeira relação professor-aluno, que não se restringe apenas a blogs, internet e palavras digitadas em um computador, mas também a uma relação pessoal bastante mais aprofundada e necessária para o verdadeiro aprendizado.
Luciana Friedrich