.:: Esse blog visa dar continuidade as discussões e reflexões sobre educação em saúde realizadas na disciplina Prática Educativa em Medicina do Programa de Pós-Graduação da FAMED/UFRGS.

Terça-feira, Outubro 03, 2006


Trabalho Educativo, Tecnologia e Autonomia

Para uma formação de professores adequada as necessidades atuais, é fundamental a todo o processo de reforma educativa, dada a transição tecnológica que vem ocorrendo nos últimos tempos. Desenvolver no professor a capacidade de manipular os novos materiais tecnológicos enquanto ferramentas de aprendizagem e de ajudar os alunos a desenvolver a sua autonomia. Os educandos atualmente provêem de uma sociedade multicultural com uma diversidade de famílias, culturas, raças, línguas, níveis sociais e econômicos.
Como aspecto principal de sua abordagem pedagógica, constata-se que "formar" é muito mais que treinar o educando no desempenho de suas tarefas. Orientar não se esgota no tratamento do objeto ou do conteúdo, todavia se alonga à produção de condições em que aprender criticamente é possível, exigindo a presença de educadores e educandos criativos, investigadores e inquietos, rigorosamente curiosos, humildes e persistentes. Nas condições de verdadeira aprendizagem os educandos e educadores vão se transformando em reais sujeitos da construção e reconstrução do saber.
O uso da tecnologia reflete uma nova forma de aprendizagem por meio da interação multimídia e da comunicação entre pessoas. Especificamente, com esta segunda, a partir do advento da Internet, expande-se o processo educativo para além dos muros das escolas e das universidades com a modalidade de ensino a distância.
As instituições e os professores precisam respeitar os saberes dos educandos e sempre que possível, trabalhar seu conhecimento, sua experiência. O professor que desrespeita a curiosidade do educando, seu gosto estético, sua linguagem, sua sintaxe e prosódia; o professor que ironiza o aluno, que o minimiza entre outras ofensas em prol da ordem em sala de aula, transgride os princípios fundamentais éticos de nossa existência e esta transgressão jamais poderá ser vista ou entendida como virtude, mas como ruptura com a decência.
As orientações que determinam as práticas educacionais deveriam propiciar ao professor a reconstituição de seu lugar: o lugar de educador/orietador que, ao promover educação também se educa. Quem sabe assim chega-se àquele ideal de educação, há tanto tempo buscado: educar para a autonomia, para lidar com o conhecimento e para saber resolver problemas hoje e para saber resolvê-los amanhã.
Segundo Paulo Freire, não é esta ou aquela ferramenta que vai criar um novo tipo de educação. Ele insiste numa idéia muito mais difícil de realizar: a de que somente a transformação nas relações de poder entre quem "ensina" e quem "aprende" será possível criar uma interatividade autêntica.
Regina Kuhmmer