.:: Esse blog visa dar continuidade as discussões e reflexões sobre educação em saúde realizadas na disciplina Prática Educativa em Medicina do Programa de Pós-Graduação da FAMED/UFRGS.

Sábado, Setembro 30, 2006


Experiência docente
Com a bola em baixo do braço

Ao seu andar cadenciado, a bola de basquete em baixo do braço, uma descontração elegante e um olhar acolhedor. Assim era o professor que desde o primeiro dia de aula, fez a diferença.

A disciplina era basquete, mas os conteúdos de aula não foram somente os gestos ou quais as regras do esporte. Aliás, minto (!), na verdade os conteúdos não foram muito além disto realmente, mas conseguiram ser "boas lições".

Não sei qual o segredo do velho, mas suspeito de que sua artimanha educacional é o jeito com que se aproxima dos alunos, com que olha para o que acontece no ginásio (que é se ambiente de aula). Parece que incessantemente se preocupa que devemos levar da aula alguma pra nossa prática profissional ou vida pessoal, mas temos que levar. E mesmo com muito tato e hábito de dar aula (literalmente, via-se que "estava em casa"), fazia questão de mostrar erros dele próprio - e, pra mim, isso foram os melhores exemplos de como educar.

Daniel Umpierre

Sexta-feira, Setembro 29, 2006


Trabalho Educativo, Tecnologia, Autonomia.

Lendo o texto de Paulo Freire me dei por conta que ele está diretamente relacionado com o assunto da última tarefa que são as relações aluno/ professor. O texto fala da ética que o professor tem que ter ao lidar com seu aluno respeitando sua autonomia e dignidade. O trabalho educativo se baseia na relação professor/aluno, na qual deve ser formada através de trocas que construirão o aprendizado.
A tecnologia é uma nova ferramenta a ser usada no trabalho educativo com intuito de enriquece-lo, mas ela deve ser empregada da maneira correta para que não influencie na autonomia do educando ou anule o relacionamento entre o educador e o aluno.

Vanessa Chiaradia



O desestimulo virou estimulo

Sempre fui uma aluna estudiosa, quando estava na sétima série do primeiro grau nunca tinha ficado em recuperação. Na escola onde estudava quando chegava o último bimestre do ano os professores chamavam os alunos que estavam a perigo de ficar em recuperação para uma conversa, naquele ano pela primeira vez fui chamada para tal conversa pelo professor de Português, matéria que nos anos anteriores me saia muito bem, mas com este professor que não se mostrava muito amigável comigo meu rendimento caiu muito, não me sentia estimulava a estudar, nem freqüentar suas aulas. No dia da reunião ele me disse com muita arrogância que eu teria que tirar 8,5 no último bimestre para passar por média e que isso seria impossível, pois eu não sabia nada da matéria porque conversava muito em aula. Ser chamada para aquela conversa pela primeira vez já não foi muito fácil, quando ouvi aquelas palavras duras do professor me senti muito angustiada, pois não queria ficar em recuperação e passar o inicio das minhas férias freqüentando aulas, ainda por cima com aquele professor. Até hoje não sei qual foi a sua intenção, mas apesar de suas colocações rudes, que me fizeram por um momento pensar que não seria capaz de conseguir, resolvi provar para ele e para mim que eu poderia passar por média. Estudei muito e tirei 9,0 na prova final. A ação do professor me provocou uma reação de luta para alcançar meus objetivos, mas não acho que essa é a melhor maneira de se estimular um aluno. De repente eu poderia ter tido outra reação, acreditar que não seria capaz de superar minhas notas anteriores e aceitar a derrota que o professor já havia me imposto.

Vanessa Chiaradia.



Trabalho Educativo, Autonomia, Tecnologia
O texto de Paulo Freire ressalta a necessidade de uma reflexão sobre um trabalho educativo crítico e construtivo, um constante exercício em favor do desenvolvimento da autonomia. Analisa e educação como forma de construir a autonomia de ser dos educandos, respeitando/valorizando seus conhecimentos, seu histórico particular (individualidade). Nesse contexto, o educador deve estar aberto aos novos conhecimentos (que devem ser construídos em conjunto, de forma aberta e interativa) e às novas técnicas (tecnologia), admitir-se inacabado e aprender, sem esquecer do sentido humano.
Laura J. dos Santos


Sonia
Obrigada por postar os meus textos.
Até a próxima quarta!
Carolina Frank Schlindwein


A questão respeito pelo ser aluno e à sua autonomia é colocada como um imperativo ético para a prática educativa. Pensando nisso por mais de dois dias, me dou conta que muito raramente vivenciei este tipo de respeito na minha vida como eterna aluna. Não porque tive só ?maus mestres?, mas porque acho difícil, dificílimo ensinar sem transgredir nessa questão. Os alunos em geral são muitos e singulares nas suas características e necessidades. O professor é um só, com a tarefa imensa de sintonizar com cada um em particular e com o todo da classe, na difícil arte de compartilhar saberes, instigar, nos fazer curiosos, pensantes e interessados. O trabalho educativo então se transforma numa prática de reflexão constante, onde o professor ?lê? os sinais que vem da classe como um todo, de cada um em particular e de si mesmo, e daí vai formatando e reformatando seu ensinar. Isso requer um enorme auto-conhecimento e domínio técnico da arte de ensinar.
Bom, para complicar um pouco mais as coisas agora me vejo tendo aula à distância, tendo que lidar com programas de computador, postar em blogs que não consigo fazer funcionar.....Isso me instiga e me inquieta, pois refleti que se eu fosse uma criatura totalmente avessa à tecnologia, ou talvez sem acesso a ela, estaria em maus lençóis. Por outro lado, o fato de estar em casa, de pantufas, ouvindo uma música agradável enquanto faço a minha tarefa, no meu ritmo, escrevendo e reescrevendo, me proporciona uma liberdade incrível. Liberdade de pensar, e ao mesmo tempo me sentir conectada comigo mesma e com a turma, e com o tema proposto para hoje. Liberdade e autonomia, pois estou cá com meus pensamentos, sem interferências que eu não possa controlar, sem colegas a me observar, sem maior preocupação que não seja dar sentido ao texto proposto e aos meus sentimentos. Pensando bem, a tecnologia, quando for de acesso universal, pode facilitar muito e em vários níveis a tarefa de ensinar-aprender. Mas eu não prescindiria jamais de aulas/encontros presenciais com o professor. A figura do mestre, seu modo de falar, seus gestos, seu ser inteiro fazem parte da minha experiência de aprender e do que fica apreendido na minha memória. Cada conteúdo está lá, nos meus arquivos mentais, indelevelmente conectados à alguma característica de quem o transmitiu. Assim como agora meu imaginário está povoado de lembranças dos colegas, da professora Carmen, da Sônia, da turma sentada em círculo na sala 401. Essa experiência pela qual passo agora também terá a sua marca própria, sua trilha sonora, seu ?clima?.
Finalizando, percebo que aluno E professor são seres inacabados e autônomos, em processo constante de aprender a apreender, assim mesmo, com dois Es. Se apreendemos o outro, se o percebemos como ser único e particular, abrimos as portas para um relacionamento de respeito e de mútuo aprendizado. Esse aprendizado, povoado de dificuldades, ocorre necessariamente em duas vias, de aluno para professor e de professor para aluno. É sobre esta base que o conteúdo, até aqui esquecido por mim, terá as melhores chances de vingar.
Gabriela Baldisserotto


Experiências na escola

Lembro de uma professora de História que tivemos na 5ª série do Colégio Nossa Senhora do Rosário, colégio tradicional de Porto Alegre, naquela época acho que era considerado um dos melhores da cidade.
Ela despertava uma antipatia em toda a classe, nunca sorria. Suas aulas eram sempre iguais e monótonas. Sentada na ponta da mesa e com as pernas cruzadas:
?Turma, abram o livro texto na página 14. Capítulo 2. Peguem o lápis e a régua e sublinhem todo o primeiro parágrafo. Agora passem para o terceiro parágrafo e sublinhem as duas primeiras frases. Terminaram? Então sublinhem todo o quarto parágrafo....?
Quando terminava a sessão dita-sublinha, a professora se dirigia ao quadro negro e escrevia um questionário, o qual copiávamos nos nossos cadernos e seria o nosso tema de casa. Não surpreendentemente, as respostas do questionário já estavam sublinhadas no livro texto...
Uma lástima! Ainda bem que na seqüência tive ótimos professores e essa experiência ruim não diminuiu o meu interesse por História nem pelo estudo em geral.
E crianças não devem ser subestimadas. Pelo contrário, devem ser estimuladas a exercitar o raciocínio e o julgamento crítico. Desde cedo. Não apenas decorar o que está sublinhado no livro texto!
Carolina Frank Schlindwein


Ensinar exige respeito à autonomia do ser humano

Ir à escola é uma etapa muito importante para o desenvolvimento de uma criança, não apenas pelo aprendizado e aquisição de novas habilidades, mas também pela convivência com outras pessoas, crianças e adultos, fora do ambiente familiar. Essa convivência envolve o reconhecimento e o respeito pelas diferenças do outro. O professor é a figura chave nesse processo, por servir de exemplo para seus alunos. Nada mais lógico, então, que uma qualidade fundamental do professor seja, justamente, aceitar as diferenças entre os alunos.
Cada aluno é peculiar, tem o seu ritmo, dificuldades e facilidades. Cada um traz para a sala de aula experiências familiares e valores diferentes.
Atualmente, com o amplo acesso às informações e novas tecnologias, as aulas não podem mais ter aquele antigo formato, centrada na figura do professor e com os alunos em posição passiva. Muito mais importante é estimular no aluno a busca constante pelo conhecimento, o julgamento crítico da informação recebida e o raciocínio. Assim como a família, a escola deveria preparar o aluno para a vida futura e isso tem um sentido muito mais amplo do que seguir uma programação de conteúdos.

Carolina Frank Schlindwein
PPG Pediatria
26/09/2006

Quarta-feira, Setembro 27, 2006


Relação aluno-professor
Uma recordação do relacionamento aluno-professor que sempre me lembro da época da faculdade era um comentário que certo professor sempre fazia ao ser questionado "papel aceita qualquer coisa", claro que não podemos acreditar cegamente em qualquer literatura, devemos ter visão critica e pensar antes de aceitar algo como verdade, mas a forma repetitiva e muitas vezes o medo de afirmar que desconhecia tal assunto fez com que tal argmentação perdesse o sentido, e fosse uma defesa do professor quanto aos novos conhecimentos, os quais poderiam enriquecer a relação aluno-professor.
Outra recordação refere-se a outro professor que felizmente não percebia os alunos como pessoas sem conhecimento a acrescentar ao grupo, mas como membros ativos na geração de idéias e pensamentos, ensinando e aprendendo com os mesmos. Com este professor aprendi e ainda aprendo muito.
Maikel L Colli


Autonomia, Tecnologia e Trabalho Educativo
A tecnologia vem sendo cada vez mais empregada no trabalho educativo, especialmente através de softwares. Considerando o texto de Paulo Freire e suas idéias sobre respeito a autonomia do educando, conclui-se que o mau emprego da tecnologia pode resultar em uma forma de desrrespeito. A utilização, em horário de aula, de softwares que contém unicamente questões objetivas é um exemplo. Todo e qualquer aluno pode somente fazer a mesma coisa: clicar sobre a alternativa que julga ser a resposta correta. E o computador fará só duas coisas: apontará uma nota e a resposta certa das questões que o aluno errou. Não há espaço para a criatividade do aluno e a interação com o professor poderia ter sido bem mais rica do que aquela proporcionada pelo computador. Contudo, é possível que se empregue outras ferramentas tecnológicas que proporcionam um ganho de criatividade e interação, como os softwares que possibilitam a construção de mapas conceituais (para o estudo de rotas bioquímicas ou diagnósticos clínicos, por exemplo). Nestes programas, os alunos criam seus próprios trabalhos e os mecanismos de interação com o computador e os professores são amplos.
Antônio Burlamaque


Lembranças de uma breve vivência docente
Minha mãe é professora. Não é médica, é professora de literatura do 3º ano do segundo grau (é assim que eu chamo até hoje). Eu sempre tive uma queda pela atividade docente, brincava de professora com minhas bonecas e amigas de infância; mais tarde, dava aulas particulares de inglês e de qualquer outra matéria da escola que alguém estivesse precisando. Minha mãe dizia "Pelamordedeus, guria, professora não, vai fazer alguma coisa mais valorizada!!!!"
Aí fui fazer medicina. Fiz mestrado logo em seguida da residência, já engatei o doutorado porque a minha intenção sempre foi, além da assistência aos meus queridos pequenos pacientes, "transmitir" o que eu sei adiante, formar novos profissionais, aprender com a experiência, tudo isso...
Em dezembro de 2004 encontrei uma ex-colega de colégio que é psicóloga, e que dava aula de ética numa pequena e nova faculdade de Tecnologia em Radiologia. Ela me disse que estavam precisando de um médico pra dar aula de anatomia pros primeiros semestres. Lá fui eu empolgada, deixei currículo, fiz entrevista e fui selecionada. Quando me vi, estava estudando anatomia, fisiologia e histologia de novo, mais de 10 anos depois, até CD de figuras de atlas de anatomia comprei para montar as aulas.
A experiência foi fascinante. Eram 2 turmas, 1 pela manhã e outra à noite, 2 vezes por semana, aquelas criaturas ávidas por aprender mas ao mesmo tempo ainda com resquícios de escola dizendo "Profe (adorava ouvir isso!), é muita matéria!!" ou "Sôra, o que cai na prova?", entre outros comentários... Os períodos pareciam pequenos, de tanto que eu escutava perguntas por todos os lados, não só do conteúdo, mas também da minha vivência como médica, queriam visitar o instituto de anatomia ver os cadáveres, o IML...
E aí eu dizia pra minha mãe "Viu, mãe, eu disse que ia ser professora...", e trocávamos experiências em relação ao preparo de aulas, métodos de avaliação, postura em sala de aula, etc.
Fascinante, sim, mas um pouco aterrorizante se eu pensasse na responsabilidade que pesava sobre minha cabeça... a formação inicial da carreira profissional deles estava, de certa forma, nas minhas mãos... e se eles desistissem da faculdade porque não gostaram das aulas de anatomia? E se o conteúdo fosse muito pesado para eles? E se minhas avaliações não estavam bem feitas, coerentes? E se eu estivesse sendo injusta com alguém? E se as aulas ficassem monótonas? E se eu tiver que reprovar alguém? Eu deveria ter uma postura mais formal ou poderia ser também amiga dos alunos? Afinal de contas, muitos tinham idade próximas à minha, ficava bastante estranho ver alguns me chamando de "senhora"...
E foram dias e noites preparando aulas, trabalhos e provas, e depois corrigindo tudo isto...dias e noites inventando métodos menos monótonos de ensinar anatomia... e trazendo materiais interessantes tirados de jornais e revistas para renovar sempre o interesse da turma sobre o assunto...
No final do semestre havia uma avaliação geral de todos os aspectos do curso, entre eles, avaliação dos professores pelos alunos, um a um. E a minha surpresa não poderia ter sido melhor. Os professores recebiam por escrito as avaliações, e fiquei extremamente gratificada por ver a quantidade de elogios destinados ao meu modo de ensinar, à minha didática e ao relacionamento interpessoal com todas as turmas. Até a diretora mandou me chamar pra me cumprimentar, teve pedidos para que eu seguisse com a turma para o semestre seguinte, alguns até se colocaram como meus fãs no Orkut...
A sensação de gratificação pelo trabalho que fiz foi inexplicável, e quando tive que pedir demissão após 12 meses de trabalho devido à incompatibilidade de horários e a necessidade de ter mais tempo para terminar meu doutorado, até chorei na frente da orientadora educacional, teve festinha de despedida e um convite da diretora de voltar após o término do doutorado, que as portas iriam estar abertas.
Espero que tenha sido a primeira experiência de algumas que ainda estejam por vir.
E a primeira sensação diferente de missão cumprida ao terminar o ano.
Luciana Friedrich

Terça-feira, Setembro 26, 2006


Acabei me antecipando!Bem, não sei se entendi bem o pedido do enunciado, mas vamos ao que pensei sobre o que li
Meu inicio é o final do texto: ?Saber que devo respeito à autonomia e á identidade do educando exige de mim uma prática em tudo coerente com este saber?. ?Em tudo coerente com este saber? significa para mim algo que transpõe a sala de aula, significa poder viver em tudo o que faço com estes princípios: respeito a autonomia e identidade do outro. Isto tudo exige, na verdade a aceitação do que o autor chama de inconcluso e respeito às diferenças. O trabalho educativo se dá na vivência diária e certamente vai além dos portões da escola. Mas, se tratando de trabalho educativo escolar penso que uma das maiores dificuldades se dá em encontrar o ?meio termo? que dê autonomia sem abandonar e se eximir de responsabilidades. Acredito que seja um trabalho árduo de conquista diária. Diz o autor que o respeito à autonomia e a dignidade de cada um é um imperativo ético. Ética é algo que precisa em primeiro lugar ?ser vivido? para poder, se é que posso dizer assim: ? ser transmitido?. Bem, talvez seja esta a ?mais alta tecnologia em termos de educação?! Simone Isabel jung


Duas Lembranças do Colégio
Quando eu estava na oitava série, um colega me fez uma provocação. Ao responder, falei um palavrão que foi ouvido pela nossa professora de matemática e coordenadora da turma. Fui expulso e achei justo, saí sem contestar. Alguns dias depois, uma colega xingou outra com palavrões em tom de voz tão alto que chamou a atenção da turma inteira. Desta vez, a professora não tomou atitude alguma, o que me forçou a questionar a diferença de tratamentos. Fui expulso de novo, nesta ocasião, sob a alegação de que eu não era alguém que pode a questionar. Procurei a diretora do primeiro grau e relatei os acontecimentos. No dia seguinte, minha professora veio conversar comigo e disse não ter escutado a colega. Respondi que toda a turma tinha ouvido e que ela se exaltou demais quando a questionei. Ela desconversou e não pediu desculpas.
Já esta outra lembrança é bem curiosa. Nosso professor de francês da sétima série falou para cada um fazer uma cola e levar no dia da sua prova. Ao distribuir as provas, pediu para ver as colas. Deparou-se com pequenos pedaços de papel contendo as coisas mais chatas de lembrar e teve um ataque:
- Só isso?! Eu quero colas com toda a matéria!
Foi o que passamos a preparar para as provas seguintes.
Antônio Burlamaque


Recordações orientador - aluno
Recordo-me bem do meu trabalho de conclusão de curso (TCC) da faculdade, o qual foi minha primeira experiência em trabalho científico.
Houve algumas dificuldades entre orientador e aluno, que atualmente são recordadas com estima e entusiasmo. Lembro que na coleta de dados meu orientador foi extremamente participativo e dedicado com sugestões e críticas que muito me acrescentaram. Porém no desenvolver do artigo, não concordávamos com as idéias expostas, mas conseguimos concluir. Após tinhamos que entregar conforme as normas solicitadas, eu conhecia uma e o orientador outra, e aí qual escolher? Bom, devo confessar que ele era rígido e persistente com suas colocações, que acabaram prejudicando o bom relacionamento. Independente disso, tinha um prazo para entregar que já se esgotava, acabei organizando conforme as normas que eu conhecia e assim entreguei o trabalho.
Até o dia da apresentação não entrei mais em contato com meu orientador, mas ele estava presente na apresentação oral, e é claro que estava muito nervosa, mas acabou tudo certo.
Recebi naquele dia apenas um parabéns. Após dois anos encontrei novamente meu ex-orientador e conversamos muito, lembramos inclusive do TCC e da maneira como abordamos tal situação, e é claro cada um com suas idéais e defesas.
O que acho de ponto negativo nesse ocorrido é que a relação professor-aluno não foi respeitada, prejudicando a execução do trabalho, mas com certeza houve um crescimento pessoal que acrescentou inclusive para o desenvolvimento profissional.
Patrícia Xavier Hommerding


Lembranças em práticas educativas
Lembrança positiva:
Na 3ª série do 1º grau, tenho ótimas lembranças do respeito da professora com qualquer tipo de dificuldade dos alunos. Tinhamos um colega cego e esta professora fez com que toda a turma convivesse com essa dificuldade de forma muito natural. Cada matéria escrita no quadro era lida por algum dos colegas, para este colega escrever em braile em seu caderno, os alunos candidatavam-se para descer no recreio com o colega, entre outras situações. Tenho contato até hoje com ele e, hoje em dia ele é formado em informática e recentemente falamos sobre essa época.
Lembrança negativa:
Ser obrigada a responder perguntas sorteadas em prova oral de história na frente de todos os colegas de 6ª série, onde quem não soubesse ia perdendo pontos e sentia-se completamente mal. O pânico era geral e as pessoas da aula decoravam tudo para o momento, onde, minutos após a matéria saía totalmente da memória. Essa e outras experiências de ser obrigada a falar mesmo sem ter algo enriquecedor, fazem com que até hoje eu não goste muito de alguns tipos de seminários.
Simone Capsi Pires


souvenirs
Quando sou inquerido a lembrar de minhas experiências como aluno, vêm-me lembranças da minha professora de primeira série do Fundamental, Irmã Anastácia, com seu jeito alegre, paciencioso, olhar meigo e carinhoso, que respeitava a autonomia de cada um bem como respondia com autoridade, fazendo-se respeitar e respeitando aqueles pequeninos que nada sabiam ainda da vida das letras e números, da história, e até de educação. Constrastava com a amarga experiência com a braba irmã do pré, que puxava as orelhas e dava castigos cruéis às crianças que 'se comportassem mal'. Tenho dificuldade de lembrar o nome da irmã do pré, porém jamais esquecerei a da primeira série, tampouco as historinhas para aprendermos as letras do alfabeto.
No ensino médio, amarga experiência com professor de matemática, no qual ganhei o primeiro zero da minha vida numa prova em que fui acusado de dar cola. Paradoxalmente, um dos melhores professores que tive foi o primeiro de Química, no primeiro ano. Comecei a disciplina tirando zero e cinco, mas as aulas eram tão vibrantes que dei a volta por cima, conseguindo passar com boa média.
Penso que a empatia do professor seja requisito fundamental, assim como fazer muito bem aquilo que leciona, respeitando, aprendendo com cada aluno como fazer para terem a mesma sintonia. Na faculdade e mestrado, mais calejados pela vida, temos mais pré-conceitos que muitas vezes atrapalham o entendimento prof-aluno. Há a tendência de buscar antigos e bem-sucedidos modelos como 'ideiais' ou vem a surpresa, boa ou não.
Carlos Daniel Jaeger

Domingo, Setembro 24, 2006


Lembrança de uma Vivência Educativa
Foi durante o meu segundo ano de residência médica em psiquiatria. Tínhamos reuniões semanais de cerca de uma hora com um professor que me lembrava muito meu avô, pela idade certamente, mas também pela maneira de falar, de ouvir, de transmitir seus conhecimentos (que eram muitos!). Tivemos estes encontros durante um ano, sendo que no primeiro semestre o professor entrevistava um paciente e nós (8 alunos) assistíamos. Depois havia uma discussão sobre a entrevista. No segundo semestre cada um de nós entrevistava um paciente e os demais, juntamente com o professor, assistiam. Depois havia a discussão, sugestões, comentários sobre a forma e conteúdo. Ficávamos ansiosos e apreensivos antes de cada seminário e, pelo que me lembro, ninguém nunca faltou a estas reuniões. Foi uma grande vivência educativa!
Christiane Ribas Garcia


ATENÇÃO AULA À DISTÂNCIA
Caros Alunos
A aula do dia 27 de setembro será à distância. Não nos encontraremos na sala 401. Trabalharemos no Blog: www.ufrgs.br/tramse/med. A atividade a ser realizada pela turma é:

1) Lê o texto abaixo do livro Pedagogia da Autonomia: saberes necessários à prática educativa de Paulo Freire (p.59-61). Referência completa esta no programa da disciplina

2) Redige um texto problematizando a leitura , relacionando com os conceitos abaixo e poste no blog:

Trabalho Educativo

Tecnologia

Autonomia

3) Posta este texto no blog.

4) Comenta a postagem do colega que aparece imediatamente antes da tua.


Ensinar exige respeito à autonomia do ser do educando
Outro saber necessário à prática educativa, e que se funda na mesma raiz que acabo de discutir ? a da inconclusão do ser que se sabe inconcluso -, é o que fala do respeito devido à autonomia do ser do educando. Do educando criança, jovem ou adulto. Como educador, devo estar constantemente advertido com relação a este respeito que implica igualmente o que devo ter por mim mesmo. Não faz mal repetir a afirmação várias vezes feita neste texto ? o inacabamento de que nos tornamos conscientes nos fez seres éticos. O respeito á autonomia e à dignidade de cada um é um imperativo ético e não um favor que podemos ou não conceder uns aos outros. Precisamente porque éticos podemos desrespeitar a rigorosidade da ética e resvalar para a sua negação senão a de transgressão. O professor que desrespeita a curiosidade do educando, o seu gosto estético, a sua inquietude, a sua linguagem, mais precisamente, a sua sintaxe e a sua prosódia; o professor que ironiza o aluno, que o minimiza, que manda que ?ele se ponha em seu lugar? ao mais tênue sinal de sua rebeldia legítima, tanto quanto o professor que se exime do cumprimento de seu dever de propor limites á liberdade do aluno, que se furta ao dever de ensinar, de estar respeitosamente presente à experiência formadora do educando, transgride os princípios fundamentalmente ético de nossa existência. É neste sentido que o professor autoritário, que por isso mesmo afoga a liberdade do educando, amesquinhando o seu direito de estar sendo curioso e inquieto, tanto o professor licencioso rompe com a radical idade do ser humano ? a de sua inconclusão assumida em que se enraíza a eticidade. É nesse sentido também que a dialogicidade verdadeira, em que os sujeitos dialógicos aprendem e crescem na diferença, sobretudo, no respeito a ela, é a forma de estar sendo coerentemente exigida por seres que, inacabados, assumindo-se como tais, se tornam radicalmente éticos. É preciso deixar claro que a transgressão da eticidade jamais pode ser vista ou entendida como virtude, mas como ruptura com a decência. O que quero dizer é o seguinte; que alguém se torne machista, racista, classista, sei lá o quê, mas se assuma como transgressor da natureza humana. Não me venha com justificativas genéticas, sociológicas ou históricas ou filosóficas para explicar a superioridade da branquitude sobre a negritude, dos homens sobre as mulheres, dos patrões sobre os empregados. Qualquer discriminação é imoral e lutar contra ela é um dever por mais que se reconheça a força dos condicionantes a enfrentar. A boniteza de ser gente se acha, entre outras coisas, nessa possibilidade e nesse dever de brigar. Saber que devo respeito à autonomia e á identidade do educando exige de mim uma prática em tudo coerente com este saber.
Abraço, Sônia, Carmen e Manfroi


Vivência Educativa
Quando iniciei o Mestrado, tive uma experiência muito positiva na disciplina Bioética II, ministrada pela (hoje) colega Marcia Raymundo. Eram aulas expositivas dialogadas sobre diretrizes, normas, ética aplicada à pesquisa em saúde; comitês de ética; consentimento informado...enfim aspectos éticos envolvidos na pesquisa em saúde com muitos exemplos práticos aliados à conceitos teóricos muito bem embasados e muita discussão. Eu sentava para a aula e esquecia de todo o resto, era uma "Viagem à Bioética"... Foi uma disciplina muito enriquecedora, que me provocou o interesse pelo assunto!
Laura J. dos Santos

Quarta-feira, Setembro 20, 2006


Comentário sobre a última aula
Fui para esta aula com a expectativa que faríamos o fechamento sobre o tema "currículo". Como não chegamos a isso quero deixar o registro do que fiquei pensando. Quando falamos sobre currículo passamos de uma definição estrita de currículo, ou seja, meramente conteúdo programático, para uma definição ampla de currículo que pareceu abranger tudo. Fiquei sentindo falta de uma definição mais clara de currículo!
Simone Isabel Jung


Comentário sobre a última aula
Fui para esta aula com a expectativa que faríamos o fechamento sobre o tema "currículo". Como não chegamos a isso quero deixar o registro do que fiquei pensando. Quando falamos sobre currículo passamos de uma definição estrita de currículo, ou seja, meramente conteúdo programático, para uma definição ampla de currículo que pareceu abranger tudo. Fiquei sentindo falta de uma definição mais clara de currículo!
Simone Isabel Jung


Memórias da 1ª série
Lembro muito bem de meu primeiro dia de aula na 1ª série do 1º grau (hoje ensino fundamental). Que saudades da professora Jussara! Hoje ainda a encontro pela cidade. Lembro sua maneira afetiva de lidar com todos em sala de aula e de como valorizava as nossas produções. Recordo que naquele primeiro dia de aula foi nos dado alguns desenhos para pintar. Pintei uma vaquinha de verde e a professora Jussara fez muitos elogios. Cheguei em casa muito orgulhosa da minha vaquinha verde, afinal em meu primeiro dia de aula havia ganho tantos elogios. Estava muito feliz! Encontrei na minha casa um familiar que disse: mas vaca não é verde! Até hoje lembro-me muito bem dos dois sentimentos desta minha primeira experiência na 1ª série: sentimento de potência e capacidade e logo em seguida de grande incapacidade. Até hoje penso na importância das palavras da professora Jussara. Palavras que certamente auxiliaram para que eu pudesse dar menor valor as palavras do meu familiar e seguisse em frente.
Simone Isabel Jung

Domingo, Setembro 17, 2006


Relação professor -aluno traumática
Minha experiência traumática na relação professor-aluno aconteceu durante a faculdade de biologia, na primeira disciplina de Ecologia. Como aluna, esperava ansiosamente para iniciar a séria de disciplinas de ecologia, área pela qual nutria grande interesse. No início do semestre da tão esperada disciplina já foi possível verificar o quanto minhas expectativas seriam frustradas, pois as aulas eram monótonas, repetitivas e não entusiamavam. O conteúdo era dado de forma isolada e sem conexão com outras áreas da biologia. O livro indicado era o pior que se tinha notícia. Como gostava demais do assunto, procurei por conta própria estudar usando outros materiais além daqueles dados em aula. Ao chegar o momento da primeira prova estava apta a dissertar sobre o assunto. Porém, para meu espanto, nenhuma questão que envolvesse raciocínio fez parte da prova. Todas as perguntas relacionavam-se a conceitos, do tipo "qual a definição de..." . Na aula seguinte o professor perguntou se alguém gostaria de fazer algum comentário sobre a prova. Manifestei-me dizendo que achara a prova bastante "conceitual" (embora a palavra correta fosse "decoreba"). Foi o que bastou para despertar a ira do professor, que não só chamou-me de "ignorante" por não saber o que era conceito, como passou a tratar-me de forma rude durante todo o semestre. A experiência foi uma grande tortura que só finalizou com o final da disciplina e o começo da seguinte, desta vez ministrada por uma professora da mais alta qualidade, que era o oposto do professor anterior e que, com muita habilidade soube fazer as conexões que vagavam soltas pela cabeça dos alunos do semesttre anterior.
Marcia Mocellin Raymundo

Quarta-feira, Setembro 13, 2006




Abstração X Prática ou Abstração-Prática
Na aula de hoje a turma fez uma breve avaliação da disciplina até o momento. O que ficou das discussões foi que para uns a disciplina é muito abstrata e que precisa ser mais prática, mais clara. Para quem já é professor como Márcia é uma grata surpresa. Confome ela, quem já é professor pode fazer outra leitura da disciplina. A mesma chama atenção para a importância da forma de dar uma aula. Foi discutido ainda as formas de aulas (expositivas, seminários, contrutivistas). Este é o link para a tridisciplina que falei hoje na aula http://www.ufrgs.br/tramse/tridi/
Lembramos que o nosso próximo encontro é no dia 27 de setembro. Dia 20/9 é feriado. Não esqueçam de postar http://www.blogger.com/start as suas lembraças de vivências educativas. Quem não consegui enviar para o meu e-mail. Abraços a todos/as, Sônia

Quarta-feira, Setembro 06, 2006



Hoje na disciplina falamos de tantas coisas que fazem parte do currículo, mas que na maioria das vezes nem percebemos, pois o currículo é compreendido como sendo uma simples grade curricular onde estão dispostos nomes de disciplinas com a sua carga horária. Desse modo ele se configura como algo fragmentado que parece que nada tem haver com nada. É assim que somos formados fragmentadamente. Isso não começa na faculdade, mas bem antes como salienta Renato.Se pararmos para observar as crianças que ainda não tiveram contato com a escola, notaremos que elas tem um raciocínio muito rico e completo. A criança pequena (até mais ou menos 5 anos) usa de várias estratégias para compreender o mundo a sua volta, pois ela ainda é "livre" para pensar e construir seu raciocinios. Quando entramos na primeira série ou mesmo no jardim nos deparamos com profissionais ensinando como devemos pensar/raciocinar e fazer as coisas. Não podemos mais aprender a partir do todo, mas sim das partes que nos são apresentadas a cada dia. Além disso, o modo como nos é ensinado os conteúdos/matérias não levam em consideração as realidades do aluno, os seus conhecimentos e desconhecimentos, a sociedade onde ele e os próprios professores estão inseridos. As colocações que foram feitas na aula de hoje, mostram que todos de alguma forma estão conscientes que o currículo é bem mais que uma grade com conteúdos a serem ensinados em determinato período. O currículo é complexo e precisa para se constituir dos: alunos, professores, funcionários, estruruta física, sujeitos pensantes e falantes, movimentos, criticidade, reflexão, criatividade, questionamento,...
Para a próxima aula discutiremos a relação professor-aluno. O que isso tem a ver com currículo? Essa reportagem que saiu no site do Yahoo quando estavamos discutindo em aula atemática currículo. Leiam e pensem o que isso também tem haver com formação e currículo http://br.news.yahoo.com/060906/25/18k1e.html
Bom fim de semana e até quarta-feira, Sônia

Segunda-feira, Setembro 04, 2006


Novo semestre, nova turma, nova proposta ...
Duas aulas, alguns convites, até agora nenhuma participação!
Vamos iniciar nossas trocas virtuais?

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