.:: Esse blog visa dar continuidade as discussões e reflexões sobre educação em saúde realizadas na disciplina Prática Educativa em Medicina do Programa de Pós-Graduação da FAMED/UFRGS.

Quarta-feira, Abril 18, 2007


Resposta ao convite
Como não possuo senha para responder através do blog, pretendo tecer algumas considerações a respeito dos questionamentos acima, expondo a minha opinião (apenas), a respeito dos diversos quesitos acima elencados e enviá-los via e-mail.

A) O que nos forma como professores?
Dentro do que foi discutido na aula do dia 11.04.07, e do consenso descrito pelos ?supervisores? de cada grupo, foram extraídos os seguintes ítens:
1) Domínio do conteúdo ? que seria o conhecimento prévio (pelo professor) do assunto a ser tratado em aula.
2) Capacidade de comunicação ? que, dito desta forma, me parece incompleto. Entendo que o professor deva saber comunicar-se adequadamente, de acordo com o público-alvo, ou seja, deve ser versátil para atender públicos diferentes e com níveis de conhecimento distintos.
3) Organização e Planejamento ? Entendo que a organização não deva restringir-se apenas ao material didático, mas do conteúdo discursivo, das idéias que deverão ser postas. Para isto, obviamente deverá haver um planejamento prévio. E, dentro deste planejamento deverá haver flexibilidade, caso assuntos correlatos ao principal surjam no decorrer de sua apresentação.
4) Criatividade ? Corroborando com o aspecto do planejamento flexível, anteriormente mencionado, esta é uma ?arma? indispensável ao bom professor. Saber extrair de cada situação, por vezes inesperada, dentro daquilo que estava cuidadosamente planejado, uma forma de criar ? seja descontraindo os alunos, seja discorrendo sobre assuntos correlacionados sem, entretanto, perder o foco de seu assunto principal.
5) Postura ética ? acredito ser este um dos ítens mais importantes, dentre os elencados. É da responsabilidade do professor transmitir os preceitos éticos e de convivência social. Reforçar constantemente a correta postura diante de cada situaçnao que se apresente, Associado à postura ética, entendo, deve haver boa apresentação daquele que ensina. O professor, muitas vezes, transforma-se no ?roll model? , ou seja, no modelo ideal para o aluno. Daí o cuidado que deve ter evitando um aspecto desleixado (por vezes, desrespeitoso) com relação àqueles a quem ensina, comprometendo, sem dúvida, a confiabilidade daquilo que pretende transmitir ou está transmitindo.
6) Humildade ? um ítem não elencado pelo consenso, mas que considero extremamente importante. Ter a consciência de que não se é o ?dono da verdade? e que sempre se tem muito que aprender, inclusive com os alunos. É necessário ser mais parceiro. Um orientador (talvez, pela sua maior experiência) que conduza seus alunos a um clima de absoluta amizade e comprometimento mútuo.

B) Disciplina inclui castigo ou motivação?
Nunca o castigo é uma boa solução. Qualquer que seja a situação, dentro de um plano de ensino, deveremos achar uma forma de corrigir aquilo que está errado sem o uso da punição. A reação do aluno a um ato punitivo será certamente negativa em relação ao que estiver sendo ensinado. Aqui, mais uma vez, deve prevalecer o clima de amizade e esclarecimento entre professor e aluno.
A motivação, por outro lado, deve ser uma constante na prática de ensinar.

C) Obedecer ao que o professor regula permite reconstruir as "regras do jogo" e comunicar ?
Normas devem existir em uma sociedade organizada para que não se instale o caos. Entretanto, essas regras devem ser entendidas e não impostas. O melhor convívio é aquele que é bom para ambas as partes, professores e alunos. O passado nos mostra que professores que colocavam barreiras intransponíveis para seus alunos, como se estivessem num patamar de sabedoria supremo, não são lembrados como bons professores. Portanto, a comunicação vem do entendimento entre as partes. Essa comunicação parceira, amiga, resulta em crescimento para todos.

D) As dimensões psicológicas do professor ou professora e de seus alunos e alunas mobilizam aprendizagens?
Com certeza. As influências dessas dimensões poderão formar um grupo harmônico, voltado para a produção, aprendizagem, crescimento intelectual e científico ou não.

E) É possível incluir as diferentes influências de cada uma e de cada um dos sujeitos envolvidos no processo educativo?
Sem dúvida, quando essas influências, pelo ambiente favorável criado, possam se somar para o crescimento de todo o grupo.

F) Técnicas são suficientes para produzirmos novos saberes?
Evidentemente que não. Técnicas são parte de um processo de evolução do saber. Acredito que muitos outros fatores como a busca constante de alternativas, a troca de informações entre indivíduos, as discussões derivadas dessas informações, etc., fazem parte da construção de novos saberes.

G) Filmes, professores, textos contam histórias, são abstrações ou oportunizam descobertas e aprendizagens iguais para todos?
Evidentemente que oportunizam descobertas e aprendizagens. Infelizmente, não iguais para todos. Se pensarmos que todos estão tendo a mesma informação, o mesmo ensinamento, por serem os indivíduos diferentes, produzirão resultados diferentes no aprendizado. Se pensarmos que uma grande maioria não tem acesso a essas informações e ensinamentos, essa desigualdade passa a ser óbvia.

H) Como podemos nós, que nos encontramos nas manhãs de quarta-feira, tornar menos tensa e mais prazerosa a educação que fazemos como experiência de nossas vidas, que faça sentido individual e coletivamente?
Acredito que o grupo, como um todo, esteve bastante participativo nos encontros que tivemos. A cada novo encontro, com as pessoas se conhecendo melhor e havendo essa liberdade de expressar opiniões e experiências, as tensões deverão diminuir. Aproveitaremos melhor as idéias que surgem, as experiências individuais e coletivas. Poderemos absorver as técnicas que estão por trás de cada assunto tratado com maior discernimento e tranqüilidade.

Jorge Antônio Caleffi Fauri
PPG Cirurgia
Porto Alegre, 15 de abril de 2007.