.:: Esse blog visa dar continuidade as discussões e reflexões sobre educação em saúde realizadas na disciplina "Prática Educativa em Medicina do Programa de Pós-Graduação da FAMED/UFRGS" envolvendo aos trabalhadores da área da saúde que "transdisciplinam" teórica e praticamente nos seus fazeres.

Quarta-feira, Abril 22, 2009


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5) Fernanda d' Athayde Rodrigues

Texto: Aprendizagem Baseada em Problemas: uma nova visão do processo de aprender.

O texto ressalta a transformação dos currículos das faculdades de Medicina saindo de um Modelo Pedagógico centrado no professor, baseado na transmissão unidirecional do conhecimento. O aluno apenas recebe passivamente o conhecimento sendo o aprendizado avaliado pela memorização do conteúdo. O programa curricular dos cursos da área da saúde estão em algumas Universidades saindo de uma estrutura estática, pré- estabelecida para um processo de aprendizagem onde é priorizado o ato de aprender em relação ao ato de ensinar, onde o aluno passa a ser o agente ativo.

A aprendizagem baseada em problemas (ABP) baseia-se em princípios construtivistas, através de grupos operativos.O aluno desenvolve sua autonomia buscando sua solução para a resolução do problema, desenvolvendo um raciocínio crítico que facilitará as futuras tomadas de decisões.Esse modelo exige mais do professor que deve ser capacitado para agir como treinador, servindo como modelo, pensando junto com os estudantes.

Lendo o artigo, fico pensando como fomos condicionados desde pequenos , ao primeiro contato com o professor, a ficar calado, apenas ouvindo o que é ensinado , sem questionamentos, aceitando tudo o que nos é dito como se o professor fosse o único dono do conhecimento. Criticar para quê? Acreditem e pronto!

Hoje a maioria das escolas mantém o mesmo sistema de ensino fundamentado na figura suprema do professor.

Como então instituir no currículo a ABP e fazer com que os estudantes consigam compreender essa metodologia e aproveitá-la? Como esquecer toda uma vida escolar onde o estudante era o ser passivo e começar a ser um questionador, buscando soluções para os problemas,trabalhando interdisciplinarmente e em grupos? Eos professores que passaram sua vida dando aulas estruturadas da mesma forma terão que estar dispostos a mudar, a buscar novas formas de ensinar, de comunicar-se com seus alunos aprendendo junto com eles.

Mudar, quebrar paradigmas, modificar uma estrutura pré ?estabelecida , expor-se. Tudo isso torna-se assustador quando não fomos doutrinados para fazer . Todo esse contexto vem trazendo na prática dificuldades na implantação da ABP. Em algumas faculdades de Medicina onde foram adotadas, os cursos tiveram avaliações muito baixas. Talvez a melhor maneira seja utilizar uma estrutura mista de metodologias, para que o aluno acostume-se a pensar , trabalhar em grupo e assim aos poucos vai deixando para trás suas dificuldades de interagir e defender suas opiniões frente a vida e a profissão.

Fernanda d? Athayde Rodrigues

6) COMENTÁRIO SOBRE O CAPÍTULO: A AVALIAÇÃO DO ALUNO DA ÁREA DA SAÚDE

A avaliação deve ser um processo contínuo e diversificado, de acordo com os objetivos de cada área, porém sempre incentivando o aluno a não se ater apenas a conhecimentos específicos, buscando experiências e trocas de vivências com profissionais de outras áreas da saúde, para que este possa no futuro poder atuar em ambientes multidisciplinares.

Deve ser contínuo e diversificado, pois o aluno deve ser avaliado sobre todos os aspectos teóricos e práticos, não apenas de maneira tradicional, como provas, mas também através de seu amadurecimento na aquisição de novos conhecimentos. Assim, o aluno precisa ser incentivado constantemente para que não apenas escute as informações que lhes são passadas, mas que discuta, que questione, e que através destes questionamentos consiga maturar suas próprias idéias e novas dúvidas, fazendo com que este processo seja uma constante.

Acredito que no Brasil já estejam sendo aplicadas novas maneiras de avaliação nas áreas da saúde, porém a velha e antiga prova ainda reina, limitando os profissionais àquele velho clichê de que o ser humano só funciona sobre pressão. Mas devemos enxergar além do clichê, temos que quebrar paradigmas e saber que com processos avaliativos diferenciados, estaremos exigindo dos profissionais da saúde um conhecimento específico porém com uma visão de vários ?ângulos? (diversificada) de sua profissão e de sua atuação, ou seja, futuramente será um profissional capacitado a trabalhar em um meio multidisciplinar.

Aluna: Grace Guindani Vidal


7) De Giovanni Nardin Alves

Comentário sobre o artigo: ?PREPARANDO-ME PARA SER MESTRE? pg. 125

Em um primeiro momento a autora aborda o tema AVALIAÇÃO e toda a complexidade que consiste essa ação. Avaliar acredito eu, seja uma das tarefas mais difíceis de um professor. Como abordado no artigo: ?Quais critérios? Quando avaliar? Qual padrão de comparação????????????

Penso que a avaliação não seja um ato estagnado e unidirecional: Aluno executa........ professor avalia. Acredito na avaliação como um sistema dinâmico, um processo contínuo onde tanto o aluno quanto o professor possam se utilizar do fruto dessa ação.

Chamou-me atenção o trecho onde ela cita que, ao longo do tempo, a avaliação tem assumido um caráter de cobrança e punição. Lembro de toda minha trajetória como estudante e identifico esse sentimento. Realmente a avaliação sempre é vista com medo e angustia, e nunca como uma possibilidade de poder exercer o conhecimento.

?O erro é bastante significativo para auxiliar à compreensão do processo avaliativo como construção e não como punição?. O erro encarado como parte do processo avaliativo também oferece tanto para o professor como ao aluno a reciprocidade intelectual.

Quando falamos em avaliar alunos de cursos da área da saúde devemos lembrar-nos de abordar não somente aspectos técnicos, mas também aspectos relacionais e humanos.

O segundo tema abordado no artigo fala sobre a PAIXÃO DE FORMAR! Na leitura desse trecho fica muito claro que o sucesso desse processo, agora falo do processo de ensinar, depende muito do envolvimento profundo e verdadeira dedicação do professor. Não por ele ser detentor do conhecimento absoluto e ?ponto definitivo de chegada quando se trata de aprendizagem?, mas por ser uma pessoa assim como aluno capaz de trocar conhecimento facilitando e interagindo no processo ensino-aprendizagem.


8) Reflexões sobre ?Análise de uma prática educativa em saúde? de Sônia Regina Silva Pedroso

Lenita Simões Krebs

No texto, a professora Sônia faz um relato sobre as modificações observadas nos alunos da disciplina de Prática Educativa ao longo das aulas, através das observações e registros feitos na sala de aula e também das discussões realizadas no blog. Inicialmente, os alunos demonstraram desconhecer a importância da disciplina de Prática Educativa, já que tinham uma concepção limitada da educação e a idéia de que dar aulas é fácil bastando possuir o conhecimento técnico sobre o assunto a ser ministrado. Com o decorrer das atividades, a professora percebeu que a disciplina provocou os alunos, levando-os a refletir sobre as suas práticas educativas e a repensar os preconceitos referentes à educação. Percebeu, também, que alguns alunos procuraram se aprofundar nessas questões após o término da disciplina, buscando uma formação mais específica na área da educação.

Com o apoio de alguns autores pesquisados, salienta que as qualidades necessárias para sermos educadores podem ser desenvolvidas através de treinamento. Essas qualidades podem ser resumidas como:

* Saber ouvir;
* Competência e habilidade para transmitir os conhecimentos;
* Capacidade de reconhecer que cada aluno e cada turma são diferentes;
* Capacidade de estabelecer uma relação de troca com os alunos;
* Percepção das peculiaridades da atividade que se propõe realizar;
* Estar preparado para as eventualidades de não dispor dos meios necessários para desenvolver o trabalho conforme planejado, entre outras.

A idéia que guardei do texto, é que a relação professor-aluno deve ser uma relação dinâmica e de provocação. O aluno deve ter curiosidade ou esta deve ser estimulada pelo professor através da demonstração da importância e da utilização prática do que está sendo discutido. O professor deve ter um bom conhecimento sobre si mesmo, das suas qualidades e limitações para poder explorar ou contornar ou superar as suas características e, assim, poder transmitir os conhecimentos, ouvir e entender as dúvidas dos alunos. Mas, não há o que ensinar se não houver o conteúdo e a formação necessária para poder transmiti-lo.

Extrapolando, o professor não é apenas aquele que está em sala de aula, na frente de uma turma de alunos. É também o profissional que está atendendo em consultório ou hospital, conversando com familiares ou pacientes, fornecendo informações sobre a doença em questão ou sobre as formas de prevenção. Aqui ele também está desenvolvendo a prática educativa, informando, conscientizando, estimulando a curiosidade das pessoas envolvidas. E também na sua vida particular, no convívio com a família, ele está observando e transmitindo informações técnicas e exercendo a função de professor.

9) Comentário sobre o ?Ciclos de Formação Proposta Político-Pedagógica da Escola Cidadã?

O texto descreve como definição de currículo, uma forma de organização para criação do ?sujeito social?. Essa formação é influenciada por todo contexto social onde ela é criada, agrupando todo legado cultural até interesses na esfera econômica, para criação do ?ser? necessário para manutenção do modelo requerido. Então o educador tem além de tudo um papel social .

A escola cidadã defendida no texto engloba conceitos que são excluídos do modelo atual de ensino, que tenta respeitar uma perspectiva ?progressista e tranformadora? na transmissão do conhecimento. A forma tradicional de ensino se resume em um algoritmo onde o professor detêm o conhecimento que deve ser impresso em agentes com papel exclusivo passivo. É então defendido, uma estruturação de ensino baseada em ?ciclos de aprendizado?, onde as individualidades seriam respeitadas. O aprendizado seria um contínuo evolutivo, onde a cada etapa concluída, a partir da necessidade de novo enriquecimento, haveria uma progressão, não mais baseada em limites de tempo, mas em resultados alcançados. Com isso, estabelece-se a flexibilidade do aprendizado e retira-se da escola a ?face opressiva?, tentando superar a alta taxa de abandono escolar nas classes populares e a defasagem idade-série, expressa pelo ?fracasso crônico? desses alunos. Haveriam três ciclos previstos de acordo com as necessidades a serem atingidas em cada fase do desenvolvimento humano (6 aos 10 anos, 10 aos 12 anos e 12 aos 15 anos).

Na minha opinião, essa elaboração do currículo baseada na criação do ser ?pensante e questionador? esbarra em questões de controle social, abrindo horizontes para reorganização da sociedade. A definição de ciclos de aprendizado, baseado em metas atingidas, é antes de tudo, uma forma de inclusão social. O contexto de cada indivíduo, seria levado em conta e trabalhado, para atingir com maior ou menor tempo uma homogeneidade de conhecimento, não como uma corrida temporal . Mas isso não é interesse da classe pensante e detentora do poder econômico.

Ângela Barreto Santiago Santos

10) Da mesma autora:

Comentário sobre o capítulo ?Aprendizado baseado em problemas?

Essa nova forma de aprendizado que tem o aluno como peça fundamental e ativa na elaboração do conhecimento é muito atrativa. Com esse modelo, a informação passa a ser buscada e não apenas entregue a um ouvinte que muitas vezes não quer nem ser o receptor.

Problemas criados a partir de dados reais, são apresentados a um grupo. Inicialmente há uma interpretação conforme a vivência e experiências pessoais na procura da solução mais adequada.Então, lança-se o desafio, da busca da melhor solução possível, conforme a literatura vigente, procurando chegar o mais próximo da verdade que?desvendaria? aquele problema. O professor aqui, tem um papel importante, na organização dos grupos de discussão e na orientação desta busca do apresentado. Uma segunda discussão, agora com o resultado desta busca individual estabele-se, e o maior enriquecimento de conhecimentos virá. Com isso, ocorre uma grande integração entre todos, com troca de informações e vivências e o professor acaba também sendo desafiado a sempre se manter atualizado e com domínio quase total do problema, já que os ouvintes agora buscarão o seu conhecimento e a discussão no segundo momento virá de uma grupo conhecedor da temática e não de ouvintes passivos, que poderão aceitar tudo que lhe é passado, sem questionamentos. Essa técnica, acaba caindo no do dito popular de que o mais importante é ?dar uma vara de pescar e não o peixe já pescado?.

Esse modelo iniciado na Holanda,está se difundindo em algumas faculdades brasileiras como a Universidade de Londrina e UNIFESP. A minha vivência com modelos semelhantes ocorreu em estágios mais avançados da medicina, principalmente no último ano de faculdade, numa fase onde as soluções já aparecem mais fácil pela bagagem já adquirida. Foi uma forma de aprendizado marcante para mim, mas acho que ficaria difícil se aplicar a todo um curso, essencialmente as fases iniciais.

Ângela B.S.Santos
08.04.2009