Polo de São Leopoldo - blog colaborativo dos alun@s do PEAD / UFRGS
Quarta-feira, Outubro 25, 2006
:: Por que tornei-me professor? Como vivencio ser professor?
Refletindo sobre os questionamentos acima, me dei conta de como temos capacidade de nos transformar, de nos modificar e acima de tudo, de mudar e melhorar como ser humano. Foram várias as razões que me fizeram optar pelo magistério como profissão, mas acredito que o desafio de ajudar um outro ser humano a tornar-se melhor, a ser ?mais gente? e a partir daí tornar-se um cidadão ativo na comunidade em que está inserido, foi decisivo nesta escolha. Acredito que ser professor pode ser algo encantador, partindo do pressuposto de que nós professores não somos os detentores do saber, mas sim somos os mediadores de um processo contínuo que é a aprendizagem. Mas penso também que podemos nos frustrar muito nesta profissão se a escolhermos por um motivo menos importante, pois assim como temos condições de dar a liberdade de expressão e pensamento a um ser humano, podemos na mesma intensidade ferí-lo, podá-lo e torná-lo uma pessoa desacreditada, medíocre, sem esperança e principalmente sem a capacidade de sonhar e lutar por algo melhor. Para isso basta ser um professor mais ou menos e não aquele que quer ser a diferença na vida do seu aluno. Posso afirmar com convicção que estou no grupo que quer fazer a diferença. Diariamente, ao entrar em contato com meus alunos ou até mesmo com os pais destes, me questiono sobre a minha postura, a minha conduta, etc. E em momentos de estresse (que atualmente são muitos, levando em consideração o número elevado de problemas que surgem nas salas de aula), procuro sempre manter a calma e inverter a posição de papéis, isto é, caso o problema fosse comigo, ou talvez com um filho meu, de que forma eu gostaria que fosse tratado este fato. Parto do princípio de que o diálogo é muito importante, mas a forma de se dialogar, de se falar é mais ainda, pois penso que tudo pode ser dito, desde que se tenha respeito e jeito ao falar. É claro que o vivenciar de um professor não é cheio só de coisas boas. Há inúmeros problemas de ordem administrativa, pedagógica, etc, mas acredito que o bom profissional dá o melhor de si para sair com a consciência tranqüila de que fez tudo e um pouco mais que estava ao se alcance para solucionar o mesmo. Com o passar dos anos e adquirindo mais experiência no magistério, posso dizer que os inúmeros problemas trazidos pela crianças e jovens de hoje até a escola são de ordem familiar. Isto é, a família é a base de tudo e se ela vai mal, então o resto todo sofre conseqüências. É por isso que o nosso papel de professor nos dias de hoje vai muito além de ser aquele que possui o conhecimento, ele perpassa muitas barreiras e muitas vezes além de professoras somos um pouco mães, um pouco amigas, avós, enfermeiras, psicólogas etc. Quem é professor compreende muito bem o que quero expressar neste sentido.