Segunda-feira, Novembro 27, 2006

:: ECS9-Versão Final


Componentes do grupo: Jandira, Maria Angelica, Raquel, Maria Eliane, Andréia Nunes, Elizabeth Koch, Denise de Andrade.

EDUCAÇÃO, TRABALHO INFANTIL E FEMININO.

Não existem escritos de Marx e Engels expressamente sobre educação e ensino no contexto pedagógico da forma que este tema tão importante e complexo deve ser tratado. Marx e Engels escrevem, isto sim, bastante sobre educação, mas sob o ponto de vista da defesa do interesse da classe trabalhadora, no caso das crianças (meninos e meninas) e das mulheres.
As intervenções de Marx e Engels, neste pedaço específico da educação, são claros e se dão dentro do contexto histórico em que viveram: Parte da Europa ocidental, século 19, início da revolução industrial, surgimento do capitalismo como forma de produção e da burguesia como classe social dominante.
Com o aparecimento das máquinas movidas a vapor, que produziam em larga escala, começa a desaparecer o modo de produção existente até então.
O artesão que era proprietário de seus meios de produção (conhecimento, ferramentas, mercado), entrava em uma profissão como aprendiz de um ofício, galgava ao longo do tempo todos os postos de trabalho deste ofício e depois também se estabelecia como mestre e reproduzia seu conhecimento para outros aprendizes e detinha o fruto financeiro de seu trabalho.
Esta forma de produzir desaparece e os artífices e outros trabalhadores urbanos que no passado se envolviam nestas tarefas são deslocados para as fábricas.
Os homens e mulheres do campo (onde as condições de vida eram bastante precárias), também vão para as cidades em busca de ocupação nas fábricas.
O modo de produção que se inicia é caracterizado pela exploração, isto é, o capital fica dono da força de trabalho e o utiliza para gerar mais-valia.
O capital, entretanto, só se apropria daquela força de trabalho capaz de gerar lucro e orienta inclusive o sistema de ensino com o único objetivo de treinar e preparar as pessoas para servirem aos interesses do capital. Dito de outra forma: A pouca educação ofertada, encaminha para o trabalho disponível, reforçando o sistema dominante a nível ideológico, técnico e produtivo.
A fábrica apesar de necessitar bastante mão de obra, principalmente no início da revolução industrial onde as máquinas eram ainda rudimentares, não incorpora todos, gerando um excedente de desempregados que se submetem a trabalhar em qualquer situação. Isto inclui as crianças (meninos e meninas) a partir dos 5 anos de idade, que passam a trabalhar em ambientes muito insalubres, pouco iluminados, ruidosos, com jornadas de trabalho que duravam até 18 horas e com enorme pressão das chefias em busca de maximizar a produção, sem nenhum tipo de proteção social e sem nenhuma regulação por parte do Estado. Aliás, as poucas regras que existiam eram a favor dos proprietários dos meios de produção.
Marx e Engels não foram e não poderiam ter sido alheios a este conjunto histórico que dominava a sociedade de seu tempo. A falta de atenção com as necessidades sociais, entre elas a falta de acesso à educação e ensino aos trabalhadores, próprio do sistema dominante daquele período, aliadas as horríveis (literalmente) condições de trabalho da população operária, mais dramática ainda no caso do trabalhador infantil e das mulheres, faz com que se estimule uma ação para colocar a proteção destas trabalhadoras e das crianças como prioritária, sendo o acesso a educação das crianças colocado em foco.
No caso das crianças é fundamental, no pensamento de Marx e Engels, que estas se eduquem e se instruam para junto com outros de sua classe social (a classe trabalhadora) possam radicalizar as contradições que a classe dominante impõe, e que esta classe (a burguesia e os oligarcas) possa ser superada e que uma nova sociedade, sem opressores e sem oprimidos possa ser construída.
Marx e Engels criticam e desejam mudar a atual instituição escolar, se preocupam em introduzir um novo tipo de ensino unindo o trabalho manual ao intelectual. Lutam para que desapareça a divisão do trabalho e a felicidade substitua a necessidade. O objetivo do ensino não é só a emancipação social, mas a emancipação humana, ou seja, a educação liberta!
A visão destas crianças submetidas a mais violenta forma de exploração faz com que Marx e Engels reajam e saiam em defesa destes trabalhadores precoces, sugerindo em inúmeras oportunidades, como é o caso do Congresso da AIT de 1868, (K.Marx, Instruções aos Delegados do Conselho Central Provisório) a criação de instrumentos de regulação onde os trabalhadores infantis deveriam ser divididos em três faixas etárias, dos 9 aos 18 anos e que em cada faixa etária fosse administrado o tempo de atividade fabril e o tempo de atividade escolar.
Pela instrução de Marx, quanto menor a faixa etária (a partir dos 9 anos de idade) menor o tempo de atividade fabril.
Enfatiza Marx, que este tipo de proteção além de preservar o trabalhador juvenil que estava tendo o seu presente e futuro destruído nas fábricas, oficinas, minas, indústrias químicas, etc. transformaria o que chama de ?razão social em força social?, que em condições sociais tão difíceis com as que se vivia no período, o poder do Estado ao impor estas leis não ficaria mais favorecido, ao contrário o proletariado acumularia força e instrução necessários para lutar contra seu agressor.
Conceitua também que a escolaridade para os filhos da classe trabalhadora deve se iniciar antes da idade de 9 anos e que esta educação deveria atender a três requisitos:
1º - Educação intelectual.
2º - Educação corporal.
3º-Educação tecnológica.
Existiam ainda escolas onde havia professores de verdade, verdadeiramente interessados no futuro daquelas crianças, porém eram pagos pelo número de alunos que freqüentavam seu estabelecimento e aí também, via de regra, havia estudantes em demasia.

Mesmo sendo uma lei ilusória, inúmeras vezes fraudada, fácil de manipular, a burguesia fabril mesmo assim resistia a este tipo de lei. Há o caso do fabricante de vidro J. Geddes, que teve de expor a um comissário de investigação educação escolar.
Diz o senhor Geddes: ?No que posso julgar, me parece que a dose maior de educação que vem sendo dada a classe operária já há alguns anos é prejudicial. Encerra um perigo, pois a torna independente.?
O modelo de produção da época e o excesso de oferta de mão de obra criavam ainda outras situações difíceis. Em inúmeros casos as crianças trabalhavam nas fábricas e seus pais não. Com o salário que recebiam tinham que ajudar financeiramente aos seus pais, deixando estas casas de serem lares com as relações familiares e sociais naturais em qualquer sociedade dita decente e passavam a funcionar como uma espécie de ?pousada? onde os filhos trabalhadores deixavam de ser membros natos daquela família e ali tinham um ambiente salutar de relação familiar protegida, para se transformar em um local de ralações comerciais.
A propaganda burguesa apresentava o lar como sendo um refúgio de felicidade, de doçura e de quietude. Escondia, entretanto que nesta estrutura privada também se apresentam relações de força e que duraram enquanto o homem conseguiu manter-se como patriarca e provedor.
A disposição da lei fabril relativa à educação fez da instrução primária condição indispensável para o emprego de crianças. Segundo a lei fabril, os pais não podiam enviar seus filhos menores de 14 anos às fábricas ?controladas? sem enviá-los ao mesmo tempo a escola primária.
surge a necessidade de uma disponibilidade absoluta do ser humano para as necessidades variáveis do trabalho, substituir o individuo parcial, que repete sempre a mesma operação, pelo individuo integralmente desenvolvido, que desenvolve diferentes funções. Na família o homem é o burguês e a mulher, o proletário.
Atualmente a situação não mudou, porque apesar de muitas mulheres contribuírem para auxiliar na renda familiar ou até mesmo sustentarem a família, são discriminadas ao ganharem salários inferiores para exercer a mesma função dos homens continuando a dominação por parte do marido.
A revolução industrial também se apropriou da mão de obra feminina, principalmente nas tarefas em que exigia alguma delicadeza. Também era dada preferência às mulheres casadas, sobretudo as tinham que sustentar uma família. A partir do momento em que as mulheres saem de casa para prover o sustento de seu lar, a estrutura familiar tradicional se dissolve.

Quando a mulher ficava em casa, era responsável pela criação, educação e cuidados do lar e dos filhos. Esta mulher ao ir trabalhar nas fábricas em jornadas muito longas e extenuantes e não existindo um espaço adequado onde pudessem ficar seus filhos, estas crianças e sua casa ficavam abandonadas ou a mercê de estruturas impróprias para a continuidade das relações familiares. Isto rapidamente levou ao desmoronamento das famílias.
Relacionando parte do que apresenta os textos de Marx, com o que acontece de forma contemporânea em nossas escolas podemos relatar o seguinte:

1- Em uma das escolas, os alunos sobrevivem da reciclagem de lixo. Infelizmente muitos deles precisam ajudar seus pais e mesmo no horário da escola as crianças saem para catar lixo, prejudicando assim seu desempenho escolar. Tenho vários alunos com baixo rendimento e uma das causas é o excesso de faltas e creio que também uma fraca alimentação.

2- Minha escola é de classe média e a maioria dos alunos tem boas condições financeiras, acredito às vezes que até melhor que a minha.

Tenho um aluno que vive em uma miséria, tem dificuldades de aprendizagem, pois é o segundo ano de primeira série. Este aluno tem vários irmãos mais velhos que estudam na mesma escola e se sentem responsáveis por ele, muitas vezes não toma banho, não tem banheiro e água encanada em casa.

3-Outra situação que ocorreu foi quando levei os meus alunos da EJA para o cinema. Havia entre eles, uma aluna (mulher sofrida com nove filhos, trabalhadora, marido alcoólatra, agressor) e que nunca tinha ido ao cinema. Foi sua primeira vez. O marido ao descobrir, num gesto de pura dominação e de absoluta ignorância, a proibiu de estudar.



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