Polo de Gravataí - blog colaborativo dos alun@s do PEAD / UFRGS
Quinta-feira, Novembro 30, 2006
:: ECS 9 Marx II Versão final Grupo G
Educação, trabalho infantil e feminino Os autores estudados, Marx e Engels, jamais escreveram sequer um simples folheto sobre educação e ensino, mas suas teorias estão presentes nas reflexões da práxis cotidiana de nossa sociedade. Contudo, como todo socialista, viram no ensino possibilidades de transformação, ou seja, instrumentos para libertação das condições opressoras da sociedade capitalista. O texto de Marx e Engels fala da saída do homem do campo para a fábrica, da exploração de seu trabalho pelo capital, do trabalho infantil e feminino. Na busca por mão-de-obra barata e devido à simplificação extrema das funções do trabalho, tornou-se possível o recrutamento do trabalho infantil e feminino.Alguns fabricantes da época relatavam que empregavam exclusivamente mulheres, principalmente às casadas, pois eram mais ativas e cuidadosas que as solteiras, já que devido a necessidade do sustento da família, trabalhavam com maior afinco."As crianças com mais de nove anos e adolescentes, ao mesmo tempo em que trabalhavam tinham que estudar por um período de 30 dias ou 150 horas. Os professores não tinham nenhuma preparação, apenas diziam saber mais do que as crianças, preocupavam-se com interesses financeiros. As escolas possuíam mobiliário escolar pobre, falta de livros e material didático, salas pequenas e desorganizadas, onde as crianças não tinham a menor motivação.Os trabalhos mais simplórios, que não exigiam grandes habilidades intelectuais, para eles impediam que o operário pudesse ocupar seu pensamento com qualquer coisa que não fosse consertar o que se rompesse na linha de produção ou zelar pelo bom funcionamento de todas as engrenagens. O indivíduo permanecia alijado de suas capacidades criativas. Foram criadas leis que proibiam o trabalho de menores, como mostra o artigo 7º da lei que regulamentava as oficinas: O artigo 7º que impõe penalidades por emprego de crianças, adolescentes e mulheres, infringindo as determinações da lei, estabelece multas não só para o dono da oficina, seja ele ou não um dos pais, mas também para ?os pais ou outras pessoas que tenham sob sua vigilância a criança, o adolescente ou a mulher ou extraiam vantagens diretas do trabalho deles?. Mas essa lei, como tantas outras, ficou sendo letra morta na mão das autoridades locais e urbanas encarregadas de sua execução.Entretanto, é este mesmo sistema capitalista que promove ( pois exige ) uma certa capacidade intelectual dos seus operários. Com isso, incrementou-se o número de escolas e vimos cair os índices de analfabetismo. Neste contexto, o grau de complexidade de uma tarefa está intimamente ligado a idéia de instrução, quanto menor a complexidade, menor também é a necessidade de aprofundamento intelectual, maior a quantidade de pessoas disponíveis para tanto e por isso, o surgimento da mão-de-obra barata. Por isso, entenda-se que este índice menor de analfabetismo não significa, necessariamente, um intelecto aprimorado sendo buscado pelo capitalismo. O que se deseja é que o operário saiba ler e escrever, bastando isso. .De acordo com os autores uma das possibilidades de superar essas contradições, reside na integração entre ensino e trabalho. A essa integração eles chamam ensino politécnico, ou seja, um meio de ensino onde o ser humano irá desenvolver-se em todos os sentidos e sair da alienação. O próprio Marx, em 1868, reconhece que: O setor mais culto da classe operária compreende que o futuro de sua classe e, portanto, da humanidade, depende a formação da classe operária que há de vir.(...) A sociedade não pode permitir que pais e patrões empreguem, no trabalho, crianças e adolescentes, a menos que se combine este trabalho produtivo com a educação. Por educação entendemos três coisas: 1)Educação intelectual. 2) Educação corporal (...) 3)Educação tecnológica (...). Esta combinação de trabalho produtivo pago com a educação intelectual, os exercícios corporais e a formação politécnica elevarão a classe operária acima dos níveis da classe burguesa e aristocrática. Dessa forma os autores viam a educação como uma forma do proletariado conseguir conquistar sua consciência de classe. Atualmente o trabalho infantil continua sendo explorado. E assume grandes proporções. Segundo dados da OIT (Revista Atenção, 95/96: nº 2) o país ocupa lugar de destaque no ranking mundial, com 7,5 milhões de crianças e adolescentes entre 10 e 17 anos compondo a força de trabalho na zona rural e urbana, no mercado formal.
Questões para refletirmos:
*A educação, hoje, é concebida como instrumento de dominação ou como processo de transformação dessa situação? *O Projeto Político Pedagógico de nossas escolas está realmente atendendo os interesses e necessidades da nossa realidade?
A Constituição Brasileira proíbe qualquer tipo de trabalho para menores, salvo na condição de aprendiz. *Essa lei é cumprida em nossa sociedade? *Qual é a punição para o empregador que desobedece a legislação? Apenas multas?
Componentes do grupo: Jaqueline, Lígia Passos, Luciana e Paulo Medeiros.