Sobre o valor do trabalho
Lembrei de uma discussão que teve em uma das últimas aulas sobre o valor estigmatizado que é dado ao trabalho. O trecho abaixo é retirado do livro "De escravo a liberto um difícil caminho", da Sandra Pesavento:
"Depois da abolição.
O processo de desescravização do país foi acompanhado da popularização de novos valores:difundia-se a ideologia do progresso e da mobilidade social. O trabalho braçal, até então encarado como atividade pertinente aos negros e, como tal, degradado pelo estigma da escravidão, passou a ser visto como enobrecedor e construtor da riqueza. Proclamava-se o princípio de solidariedade entre as classes, tão caro à sociedade burguesa, afirmando que os homens são iguais perante a lei, mas ocultando a evidência de que são desiguais frente à distribuição de riqueza.
A nova concepção de trabalho, agora valorizado positivamente, foi associada ao trabalhador branco de origem européia. Por uma curiosa inversão, aquele que por mais de três séculos havia sido a força do trabalho por excelência da sociedade brasileira, passou a ser confundido com o não-trabalho, a vagabundagem, o vício, a predileção pelo ócio, a incompetência para a atividade regular e ordeira. O estigma da escravidão acompanhava o liberto na sua difícil trajetória como cidadão na sociedade brasileira."
Beijinho Carolina Soares
"Depois da abolição.
O processo de desescravização do país foi acompanhado da popularização de novos valores:difundia-se a ideologia do progresso e da mobilidade social. O trabalho braçal, até então encarado como atividade pertinente aos negros e, como tal, degradado pelo estigma da escravidão, passou a ser visto como enobrecedor e construtor da riqueza. Proclamava-se o princípio de solidariedade entre as classes, tão caro à sociedade burguesa, afirmando que os homens são iguais perante a lei, mas ocultando a evidência de que são desiguais frente à distribuição de riqueza.
A nova concepção de trabalho, agora valorizado positivamente, foi associada ao trabalhador branco de origem européia. Por uma curiosa inversão, aquele que por mais de três séculos havia sido a força do trabalho por excelência da sociedade brasileira, passou a ser confundido com o não-trabalho, a vagabundagem, o vício, a predileção pelo ócio, a incompetência para a atividade regular e ordeira. O estigma da escravidão acompanhava o liberto na sua difícil trajetória como cidadão na sociedade brasileira."
Beijinho Carolina Soares

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