Nossa história contada através do brinquedo
A presença das atividades lúdicas na história da humanidade é inegável, apesar de não dispormos de documentos oficiais que tratem especificamente ?do brincar? em cada período, sabe-se que os brinquedos e brincadeiras sempre estiveram presentes, exercendo um papel de fundamental importância na construção e aquisição da noção de ?mundo? diante da mentalidade infantil, como teorizam muitos estudiosos. Piaget, por exemplo, destaca a importância do tema e afirma: ?a linguagem e o pensamento da criança e a formação do símbolo na criança se dá através da imitação, jogo e sonho, imagem e representação.
Logo todas as crianças, independente da época, certamente brincaram e brincam porque assim assimilam e elaboram seu pensamento.
A fim de melhor compreender a relação e as influências dos fatos históricos sobre a cultura lúdica se buscou informações, que revelaram algumas curiosidades como, a ?pipa?, ?papagaio? ou ?pandorga?, por exemplo. Conta-se que suas origens se deram no oriente, inclusive, foi utilizada como artifício de guerra por um General Chinês, que ao pretender dominar um território por meio da construção de um túnel utilizou a ?pipa? para calcular a distância a ser escavada. Quanto ao Brasil, segundo a maior parte dos historiadores, constituiu-se basicamente, da mistura de três raças: índios, brancos e negros. Nascendo dessa união não só uma grande diversidade de cor, mas também uma imensidão de crenças, costumes, gostos e sabores o que se refletiu em igual proporção na construção lúdica das atividades que se consagram e se propagam até os dias atuais. A importância da contribuição que cada grupo étnico concedeu para a formação do nosso país pode ser contada através do aporte de cada um desses povos.
Para começar, os índios, primeiros filhos dessa terra, possuíam ritos que geraram lendas e muitas estórias. O bicho papão é um deles, oriundo dos rituais de formação dos ?curumins?. Outros costumes, que pudemos evidenciar nos relatos do autor Gilberto Freyre em sua obra Casa Grande Senzala, eram imitar bichos, brincar com bonecos de barros que as mães índias construíam, criar animais domesticáveis com o intuito de lhes fazer companhia e não somente para saciar a fome e atender interesses econômicos. Com isso as crianças passavam a utilizar estes animais como bonecos em suas brincadeiras, hábito, que surpreendentemente, podemos constatar vivo ainda hoje, na maior parte das famílias que possuem animais de estimação e estes, muitas vezes, servem como companheiros nas brincadeiras e animações das crianças da geração ?zap?. Além disso, podemos citar o gosto das crianças indígenas por viverem em bando, realizando danças e brincadeiras de nado nos rios.
Do povo europeu recebemos muitas heranças que compuseram o repertório de brincadeiras da infância brasileira. Para cá, trouxeram versos e cantigas de roda como o ?pirulito que bate...?, adivinhações ?o que é, o que é?, estórias de bruxas, fadas, homem de sete cabeças, príncipes, castelos, tesouros e muitos outros. Quanto aos jogos trouxeram amarelinha, bolinha de gude, jogo de botão, pião, xadrez, tiro ao alvo, gamão, etc.
Já dos povos dos Africanos, herdamos muitas cantigas, lendas e mitos que foram trazidos através do misticismo religioso desse povo, deuses e animais encantados, como o baoitatá, boi da cara preta (presente em quase todas cantigas de ninar que eram cantadas pelas amas de leite e até hoje são cantadas), Saci Pererê, lobosomem, mula sem cabeça, cuca personagens que estiveram presentes a embalar muitos sonhos dos ?pequeninos?. Também construíam brinquedos de sucata e materiais dispostos na natureza. Além dessas muitas outras contribuições aconteceram, porém é importante lembrar que em especial no caso dos povos negros traficados, existe uma grande dificuldade em resgatar com fidelidade sua história, devido à destruição de muitos documentos, além disso, os negros aqui recém chegados foram separados, pelos traficantes escravistas, dos companheiros que falavam a mesma língua, permanecendo junto pessoas de distintas localidades que utilizavam dialetos diferentes, fato que dificultou a propagação cultural considerando que maior parte dos costumes é transmitido pela oralidade. É o que nos chama a atenção, o autor do livro Jogos Infantis Kishimoto, Tizuko Morchida, mas assim mesmo é possível vislumbrar a importante contribuição deixada por esse povo bravo, guerreiro.
O contexto do curso histórico também exerceu seu grande poder, visto que o brincar é a imitação da realidade que circunda a criança, no Período Colonial pode-se constatar uma tendência a brincadeiras agressivas, com certo teor de brutalidade, (os meninos (as) negro (as) serviam quase como brinquedos dos meninos brancos da Casa Grande) eram reproduzidas as desigualdades e desumanidades em relação a grave descriminação racial que existia nessa época. De um modo geral, a infância era desprovida de direitos sendo vista de forma pejorativa pelos mais ?velhos?, terminando muito cedo, normalmente aos sete anos. Mentalidade que sofreu significativa mudança com chegada dos tempos contemporâneos, onde a criança passa a exercer um real poder de consumo, principalmente, das novas tecnologias e conseqüentemente é elevada, pelo interesse do marketing, a ocupar um papel de individuo na sociedade, passando a assumir uma postura relevante inclusive no ambiente familiar. O lado positivo desse interesse comercial é que as crianças passam a ser respeitadas enquanto seres de diretos e, esses devem ser preservados.Essa pesquisa nos levou a concluir que os inúmeros jogos, lendas, brinquedos e brincadeiras que foram citados, além de revelar fatos que contam nossa história e organização social, nos permitiu compreender que o mais importante da cultura lúdica é se constituir como um forte elo, que interliga gerações de avós, mães, filhos e netos unificando-os em uma linguagem universal (a linguagem das brincadeiras do tempo de criança) e, portanto, coloca-os em uma gigante roda a cirandar que se repete e propaga através das mais doces lembranças que pudemos guardar
Logo todas as crianças, independente da época, certamente brincaram e brincam porque assim assimilam e elaboram seu pensamento.
A fim de melhor compreender a relação e as influências dos fatos históricos sobre a cultura lúdica se buscou informações, que revelaram algumas curiosidades como, a ?pipa?, ?papagaio? ou ?pandorga?, por exemplo. Conta-se que suas origens se deram no oriente, inclusive, foi utilizada como artifício de guerra por um General Chinês, que ao pretender dominar um território por meio da construção de um túnel utilizou a ?pipa? para calcular a distância a ser escavada. Quanto ao Brasil, segundo a maior parte dos historiadores, constituiu-se basicamente, da mistura de três raças: índios, brancos e negros. Nascendo dessa união não só uma grande diversidade de cor, mas também uma imensidão de crenças, costumes, gostos e sabores o que se refletiu em igual proporção na construção lúdica das atividades que se consagram e se propagam até os dias atuais. A importância da contribuição que cada grupo étnico concedeu para a formação do nosso país pode ser contada através do aporte de cada um desses povos.
Para começar, os índios, primeiros filhos dessa terra, possuíam ritos que geraram lendas e muitas estórias. O bicho papão é um deles, oriundo dos rituais de formação dos ?curumins?. Outros costumes, que pudemos evidenciar nos relatos do autor Gilberto Freyre em sua obra Casa Grande Senzala, eram imitar bichos, brincar com bonecos de barros que as mães índias construíam, criar animais domesticáveis com o intuito de lhes fazer companhia e não somente para saciar a fome e atender interesses econômicos. Com isso as crianças passavam a utilizar estes animais como bonecos em suas brincadeiras, hábito, que surpreendentemente, podemos constatar vivo ainda hoje, na maior parte das famílias que possuem animais de estimação e estes, muitas vezes, servem como companheiros nas brincadeiras e animações das crianças da geração ?zap?. Além disso, podemos citar o gosto das crianças indígenas por viverem em bando, realizando danças e brincadeiras de nado nos rios.
Do povo europeu recebemos muitas heranças que compuseram o repertório de brincadeiras da infância brasileira. Para cá, trouxeram versos e cantigas de roda como o ?pirulito que bate...?, adivinhações ?o que é, o que é?, estórias de bruxas, fadas, homem de sete cabeças, príncipes, castelos, tesouros e muitos outros. Quanto aos jogos trouxeram amarelinha, bolinha de gude, jogo de botão, pião, xadrez, tiro ao alvo, gamão, etc.
Já dos povos dos Africanos, herdamos muitas cantigas, lendas e mitos que foram trazidos através do misticismo religioso desse povo, deuses e animais encantados, como o baoitatá, boi da cara preta (presente em quase todas cantigas de ninar que eram cantadas pelas amas de leite e até hoje são cantadas), Saci Pererê, lobosomem, mula sem cabeça, cuca personagens que estiveram presentes a embalar muitos sonhos dos ?pequeninos?. Também construíam brinquedos de sucata e materiais dispostos na natureza. Além dessas muitas outras contribuições aconteceram, porém é importante lembrar que em especial no caso dos povos negros traficados, existe uma grande dificuldade em resgatar com fidelidade sua história, devido à destruição de muitos documentos, além disso, os negros aqui recém chegados foram separados, pelos traficantes escravistas, dos companheiros que falavam a mesma língua, permanecendo junto pessoas de distintas localidades que utilizavam dialetos diferentes, fato que dificultou a propagação cultural considerando que maior parte dos costumes é transmitido pela oralidade. É o que nos chama a atenção, o autor do livro Jogos Infantis Kishimoto, Tizuko Morchida, mas assim mesmo é possível vislumbrar a importante contribuição deixada por esse povo bravo, guerreiro.
O contexto do curso histórico também exerceu seu grande poder, visto que o brincar é a imitação da realidade que circunda a criança, no Período Colonial pode-se constatar uma tendência a brincadeiras agressivas, com certo teor de brutalidade, (os meninos (as) negro (as) serviam quase como brinquedos dos meninos brancos da Casa Grande) eram reproduzidas as desigualdades e desumanidades em relação a grave descriminação racial que existia nessa época. De um modo geral, a infância era desprovida de direitos sendo vista de forma pejorativa pelos mais ?velhos?, terminando muito cedo, normalmente aos sete anos. Mentalidade que sofreu significativa mudança com chegada dos tempos contemporâneos, onde a criança passa a exercer um real poder de consumo, principalmente, das novas tecnologias e conseqüentemente é elevada, pelo interesse do marketing, a ocupar um papel de individuo na sociedade, passando a assumir uma postura relevante inclusive no ambiente familiar. O lado positivo desse interesse comercial é que as crianças passam a ser respeitadas enquanto seres de diretos e, esses devem ser preservados.Essa pesquisa nos levou a concluir que os inúmeros jogos, lendas, brinquedos e brincadeiras que foram citados, além de revelar fatos que contam nossa história e organização social, nos permitiu compreender que o mais importante da cultura lúdica é se constituir como um forte elo, que interliga gerações de avós, mães, filhos e netos unificando-os em uma linguagem universal (a linguagem das brincadeiras do tempo de criança) e, portanto, coloca-os em uma gigante roda a cirandar que se repete e propaga através das mais doces lembranças que pudemos guardar

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