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Segunda-feira, Setembro 18, 2006

Os muçulmanos na Península Ibérica

Filho, Ruy Andrade
A Península Ibérica, no século VII, se encontrava num processo pré-feudal em virtude da invasão dos visigodos.
O Reino Visigodo, aí instaurado, possuía o soberano Vitiza, seu poderio estava em crise: a sociedade dividida entre poderosos e humildes, existência de medidas antijudaicas, praga nos campos, moeda desvalorizada e o comércio declinava rapidamente.
Em 710 Vitiza morre, seus herdeiros menores não podem reinar, elegem Rodrigo como novo rei.
A aristocracia partidária da família de Vitiza busca apoio com os muçulmanos que se encontravam naquele momento ao norte de Marrocos. Pretendendo que eles ajudassem a depor Rodrigo do poder e garantir a posse de alguém da família de Vitiza.
O governador Musa encaminha o tenente Tarik, em 711, Córdova é conquistada, depois Toledo (sem resistência).
Em 716 concluía-se a tomada de posse dos muçulmanos na Península Ibérica, contrariando os interesses da família de Vitiza.
Ofereceram extenso patrimônio territorial à família de Vitiza, em troca da abdicação do trono; não impuseram a religião aos vencidos ? estavam sujeitos ao pagamento de impostos especiais. Caso os indivíduos se convertessem ao Islamismo estavam submetidos às mesmas condições dos muçulmanos de nascimento. "Hispânia não foi conquistada pelos muçulmanos, mas capitulou".
A decadência do Reino cristão possibilitou uma resignação aos humildes e da aristocracia visigótica aos muçulmanos, intencionando melhores condições de vida.
A única parcela da aristocracia visigoda que resiste ao domínio retira-se para as regiões montanhosas no norte peninsular, são vitoriosos na batalha de Covadonga ? ampliando seu território, mais tarde este minúsculo Reino Asturiano vai iniciar a Guerra da Reconquista do território.
Em 756, o Omíada Abderramã I, fugindo do poder dos Abássidas que o depuseram no Oriente, assume o emirado de Córdova. Neste período, se consolida o poder árabe. Durante o seu poderio houveram inúmeros conflitos com os cristãos estabelecidos no norte.
Abderramã III (926-1031) assume o poder, reduz os focos rebeldes e estando seus inimigos no Islã norte-africano se proclama califa = sucessor do profeta e chefe da comunidade. Corresponde ao mais estável período da civilização hispano-muçulmana.
Em 1031 devido a época pacífica (sem incursões aos cristãos do norte) o peso das estruturas estatais, os estrangeiros, o exército mercenário, Abderramã III é deposto em Córdova ? o último califa omíada.
A organização política que se configura são as taifas, com afinidades tribais, eram pequenos emirados na Península. Com a fragmentação, facilitaram para o avanço cristão na Guerra da Reconquista.
Em 1085 os cristãos recuperam Toledo e algumas taifas buscam reforço militar com as almorávidas na África.
A época almorávida (1090-1145) recoloca a península no circuito das rotas do ouro muçulmano, porém a expulsão dos moçarabes e a corrupção promovem a cisão das segundas taifas (1145-1170).
Os almoadas intervêm (1170-1231) e detêm o avanço cristão, entretanto o poder muçulmano na Península já enfraquecera.
Em 1231 termina o domínio da dinastia africana e se instauram as terceiras taifas que têm vida efêmera.
O único reino muçulmano que sobrevive é Granada, pagando tributo aos cristãos é incrustada em áreas montanhosas.
Em 1492, Fernando e Isabel (os reis católicos) invadem Granada e encerram a Reconquista.
Um problema que os muçulmanos encontraram foi a falta de terra para seus invasores, pois haviam submetido boa parte do território peninsular com pactos de capitulação. Assim as propriedades divididas pertenciam aos mortos em combate, ao clero, aos fugitivos. Delas retirava-se a quinta parte (junis) reservada ao Estado, sendo o restante dividido com os invasores (berberes, flancos) e submetidas ao usufruto dos combatentes.
Desenvolveram sistemas de irrigação e cultivavam arroz, cana-de-açúcar, feijão, grão-de-bico. Expandiram a oliveira, sendo o azeite exportado para o Oriente e África do Norte.
As propriedades eram diferenciadas em terras secas (latifúndios) com regime de parceria ou associação utilizando os camponeses de origem hipano-gótica e as irrigadas (pequenas e médias propriedades).
Possuíam inúmeras cidades com comércio e indústria desenvolvidos. Constituía-se no centro administrativo, religioso, cultural e intelectual.
O trabalho na indústria se efetuava através dos grêmios ao lado destes apareciam as grandes manufaturas do Estado.
A diversidade de ofícios é enorme: padeiros, tecelões, pintores, ourives, ferreiros . . .
Os trabalhos em metais, marfim e vidro criaram obras de arte, a cerâmica de ótima qualidade, a ourivesaria concorria com a bizantina, utilizavam vidros nas construções.
Havia circulação monetária (dinar de ouro e o dirhein de prata).
A sociedade durante o período muçulmano era formada pelos aristocratas (nobreza de serviços), ferberes, conversos, clientes e escravos, moçaberes e judeus.
A cultura se descentralizou nas taifas, a Filosofia recebia impedimentos da religião para se desenvolver. Dentre as principais cidades de atração cultural dstaca-se Córdova, Sevilha, Toledo, Saragoza, Granada e Málaga.
Desenvolveram a literatura ? obras como "O Vivente, filho do vigilante" ? escrita no século XII, o poeta Gazal (a Gazela). O desenvolvimento literário só não foi maior devido às oposições políticas entre Oriente e Ocidente.
Os temas das poesias variavam da natureza, amor, elogio, sátira, prazer, dor, otimismo . . . A prosa eram histórias, relatos, epístolas reinadas . . .
Nas Ciências, traduzem obras da Antigüidade Clássica: índia, Pérsia e China, adaptam, transformam e desenvolvem o astrolábio, obras sobre a magia, tábuas astronômicas, produziram a obra Tratado das medidas e das frações.
Na Medicina desenvolveram as ervas medicinais e as regras de higiene.
Mesmo os humildes procuravam estudar, após adquirir os conhecimentos básicos avançam. No século XI surgem no Oriente as Universidades, no século XIV se instala em Granada voltada para s ciências religiosas.
O explendor do comércio, da indústria e da ciência que os muçulmanos trouxeram para a Península Ibérica não garantiram sua permanência. Os atritos tribais freqüentes, somados à resistência cristã os fez abandonar a Península.
Porém o legado por eles deixado favorece o espírito renascentista precoce da Península em relação à Europa Ocidental e à expansão ultramarina, iniciada no século XIV.
Síntese de Simone Valdete dos Santos

3 Comentários:

Blogger EDILAINE F. V. GUEDES disse...

Texto interessante, fala da trajetória muçulmana e suas heranças ao povo do mundo.

7:31 PM  
Blogger EDILAINE F. V. GUEDES disse...

Texto interessante, fala da trajetória muçulmana e suas heranças ao povo do mundo.

7:31 PM  
Blogger Rosane disse...

Achei o texto interessante porque além de nos mostrar a trajetória histórica dos muçulmanos. Mostra o quanto os atritos tribais estão lado a lado com a religião vigente na época e o quanto a religião tem um aspécto importante na história da humanidade. Também faço uma observação de que os conflitos também deixam heranças positivas para o futuro da humanidade com a sua influência na cultura e no crescimento de um povo.

12:24 AM  

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