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Abertura da CRES 2018 reafirma o compromisso da educação com a transformação social

Dirigentes da UNESCO e autoridades políticas argentinas afirmam a importância dos princípios que orientaram a Reforma Universitária de Córdoba
12/06/2018 12:34

Os 23 mil metros quadrados do Orfeo Superdomo, espaço multiuso da cidade de Córdoba, experimentaram uma tarde diferente nesta segunda-feira (11/06). Acostumado a espetáculos artísticos e eventos esportivos, o complexo foi ocupado por acadêmicos, dirigentes de universidades e de instituições de ensino superior, estudantes, trabalhadores, representante de redes, de associações profissionais e centros de investigação, sindicatos, organizações governamentais e não governamentais e interessados na educação superior. O Orfeo foi o espaço escolhido para receber a cerimônia de abertura da Conferência Regional de Educação Superior (CRES) 2018, que acontece até dia 15 de junho.

Cerca de cinco mil pessoas estiveram na cerimônia de abertura, iniciada com uma mesa inaugural formada por dirigentes da UNESCO e autoridades políticas argentinas. Francisco Tamarit, coordenador geral da CRES 2018, o primeiro a se dirigir ao público, afirmou que a educação superior precisa ser reconhecida e reafirmada como "direito universal e compromisso público”. Tamarit defendeu que “como os jovens reformistas de 1918, devemos lutar por liberdades que nos faltam. Encontremos sempre a força de trabalharmos para acabar com a pobreza. Esse deve ser o propósito da educação superior em nossa região”.

O intendente de Córdoba, Ramon Javier Mestre, no cargo desde dezembro de 2011, destacou que “as universidades têm a responsabilidade de fazer a diferença. É necessário que deixemos de ter universidades replicadoras e passemos a ter universidades inovadoras”. O administrador da cidade sede da CRES 2018 aproveitou para dar boas vindas a todos os participantes e a todas as instituições de ensino superior e organizações vinculadas à educação superior.

Stefania Giannini, diretora geral adjunta da UNESCO para a Educação, se dirigiu a plateia em três línguas (espanhol, inglês e italiano) reafirmando o compromisso e a necessidade do reconhecimento das diferenças regionais. Stefania destacou que a defesa da educação como direito humano fundamental é a missão mais importante da UNESCO no momento. Para ela, a CRES 2018 é essencial para colocar a educação superior no centro da agenda política de todos os governos. “Córdoba é o local perfeito para nosso encontro”, salientou. Ainda segundo a dirigente da UNESCO, “o grito de Córdoba deu início às transformações que ainda se fazem necessárias nos dias atuais”.

Em tupi-guarani, o diretor do Instituto da UNESCO para a Educação Superior para a América Latina e Caribe (Iesalc) e coordenador da CRES 2018, Pedro Henirquez Guajardo, saudou os presentes. Em seu discurso, com trechos em português, espanhol e inglês, ele afirmou que a adoção de políticas públicas na região é um desafio em razão da heterogeneidade dos sistemas educacionais. “Efetivamente, somos diversos, mas, da mesma forma, somos assimétricos”, destacou. Para Guajardo, a terceira Conferência Regional de Educação é determinante para assumirmos que há compromissos pendentes em nossos sistemas em torno da cobertura, da qualidade, da inclusão. “É preciso debater, dialogar, reconhecer consensos e dissensos”, reforçou.

O reitor da Universidade Nacional de Córdoba (UNC) e co-anfitrião da Conferência, Hugo Juri, destacou que as comunidades acadêmicas têm uma importante missão pela frente: enfrentar o Banco Mundial que apresenta a educação como bem individual. O reitor da UNC salientou que “voltam a surgir com força atores que querem privatizar o sistema público de educação. A nossa resposta deve ser a reafirmação doa princípios doutrinários e dos objetivos CRES 2008”. “Este é um momento histórico. Este é o nosso momento histórico”, completou.

O encerramento da sessão de abertura coube ao Ministro da Educação da Argentina, Alejandro Oscar Finochhiaro. Sob protestos de estudantes presentes à cerimônia de abertura da CRES 2018, o ministro destacou que a universidade deve servir à sociedade. “Esta conferência é um espaço sério de análise, de fortalecimento das instituições universitárias”, afirmou. Finochhiaro destacou ainda que a educação deve ser como percebida como instrumento para a superação das desigualdades e para a promoção de uma cultura de paz.

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