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Astrônomos divulgam descoberta de novos sistemas estelares satélites da Via-Láctea

Professor da UFRGS Basílio Santiago coordenou um dos grupos de trabalho do projeto, que reuniu mais de 300 participantes de cinco países
10/03/2015 08:13

Um grupo internacional de astrônomos anunciou nesta terça-feira, 10 de março, a descoberta de oito novos sistemas estelares satélites da nossa Galáxia, a Via-Láctea. Os responsáveis pela descoberta participam do projeto Dark Energy Survey (DES), um levantamento profundo de uma ampla região do Hemisfério Sul que envolve mais de 300 participantes de dezenas de instituições dos EUA, Reino Unido, Brasil, Espanha e Alemanha. O grupo de trabalho internacional do DES que lida com a Via-Láctea, o DES-MW, é coordenado pelo professor do Departamento de Astronomia da UFRGS Basílio Santiago. Seus alunos e pós-doutorandos estiveram entre os primeiros a identificar os novos objetos. A análise dos dados foi liderada pelos astrônomos norte-americanos Alex Drlica-Wagner e Keith Bechtol.

Os satélites recém-descobertos são constituídos por estrelas velhas e pobres em elementos químicos pesados, o que é típico das estrelas situadas no halo estelar, o componente mais externo da nossa Galáxia. Os objetos variam em tamanho e distância, mas a maioria é mais consistente com a definição de uma galáxia anã do que com a de um aglomerado estelar. Caso sejam confirmadas como galáxias anãs, a descoberta aumenta em 1/3 o número desses objetos conhecidos que orbitam em torno da Via-Láctea.

Segundo Santiago, a importância da descoberta está não apenas no aumento do censo de satélites da galáxia, mas também no fato de que as propriedades deste sistema de satélites permitem testar os modelos de formação de estruturas cósmicas. O modelo mais aceito atualmente é de um universo formado por energia escura, um componente misterioso do universo que faz com que ele se expanda de forma acelerada, e por matéria escura, um tipo diferente da matéria constituída por prótons, nêutrons e elétrons que se agrupam nos elementos da tabela periódica.

De acordo com o professor, as simulações de galáxias que utilizam esse modelo parecem prever um número acentuadamente maior de satélites do que o observado, daí a necessidade de se ter um censo o mais completo possível para avaliar se o modelo precisa ser revisto. Outro aspecto importante é o de que as galáxias anãs do halo galáctico são os objetos mais ricos em matéria escura conhecidos. Seu estudo detalhado nos permite conhecer melhor a natureza da partícula de matéria escura distribuída em todo o Universo e que parece dominar a gravidade dentro da galáxia.

A identificação de parte dos objetos foi feita com a utilização de ferramentas desenvolvidas pelo DES-Brazil, disponíveis em um portal científico acessível via web para a colaboração. A participação brasileira no DES é gerenciada pelo Laboratório Interinstitucional de e-Astronomia (LIneA), que tem como objetivo a promoção da participação de pesquisadores brasileiros em grandes projetos internacionais que envolvam o uso intensivo de tecnologia da informação.

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