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Balduíno Antonio Andreola é o novo professor emérito da UFRGS

Docente e pesquisador em Educação, emérito dedicou-se à educação popular, à educação do campo, aos movimentos sociais e ao diálogo intercultural. Trajetória acadêmica marcada também pela sensibilidade e pela esperança foi lembrada na sessão de outorga do título
28/03/2019 14:12

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Em cerimônia alegre e descontraída realizada na manhã desta quinta-feira, na Sala dos Conselhos, na Reitoria, foi outorgado a Balduíno Antonio Andreola o título de professor emérito da UFRGS. A homenagem, proposta pela Faculdade de Educação, reconhece a carreira de Balduíno como professor e pesquisador numa trajetória de 32 anos na UFRGS e que se seguiu em outras instituições após sua aposentadoria como professor titular da FACED em 2003, com ênfase em educação popular, educação do campo, movimentos sociais e diálogo intercultural.

Teólogo e filósofo, mestre em Educação pela UFRGS e em Psicopedagogia pela Université Catholique de Louvain, doutor em Ciências da Educação pela mesma universidade da Bélgica e pós-doutor em Educação pela UFRGS, Balduíno foi diretor da Faculdade de Educação entre os anos de 1989 e 1992. Sua liderança neste período foi lembrada pelo orador da cerimônia, o professor Jaime Zitkoski, que destacou a gestão pautada pela democratização dos espaços e das formas de participação da comunidade acadêmica e pela abertura e reconhecimento do protagonismo dos movimentos sociais, promovendo debates sobre questões urgentes da sociedade brasileira a partir da redemocratização do País nos anos de 1980. Zitkoski resgatou também o apoio do diretor ao fortalecimento do debate das questões étnico-raciais na Universidade com a criação do Centro de Estudos da Cultura Negra. Lembrou também da atuação do professor na linha de pesquisa Educação Popular e Movimentos Sociais no PPGEDU, em que orientou diversas dissertações e teses diretamente relacionadas ao tema da educação popular e da pedagogia de Paulo Freire.

Destaca-se ainda na fala do orador sua admiração pelo “intenso bom humor, pela alegria e pela profunda sensibilidade” do emérito. A estas qualidades, Zitkoski somou outras que marcam a convivência com Balduíno: “Baldô (apelido pelo qual professor é conhecido na FACED) é sinônimo de diálogo respeitoso com o outro e de coerência teórico-metodológica”. O orador concluiu sua exposição afirmando que a homenagem é uma forma de “revigorar nossas esperanças e promover o encontro celebrativo da vida, de sua obra, de seu pensar e fazer ético-estético-político-pedagógico-epistemológico-afetivo”.

Na presença de familiares, amigos, colegas e ex-alunos, Balduíno fez um discurso forte e bem-humorado, alegre e esperançoso, entrecortado por leituras de alguns de seus poemas, pela citação de nomes de companheiros de trajetórias e de sonhos e por palmas, muitas palmas. Lembrando períodos autoritários e decisões difíceis que fizeram parte de sua vida, o emérito fez um apelo: “Nos juntemos”, disse ele, revelando dois sonhos. O primeiro é um chamamento para que a fragmentação das ciências e das disciplinas não impeça que pesquisadores de várias áreas se juntem, se encontrem, com periodicidade, em diálogos interdisciplinares e transdisciplinares a partir de diferentes olhares para os problemas e desafios comuns. O segundo sonho é uma aproximação entre ciência e religião, um diálogo mais amplo entre universidade e igreja. Segundo ele, “precisamos nos juntar para responder à magnitude dos desafios que nos rodeiam”.

Balduíno, que voltou à FACED em 2015 para o pós-doutorado, do qual resultou a tese “Emotividade versus Razão: por uma pedagogia do coração”, sempre apostou na “humano-docência e no exercício do magistério enquanto uma reserva imensa de esperança”, conforme as palavras do orador. Com seu olhar crítico para a realidade, Balduíno esteve à frente da mobilização para ampliar a formação de educadores e pesquisadores inspirados na Pedagogia Freireana, e lançou a ideia de criação no Rio Grande do Sul do Fórum de Leituras Paulo Freire, que iniciou no ano de 1999 na Unisinos e agora completa 20 anos, articulando estudantes de licenciaturas, professores, pesquisadores e lideranças de movimentos sociais populares em projetos e ações em prol de uma educação humanizadora. Ao encerrar sua fala, Balduíno foi homenageado com uma música composta especialmente para a cerimônia e foi convidado para uma trova, a qual se juntou, num ambiente festivo e amigo.

O reitor Rui Vicente Oppermann destacou as questões atuais que emérito apresentou em seu discurso. Segundo ele, ao abordar o presente e ao falar do que está fazendo, Balduíno deixa uma grande lição, principalmente em um momento em que a educação popular sofre perseguição e em que se ameaça a legislação de reserva de vagas no ensino superior. Oppermann disse que Balduíno traz na sua história a “irresignação” e que é preciso continuar a luta dele e de tantos outros pesquisadores que ajudou a construir os 85 anos que a UFRGS celebra em 2019.

Integrou a mesa da sessão solene, além do reitor e do homenageado, o diretor da Faculdade de Educação Cesar Valmor Machado Lopes.

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