Ir para o conteúdo Ir para a navegação

Você está aqui: Página Inicial Notícias Conferências UFRGS promove palestra com Céli Pinto

Conferências UFRGS promove palestra com Céli Pinto

Proposta do ciclo de palestras tem como tema “Cultura: para uma política cultural da UFRGS”
23/04/2019 12:47

A próxima palestrante do Conferências UFRGS 2019, que ocorre no dia 24, às 19h, no Centro Cultural, será a professora titular aposentada da UFRGS Céli Pinto. O ciclo de debates do Conferências neste ano discute a política cultural da Universidade. Ao fim do ano, o conteúdo da série de palestras será a base de um documento a ser encaminhado ao Conselho Universitário para que seja definida a política cultural da UFRGS. O tema da palestra desta quarta é Responsabilidades em tempos de (des)democratização.

Céli Pinto é uma reconhecida militante das causas progressistas e defensora da universidade pública.  O DDC entrevistou a professora. Na conversa, Céli aborda a importância da universidade atualmente, a cultura da resistência, entre outros assuntos. Confira:

 

Difusão Cultural – Qual o tema da sua palestra no próximo Conferências UFRGS?

Céli Pinto – Vou falar sobre Responsabilidades em tempos de (des)democratização.

 

DDC – A (des)democratização acredito que seja uma crítica aos momentos atuais de ruptura de uma série de conquistas no país na questão política, de desvalorização da cultura…

CP – Quando eu falo isso, falo em algo mais amplo que o Brasil. É sobre o momento do capitalismo internacional, esse neoliberalismo do século XX. Ele esgotou a sua possibilidade de se desenvolver em regime democrático. É também sobre as manifestações mundiais a respeito da democracia (a sua desvalorização) e sobre o crescimento da extrema direita no mundo.

 

DDC – O mundo passa por uma luta de valores entre os neoconservadores das democracias liberais, como Viktor Orbán, na Hungria, Bolsonaro, no Brasil, Trump, nos EUA, contra os progressistas mundo afora. Aquele grupo alega que representa o resgate de valores judaico-cristãos.

CP – Acho que é pior do que isto. Não é o resgate. Essa nova onda de extrema direita bate de frente com os valores liberais. Há uma contradição com o neoliberalismo. Tu tens um discurso político que não é liberal em relação aos direitos e costumes. Quanto a isso, a universidade tem uma importância fundamental de resistência a estes tempos de obscurantismo, de anti-intelectualismo.

DDC – A universidade tem o dever de resistir por meio de pautas progressistas para barrar movimentos retrógrados?

CP – A universidade não precisa de pautas progressistas, mas simplesmente garantir os direitos conquistados na Constituição de 1988. Nós já temos essas prerrogativas. Devemos mantê-las.

 

DDC – Até que ponto a política e a perseguição ao fazer artístico nos dias atuais interferem na questão cultural?

CP – Tu vais sempre encontrar uma maior reflexão nas áreas artística, cultural, literária, científica, como ciências sociais e história. Portanto, são áreas mais perigosas para o governo, que tem uma reflexão primária sobre diversos assuntos, diria até boba. São áreas do conhecimento que fazem uma crítica qualificada. Nós temos no Brasil um processo educacional cheio de falhas, com uma população pouco letrada, que não tem acesso à cultura. Há um desprezo pela alta cultura. O que mais se aproxima do público mais iletrado é o que a televisão aberta oferece. Se conversarmos com pessoas com menos condições econômicas sobre a UFRGS, boa parte dirá que ela é coisa de filhinho de papai, mesmo que não seja verdade. Elas não consomem peças de teatro ou museus. Não se sentem autorizadas.

Informações do Site do DDC.

Universidade Federal do Rio Grande do Sul

Av. Paulo Gama, 110 - Bairro Farroupilha - Porto Alegre - Rio Grande do Sul
CEP: 90040-060 - Fone: +55 51 33086000