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Correção da acidez do solo pela calagem melhora a fixação biológica de nitrogênio da atmosfera e eleva a produtividade da cultura da soja

Artigo apresenta efeito da correção da acidez do solo, da estratégia de fertilização e do pastejo sobre a fixação biológica de nitrogênio e a produtividade da soja
09/09/2021 09:13

Artigo publicado recentemente na revista Soil &Tillage Research mostra a importância da correção da acidez do solo pela calagem para a fixação biológica de nitrogênio por bactérias do gênero Bradyrhizobium. O estudo é do doutorando do Programa de Pós-Graduação em Ciência do Solo da UFRGS Lucas Aquino Alves. Com o título Biological N2 fixation by soybeans grown with or without liming on acid soils in a no-till integrated crop-livestock system, o artigo apresenta os resultados de estudos que Lucas vem realizando desde o mestrado no mesmo PPG sob orientação do professor Tales Tiecher.

O tema central da pesquisa de doutorado de Lucas é a dinâmica da acidez do solo em sistemas de produção agropecuários, e o artigo publicado na Soil & Tillage Research é o primeiro resultante da tese que está em fase de elaboração. A partir de dados obtidos do experimento do seu mestrado, quando também foi orientado por Tales Tiecher e defendeu a dissertação Atributos químicos do solo em sistemas integrados de produção de grãos e ovinos de corte, Lucas teve o interesse de analisar como a correção da acidez pela calagem poderia afetar a quantidade de nitrogênio fixado pelas bactérias e como isso impactaria na produtividade da soja, que é a principal commodity agrícola do Brasil. Ele verificou que já havia trabalhos que observavam os efeitos diretos da acidez do solo na fixação de nitrogênio pelo rizóbio, mas que não havia estudos que mensurassem o que isso realmente representava em termos quantitativos (kg ha-1 de nitrogênio fixado), o grau de impacto na produtividade da soja e na eficiência do sistema de produção.

O estudo de Lucas teve como objetivo avaliar o efeito da correção da acidez do solo com a calagem, a estratégia de fertilização e pastejo sobre a fixação biológica de nitrogênio e a produtividade da soja em um sistema de integração lavoura-pecuária. De forma geral, os resultados mostram que a calagem aumenta a fixação biológica de nitrogênio e proporciona maiores rendimentos à soja. O pesquisador destaca que a fixação biológica de nitrogênio é um processo natural que, de certa forma, não exige grandes investimentos. “A soja é uma cultura que depende de muito nitrogênio, então, se tivesse que obtê-lo com o uso de fertilizantes nitrogenados ou por meio do nitrogênio mineral do solo, resultaria em um custo imenso de produção. Isso inviabilizaria a cultura da soja no Brasil e no mundo. Vimos, assim, que a correção do solo é extremamente importante porque melhora a disponibilidade de nutrientes e diminui a toxidez com alumínio, resultando em maior desenvolvimento das raízes, além de favorecer as bactérias que fixam o nitrogênio na planta. Isso com certeza vai impactar no sucesso econômico do sistema de produção”, destaca Lucas.

Os dados foram obtidos de um experimento instalado em uma área de 4,8 hectares na Estação Experimental Agronômica da UFRGS, no município de Eldorado do Sul, conduzido em parceria por três grupos de pesquisa: Grupo de Pesquisa em Sistema Integrado de Produção Agropecuária (GPSIPA)Grupo de Pesquisa Ecologia do Pastejo (GPEP); e Interdisciplinary Research Group on Environmental Biogeochemistry – IRGEB (Grupo Interdisciplinar de Pesquisa em Biogeoquímica Ambiental). Mais recente entre os grupos, criado em 2018 por iniciativa de professores do Departamento de Solos da UFRGS, o IRGEB atua nas áreas de química, fertilidade e conservação do solo. Com pouco mais de três anos, o grupo soma mais de 60 publicações, entre artigos, livros e capítulos de livros, teses e dissertações.

A área experimental é cultivada com soja no verão e azevém italiano (como cultura de cobertura ou pastoreado por ovelhas) no inverno. As estratégias de pastejo e fertilização utilizadas no experimento não afetaram as propriedades de acidez do solo nem o suprimento de nitrogênio, nem as avaliações da soja, mas a correção da acidez pela calagem mostrou bons resultados na produtividade da cultura, que chegou a ganhos de 11%. Conforme o estudo, a calagem aumenta o rendimento da cultura de soja, o crescimento da planta e a quantidade de nitrogênio fixado. Também aponta que o pH e a saturação de alumínio são as propriedades relacionadas à acidez do solo que mais afetam negativamente a fixação biológica de nitrogênio pela cultura da soja. A calagem, portanto, reduz a dependência de fertilizantes sintéticos e a necessidade de obtenção de nitrogênio a partir da mineralização da matéria orgânica do solo, aumentando a sustentabilidade do sistema de produção.

Confira a matéria completa no UFRGS Ciência.

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