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Debate aborda o futuro de universidades públicas e Colégios de Aplicação

Atividade faz parte do Seminário de Institutos, Colégios e Escolas de Aplicação
14/11/2019 12:25

O futuro das universidades públicas e dos Colégios de Aplicação foi tema de debate nesta quinta-feira, 14 de novembro, na Sala 2 do Salão de Atos da UFRGS. Participaram da mesa de discussões o reitor Rui Vicente Oppermann, o professor da Faculdade de Educação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Roberto Leher e o presidente do Conselho Nacional dos Dirigentes das Escolas de Educação Básica das Instituições Federais de Ensino Superior (Condicap) e professor da Escola de Aplicação da Universidade Federal do Pará (UFPA), Walter Silva Júnior. A mediação foi realizada pelo diretor do Colégio de Aplicação da UFRGS, Rafael Vasques Brandão. A atividade integra o 10º Seminário de Institutos, Colégios e Escolas de Aplicação, que começou na última terça-feira (12) e segue até o final da tarde de hoje.

Leher deu início ao debate ressaltando que não se pode falar do futuro dos Colégios de Aplicação sem discutir o futuro das universidades públicas brasileiras. Também promoveu uma reflexão acerca da conjuntura atual, de ofensiva às universidades, à ciência, à produção artística e cultural e aos valores do Iluminismo e da revolução francesa – não só no Brasil como em diversas partes do mundo. A descomplexificação do Estado, com o esvaziamento de órgão e conselhos ligados à ciência, e o “estrangulamento paulatino de recursos”, reforça o professor, ocorrem em “profunda convergência dos blocos econômico e fundamentalista do governo”. Para ele, a relação com o ensino básico é um dos eixos estratégicos para a defesa da universidade pública, e os Colégios de Aplicação “abrem uma possibilidade de diálogo muito importante com os 50 milhões de estudantes da educação básica do país”.

Oppermann, por sua vez, contextualizou o histórico de democratização do acesso ao ensino superior, os ataques direcionados às universidades federais e os desafios impostos a essas instituições com alguns dados. Entre 2005 e 2017, duplicou o número de alunos de graduação e triplicou os de pós-graduação nas Instituições Federais de Ensino (Ifes). Também aumentou o número de estudantes proveniente de escolas públicas – que hoje são maioria – e os com famílias com renda de até 1,5 salário mínimo por pessoa, que passa dos 80% do total em alguns estados e chega a 63% no Rio Grande do Sul. O reitor também abordou as restrições orçamentárias, que se aprofundam desde 2014, e o projeto Future-se, que, conforme Oppermman, é uma “tentativa de privatizar o financiamento das universidades federais por razões econômicas e ideológicas”, comprometendo a qualidade do ensino superior e da produção científica.

“Enxergo um futuro bem crítico em relação a essa crise política que vivenciamos”, afirmou Silva Júnior, destacando que esta não é uma crise econômica. O governo, segundo ele, elegeu como inimigos públicos número um a educação e as universidades públicas. “É preciso resgatarmos as nossas lutas, as nossas manifestações, os avanços e as conquistas”, enfatizou. De norte a sul, comenta o professor, as Escolas de Aplicação enfrentam realidades parecidas. Apesar das diferenças regionais, oferecem educação básica, pública e de qualidade. “Educação é essencial para a mudança de uma sociedade como a nossa. Se a gente ficar no anonimato, não se manifestar, o governo vai fazer o que quiser com a gente”, reforçou.

Com o tema Educação para a democracia: cidadania, diversidade e direito ao conhecimento, o 10º Seminário de Institutos, Colégios e Escolas de Aplicação tem como objetivos debater os desafios da educação para o fortalecimento da democracia e promover trocas de experiências e colaborações. A programação inclui debates, reuniões, apresentações de trabalhos, oficinas, atividades culturais e mostra de projetos de ensino, pesquisa e extensão.

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