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Dissertação analisa a adaptação do livro O Conto da Aia para a televisão

Trabalho defendido no PPG Letras da UFRGS investigou as diferenças da construção da protagonista no romance de Margaret Atwood e na série produzida pelo serviço de streaming Hulu
07/10/2021 13:18

Analisar a adaptação televisiva do romance “O Conto da Aia” (The Handmaid’s Tale), da escritora canadense Margaret Atwood – especificamente a construção da protagonista da trama – foi o objetivo do trabalho desenvolvido durante o mestrado de Fernanda Menegotto. A dissertação, defendida no Programa de Pós-graduação em Letras da UFRGS, buscou investigar as mudanças de caracterização da protagonista June Osborne (no romance, chamada apenas de Offred) no livro, publicado em 1985, e na série, lançada em 2017 pelo serviço de streaming Hulu. Uma das conclusões da pesquisadora foi que determinadas características do formato serial televisivo estadunidense, como a necessidade de manter a história em aberto para prender o interesse dos telespectadores, influenciaram na forma como a personagem é apresentada na série, em comparação com o livro.

ENTENDA A HISTÓRIA

Um golpe de estado liderado por fundamentalistas cristãos derruba o governo estadunidense e instala a República de Gilead. O novo regime, de caráter totalitário, é baseado no Antigo Testamento e retira direitos de mulheres e outras minorias. A personagem principal, Offred, é transformada em “aia”, categoria destinada às mulheres férteis e “pecadoras”, que devem gerar filhos para os Comandantes (líderes do regime) em estupros ritualizados. As aias são destituídas de seus nomes reais e passam a ser denominadas a partir do nome de seus Comandantes. No caso da protagonista, como o Comandante ao qual é designada chama-se Fred, ela passa a ser chamada de “Offred” (“pertencente a Fred”, em inglês).

Fernanda conta que iniciou o mestrado em 2018 já com a ideia de estudar a série. Inicialmente, ela pensava em relacionar as diferenças entre o romance e o programa televisivo com os movimentos feministas de cada época (1985 e 2017). Conforme ia lendo certos materiais e referências, constatou que o formato televisivo tinha uma influência ainda maior sobre a caracterização de June (nome real da protagonista, revelado apenas na série) e decidiu mudar o rumo do projeto.

A principal diferença percebida por Fernanda é que, no romance, Offred integra uma tradição distópica de protagonistas que são mais testemunhas do que personagens que agem naquele mundo. “Ela não tem espaço na distopia pra agir contra aquele sistema”, diz. A pesquisadora destaca que, nas distopias, o autor busca que aquele universo representado reflita, de alguma maneira, o mundo atual. “Só que isso é feito de maneira exacerbada, pois é uma reflexão do autor sobre aonde certas tendências contemporâneas podem nos levar”, explica. Ela acrescenta que, para o autor da distopia clássica, não é uma preocupação mostrar como derrubar aquele sistema, e sim alertar as pessoas antes que se chegue àquela situação. “No momento em que se chega lá, o autor normalmente enfatiza o quão difícil é destruir aquele sistema e o quão ‘desempoderado’ é o indivíduo naquelas circunstâncias.” É por isso que, a partir do referencial teórico, a pesquisadora defende a ideia de que a distopia tem esse “aviso” como o marco central para a definição do gênero.

Na série, porém, a caracterização da personagem é bastante diferente desde a primeira temporada, e isso se acentua nas seguintes. “O que se vê é a construção de uma personagem que começa a entender o seu lugar naquele mundo e perceber que ela quer agir pra destruir aquilo ali”, afirma a pesquisadora. Por exemplo: se, no romance, para manter a própria sanidade, Offred não se permite pensar na filha que lhe foi tirada pelo governo de Gilead, na série a personagem menciona a filha constantemente como motivação para resistir ao sistema.

Confira a matéria completa no UFRGS Ciência.

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