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Doutoranda do PPG em Geociências da UFRGS tem pesquisa publicada em periódico internacional

Trabalho de Carolina Gonçalves Leandro foi publicado na 'Nature Communications' e aborda eventos que formaram as grandes ocorrências de petróleo e gás do Pré-Sal
02/06/2022 16:20

A aluna de doutorado Carolina Gonçalves Leandro, do Programa de Pós-Graduação em Geociências da UFRGS, sob supervisão do professor Jairo Savian, publicou o artigo Astronomical tuning of the Aptian stage and its implications for age recalibrations and paleoclimate events no periódico Nature Communications. A pesquisa é resultado da cooperação entre UFRGS e Petrobras no projeto “Processamento e interpretação de dados magnetoestratigráficos do Cretáceo das Bacias Brasileiras”, que teve início em 2019.

“A ideia deste projeto surgiu de uma demanda da Petrobras para melhorar os modelos de idade, ou seja, quando aconteceram os eventos que formaram as grandes ocorrências de petróleo e gás do Pré-Sal. Existe ainda muita dúvida e controvérsia quanto a isso”, explica Jairo. “Como o oceano Atlântico ainda estava em processo de abertura, o mar era muito restrito, e, por isso, é difícil encontrar marcadores que possam ser comparados com outras partes do mundo”, completa.

O professor conta que o projeto objetiva, portanto, aplicar a magnetoestratigrafia à indústria do petróleo, de modo a realizar a datação relativa da rocha e a correlação entre seções de diferentes regiões do planeta. A magnetoestratigrafia é uma técnica moderna que usa as variações do campo geomagnético e da concentração de minerais magnéticos registrados nas rochas como marcadores geocronológicos.

A pesquisa

A problemática que foi o ponto de partida para a pesquisa baseia-se no debate com relação à idade da transição Barremiano-Aptiano. “Esta transição é marcada pela última reversão do campo geomagnético (M0r) antes de um período longo de calmaria, o Superchron Normal do Cretáceo, onde o campo geomagnético ficou aproximadamente 38 milhões de anos sem reverter”, ressalta Jairo. “As tabelas do tempo geológico mais antigas sugerem uma idade de 126 milhões de anos para esta transição. No entanto, outros trabalhos que se baseiam em datações absolutas em rochas vulcânicas sugerem que essa transição seria cerca de 5 milhões de anos mais jovem, em torno de 120 a 121 milhões de anos”, comenta o professor.

O trabalho de Carolina confirmou as datações absolutas em rochas vulcânicas, datando o limite do Barremiano-Aptiano em aproximadamente 120 milhões de anos, mudando assim a tabela do tempo geológico em cerca de 5 milhões de anos. A pesquisa também estabeleceu a idade e duração de todos os eventos anóxicos oceânicos e também das ocorrências de foraminíferos e nanofósseis do período Aptiano. “Isso é inédito e dará subsídios para a correlação desta bacia do oceano Tétis com as bacias brasileiras onde ocorre o Pré-Sal”, afirma Jairo Savian.

O fato da pesquisa ter sido publicada na Nature Communications é muito importante para a Universidade na visão do professor. “Este periódico só publica assuntos que sejam de grande relevância científica para uma determinada área, mas que implique também em outras”, conclui.

O artigo completo está disponível em: www.nature.com/articles/s41467-022-30075-3.

Legenda: Pesquisa abordou todos os eventos climáticos do período Aptiano. Imagem: Divulgação.

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