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Inovação em modelos de pele artificial é selecionada em edital de investimento para empreendedores

Edição 2020 do Programa Doutor Empreendedor contemplou proposta que une empresa de doutora pela UFRGS e o PPG em Odontologia
28/07/2020 14:53

A proposta de inovar nos modelos de pele artificial da start up Núcleo Vitro rendeu à empresa um lugar entre as 20 selecionadas pelo Programa Doutor Empreendedor, da FAPERGS em parceria com Sebrae RS e CNPq. A empresa foi criada em 2019 por Bibiana Franzen Matte, doutora em Patologia Bucal pelo Programa de Pós-Graduação em Odontologia (PPGODO) da UFRGS, e atua no setor de biotecnologia, voltada a pesquisas de segurança e eficácia para produtos de saúde humana com base na biologia celular e molecular. A proposta da Núcleo Vitro tem como objetivo elaborar modelos inovadores de pele artificial semelhantes à pele humana, simulando processos de envelhecimento e complexificando a pigmentação do tecido. O desenvolvimento será acompanhado por dois anos, e o projeto terá tutoria do professor Marcelo Lamers, do PPGODO, que foi orientador de Bibiana na graduação e no doutorado. Os dois assinam, junto com o colega de empresa Leonardo Francisco Diel, doutorando em Odontologia pela UFRGS, o pedido de patente registrado junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) intitulado “Dispositivo, método e sistema de cultivo celular”, que aguarda aprovação.

A inclusão na lista de contemplados, além do reconhecimento do trabalho, significa também mais um passo no caminho que une a pesquisa ao mercado. Bibiana lembra que, já ao ingressar no doutorado em Odontologia, em 2016, planejava levar as questões e soluções do laboratório para um empreendimento, tratando de uma antiga discussão bioética na sociedade, o uso de animais em testes: “O desenvolvimento de pele artificial é uma boa solução para substituir os testes em animais. Em 2019, criei a Núcleo Vitro para trabalhar com essa pesquisa”, aponta Bibiana. A start up faz parte da Rede Zenit da UFRGS, ligada ao Parque Científico e Tecnológico de mesmo nome, e se dedica a outras áreas além dos modelos de pele artificial, segmento em que atende majoritariamente clientes das áreas de cosméticos e farmácia.

Em 2020, como não poderia ser diferente tratando-se de uma empresa da área da saúde, a Núcleo Vitro também está colocando esforços no combate ao vírus. A  companhia avalia se produtos para mãos e superfícies, disponíveis no mercado ou em desenvolvimento, conseguem de fato eliminar o vírus.

Do laboratório para o mercado - Bibiana aponta ainda que foi preciso superar algumas dificuldades para concretizar a transformação da pesquisa em empreendimento: “tive dificuldade de transição da vivência acadêmica para o mercado, mas participei da Maratona do Empreendedorismo na UFRGS e foi de extrema valia para entender os trâmites burocráticos e rotina de uma empresa”. Agora, os benefícios do edital serão usados para incrementar a pesquisa com pele artificial e a capacidade de produção da empresa. Bibiana explica que a simulação de tonalidade na pele artificial já existe, mas a Núcleo Vitro seria pioneira no Brasil, enquanto emular o processo de envelhecimento é uma inovação no setor. “A pele humana tem uma camada mais externa que produz as diferentes pigmentações que vemos, mas o modelo mais simples não usa essa substância, e podemos ser os primeiros no Brasil a usar. Já mimetizar em laboratório o processo de envelhecimento é uma inovação, mas é mais complexo, até porque o envelhecimento pode ser causado por vários fatores”.

Além dos avanços no produto, a empresa planeja adquirir uma bioimpressora, para otimizar a produção, estimando reduzir o custo e o tempo de operação: “uma coisa é a produção artesanal, outra é em ‘escala industrial’, por assim dizer. Parte do processo será automatizada, então um funcionário pode se dedicar a outras coisas durante a produção, por exemplo. Imaginamos que, com os avanços no produto e no sistema de produção, possa haver um aumento da demanda e talvez até possamos trabalhar com outros nichos de mercado”, complementa.

Inovação - O Programa Doutor Empreendedor é uma parceria da FAPERGS, do Sebrae RS e do CNPq. O programa selecionou 20 propostas, que dividirão R$ 3,5 milhões em investimento, por meio da concessão de bolsas de pós-doutorado de até dois anos, e capacitações na área de gestão. A UFRGS foi a instituição com mais propostas contempladas, com 7 projetos aprovados. Destaca-se entre as vencedoras o protagonismo feminino: 15 dos projetos têm liderança de mulheres.

Clique aqui para saber mais sobre os projetos selecionados na edição 2020 do programa Doutor empreendedor.

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