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Instituto de Física faz homenagem a Fernando Zawislak

08/11/2019 16:56

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A trajetória acadêmica e profissional de Fernando Zawislak e a influência dessa caminhada na história do Instituto de Física (IF) e na vida dos alunos foram rememoradas por Pedro Grande e Johnny Ferraz Dias, coordenadores do Laboratório de Implantação Iônica, e por Irene Garcia, João Alziro Jornada, Israel Baumvol e Daniel Lorscheitter Baptista, ex-alunos do professor. A homenagem ocorreu na tarde de ontem no Anfiteatro Antônio Cabral do IF.

Após se formar em física pela UFRGS em 1958, Fernando Zawislak realizou estágio de dois anos no Laboratório Van de Graff da Universidade de São Paulo, onde teve os primeiros contatos com a pesquisa. Em seguida, retornou ao Instituto de Física da Universidade e iniciou e coordenou um grupo de pesquisa experimental na área de Física Nuclear usando a técnica de correlação angular. No final da década de 1960, foi fazer o seu pós-doutorado no Instituto de Tecnologia da Califórnia. A instituição americana estava iniciando estudos na área de implantação iônica e análise por feixe de íons. O novo campo despertou o interesse de Zawislak.

Em 1979, o docente mudou de área de pesquisa e passou a trabalhar pela construção do laboratório implantação iônica e uso de técnicas de feixes de íons para modificação e análise de materiais na UFRGS. Somente em 1982, conseguiu recursos da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) para fundar o Laboratório de Implantação Iônica (LII) mediante a aquisição de um acelerador de 400 kV. Em 1996, realizou a compra de um acelerador de 3 MV, o qual permitiu ampliar as atividades do laboratório para novos campos.

Durante a década de 1990, Zawislak participou do planejamento e da obtenção de recursos do Centro de Microscopia Eletrônica da Universidade e da criação do Programa de Pós-Graduação em Ciência dos Materiais (PGCIMAT). O professor aposentou-se em 2005, mas continuou coordenando o LII até 2008, mesmo ano em que recebeu o título de Professor Emérito da UFRGS.

Johnny Ferraz Dias ressaltou que as principais lições deixadas pelo professor Fernando foram a ousadia e a visão de futuro. “Ele conseguiu vislumbrar que essa nova física (implantação iônica) iria trazer frutos por muitos anos”, afirmou. Durante as suas falas, João Alziro Jornada e Israel Baumvol salientaram que o homenageado sempre foi muito generoso em dividir as suas vivências, ferramentas, literaturas. “Ele sempre dizia: eu não perco nada compartilhando essas experiências”, conta Israel. Irene Garcia destacou que o docente se preocupava com os pesquisadores não só pelo viés da pesquisa, mas como seres humanos. Daniel lembrou que se o orientando necessitasse de algum equipamento ou análise não disponível no laboratório, ele pegava o telefone na hora e já deixava marcado com as instituições que possuíam o serviço.

A diretora do Instituto de Física, Naira Balzaretti, traçou um paralelo entre a física experimental e o professor Fernando: “Para a técnica de implantação de íons é necessária uma quantidade enorme de energia para modificar o estado da matéria. Essa energia é fornecida pelo acelerador de íons. O professor Fernando atua como esse acelerador. Ele tem a energia necessária para implantar ideias que promovem mudanças no ambiente acadêmico”. Isso se aplica com o grupo de correlação angular, com o grupo de implantação iônica, com o centro de microscopia eletrônica e com o Programa de Pós-Graduação em Ciências dos Materiais. A diretora ainda frisou que uma das características mais marcantes do professor Fernando é a sua capacidade de formar lideranças científicas.

“Todas as histórias que os ex-alunos contaram são histórias de um grande orientador. O grande orientador tem que ser um ser humano que paga o vinho e a lagosta com prazer, dá um livro Como ser um pesquisador, abre portas, cria diálogos. Um verdadeiro exemplo para todos nós”, disse o reitor Rui Vicente Oppermann. Também afirmou que a trajetória do professor Fernando é uma história maravilhosa para todos que fazem ciência, pesquisa e têm comprometimento com a universidade pública, gratuita e socialmente referenciada.

Na ocasião, foi descerrada placa em homenagem a Fernando Zawislak. Foto: Secom/UFRGS

Em seu discurso, Fernando Zawislak agradeceu aos reitores da Universidade e diretores do Instituto por todo o auxílio que recebeu para desenvolver o seu trabalho. Também a Finep pelo dinheiro para montar o Laboratório de Implantação Iônica. Disse ser grato a todos os colegas do Instituto de Física, principalmente aos do laboratório, pela ajuda e pelas discussões de pesquisa. Por fim, agradeceu aos funcionários e aos técnicos, em especial. Em suas palavras, sem o apoio técnico o laboratório não funciona.

Encerrou recomendando que os grupos de pesquisa de tempos em tempos mudem os seus projetos e as suas áreas de investigação. “Trabalhar mais do que 20 anos numa área de pesquisa fica muito difícil, pois os artigos já são conhecidos, e, para aprovar um novo, tem que reescrever e reescrever. Ao pegar uma área nova, aí se tem um impulso de novo de 20 anos. Eu fiz isso e fiquei muito satisfeito”, contou.

A homenagem foi finalizada com o descerramento de placa na frente do prédio administrativo do Instituto de Física. Estiveram presentes no evento a esposa, filho, nora e netos de Fernando Zawislak. Servidores do IF, docentes e técnicos administrativos da época em que o professor atuou na Unidade e atuais membros também compareceram.

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