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Margot Guerra Sommer é distinguida com o título de Professora Emérita da UFRGS

Professora do Instituto de Geociências tem extensa produção científica. Sua trajetória é marcada pelo desenvolvimento da Paleontologia de vegetais na UFRGS
09/08/2016 13:04

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Em sessão solene realizada na manhã deste dia 9 de agosto, o Conselho Universitário outorgou à professora Margot Guerra Sommer o título de Professora Emérita. Ingressante na graduação em História Natural em 1967 e docente da UFRGS desde 1975, Margot dedicou sua vida ao desenvolvimento de estudos vinculados à Paleontologia de vegetais, área em que foi pioneira no Sul do Brasil.

Nascida em Bento Gonçalves, 1948, desde os 13 anos demonstrara vocação para docência, em aulas particulares de português e matemática que ministrava a alunos do primário. Ao longo da carreira, foram mais de 25 orientações de teses e dissertações, além de ser responsável pela institucionalização de disciplinas de Paleobotânica nas graduações de Geologia e Biologia e na pós em Geociências.

Formação - No início da década de 1970, a partir de novas visões trazidas pelo professor visitante Klaus-Ulrich Leistikow, Margot ingressou na área da paleobotânica. Sua formação de mestrado foi orientada por Leistikow e teve continuidade no Laboratório de Paleobotânica da Goethe Universität Frankfurt, Alemanha, e no Laboratório de Paleobotânica e Paleoecologia da Universidade Pierre e Marie Curie (Paris VI), França. Em 1989, obteve o título de doutorado de forma direta.

Orador da sessão, o professor Rualdo Menegat relatou que a homenageada ajudou a abrir fronteiras na relação da universidade com a comunidade por meio da instalação do Museu Paleontológico Municipal de São Pedro do Sul, em 1980, a partir de um amplo estudo de madeiras fósseis do RS, do qual teve parte. Esse trabalho foi de vital importância para que fosse decretado o Tombamento das Reservas Fossilíferas dos municípios de Mata e São Pedro do Sul.

Suas investigações contribuíram enormemente para a mudança do paradigma que explica a origem da biomassa geradora dos carvões do RS e de Santa Catarina. Na evolução de seus estudos de 1978 a 2010, a professora liderou mais de 14 projetos de pesquisa apenas sobre estudos de camadas portadoras de carvão, destacou Menegat. Os estudos de Margot investigaram, a partir da paleobotânica, grandes crises climáticas globais ao longo da história geológica da Terra.

“Suas pesquisas foram, assim, sempre se expandindo para a compreensão de escalas regionais e globais, seja do passado distante ou próximo. Das camadas de carvão de Candiota para o Permiano da Bacia do Paraná e, desde aí, para as correlações regionais e intercontinentais, como demonstra o projeto de estudos paleobotânicos sobre bacias sedimentares do Brasil e da Índia, desenvolvido em 2009”, disse Menegat.

Além de ocupar funções administrativas e em órgãos técnicos, Margot possui mais de 80 artigos em revistas científicas com procedimentos editoriais consistentes e alcance internacional. Recebeu variadas distinções como a de “Pesquisadora Destaque” da Sociedade Brasileira de Paleontologia, e a “Medalha Irajá Damiani Pinto - edição Jubileu de Ouro” do Instituto de Geociências da UFRGS

Margot é a primeira mulher do Instituto de Geociências a receber a distinção - Foto: Gustavo Diehl

Em sua intervenção, o reitor Carlos Alexandre Netto agradeceu o empenho da professora Margot em construir uma universidade de excelência. “Acadêmica e pesquisadora, nossa homenageada dedicou sua vida ao ensino e a pesquisa, e continua dedicando, marcando de forma extraordinária a história do nosso Instituto de Geociências. Ao longo de sua carreira, seus trabalhos levaram não apenas a implementar campos disciplinares, mas também a mudar e desafiar paradigmas científicos”, pontou o reitor.

Netto chamou atenção para o fato de que Margot ser a primeira mulher do Instituto de Geociência a receber o título de emérito e parabenizou os envolvidos por destacar papel da mulher no desenvolvimento da ciência. “Esse título honorífico reconhece e celebra o seu compromisso institucional, celebra sua dedicação e criatividade e capacidade de inspirar e motivar, enfim, o amor por tudo o que faz”, concluiu o reitor dirigindo-se a homenageada.

A professora Margot Guerra Sommer iniciou sua fala apontando que sua vida inteira girou em torno da universidade. “Hoje vejo que acertei e, emocionada, sinto-me grata, por haver atingido na UFRGS as minhas melhores expectativas profissionais e por juntar tantos amigos”, disse.

Ao falar do desenvolvimento de suas pesquisas, a professora chamou atenção para respostas angustiantes a que os estudos chegaram: as anomalias climáticas reforçadas fortemente por influência humana. “Isso nos leva a perguntar por que o homem ainda não entendeu essa simples verdade? Ele não está simplesmente cercado pela natureza, mas é parte integrante do sistema”, frisou Margot.

Antes de finalizar agradecendo o apoio de familiares em sua trajetória, a homenageada fez uma defesa da universidade pública e gratuita: “As recentes manifestações midiáticas, fundamentadas na incompreensão do que seja uma universidade pública, por desconhecer que essa instituição, forçosamente, está inserida na realidade social brasileira, e convive com seus problemas, são o desafio da universidade. Esse desafio não pode ser ignorado e exige incisiva resposta de nossa comunidade.”

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