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Painel discutiu as preocupações com o futuro da educação

07/12/2018 16:51

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Ontem à noite, dia 6, aconteceu mais um painel do ciclo Conjuntura Nacional na Perspectiva de Futuro, promovido pela UFRGS e o Instituto Latino-Americano de Estudos Avançados (ILEA). Os professores Marcus Vinícius de Azevedo Basso (Instituto de Matemática e Estatística), Fernando Becker (Faculdade de Educação) e Sandra de Deus (Pró-Reitoria de Extensão debateram o tema Educação. Na abertura, a vice-reitora Jane Tutikian apresentou brevemente um cenário dos últimos 20 anos das universidades federais e falou de alguns aspectos do plano de governo de Jair Bolsonaro. Apesar de muito genérico, a vice-reitora entende que o programa do presidente eleito retoma a tese do governo da época dos anos 1990 justamente para justiçar os cortes, que venha a fazer para as universidades brasileiras e tem uma grande ênfase na iniciativa privada. “A partir de um plano que tem uma sintonia muito grande e muito forte com a mercantilização, com a privatização, com o controle social e ideológico por meio da e na educação, isso é absolutamente preocupante”, expressa.

Marcus Basso destacou a ideia da implantação da educação a distância no ensino básico. Em sua visão, o uso da educação a distância seria uma alternativa para o crescente aumento do número de estudantes. No entanto, alertou para o impacto na formação cidadã dos estudantes pela ausência de convívio em ambiente escolar. “A educação é convívio que oferece oportunidade de confronto, da coexistência e da cooperação”, coloca.  Apontou que a educação também se faz com professores qualificados e reconhecidos pela sua importância no papel social, em uma sociedade que se pretende inclusiva. Só com formação inicial e continuada e de qualidade, os educadores podem realizar um trabalho relevante para o processo de aprendizagem dos alunos. “Isso não se consegue com atividades EaD pensadas nos moldes do novo”, complementa. Em sua visão, as escolas têm que continuar cumprindo um dos seus papeis fundamentais que é fazer com que as crianças tenham senso crítico.

O professor Fernando Becker destacou os possíveis motivos para o expurgo da ideologia de Paulo Freire da educação, proposta no plano de governo do presidente eleito. O pedagogo, considerado patrono da educação no Brasil, é reconhecido e condecorado nacional e internacionalmente pela sua vasta gama de obras e ousadia dos seus escritos. Entre um dos pontos apontados está a consciência de Freire de que um Estado poderoso pode desarticular movimentos legítimos da população, em especial da escola na busca da autonomia tanto intelectual quanto moral. Outro motivo seria a pedagogia de Freire ter como palavra-chave o diálogo, para que isso ocorra é imprescindível que se acabe com a opressão. “Façamos o possível para que o Brasil não jogue no lixo da história, como anunciada no programa de governo, a mundialmente reconhecida obra pedagógica de Freire: da pedagogia do oprimido, da esperança da autonomia, da prática da liberdade da democratização da escola, da conscientização da pedagogia da pergunta, da pedagogia da leitura da palavra como leitura do mundo, da pedagogia do conflito, mas sobretudo a pedagogia do diálogo ou ainda como gostava de dizer Freire da amorosidade e da boniteza da vida”, finaliza.

A pró-reitora de Extensão, Sandra de Deus, abordou o tema da noite a partir do programa da frente parlamentar evangélica, que subsidia o plano do novo governo eleito, e os entraves constitucionais que deve enfrentar para que possam permitir tais mudanças. Um dos primeiros entraves apontados é o veto a livros e novas disciplinas. A revisão de materiais didáticos depende do Conselho Nacional da Educação (CNE), os seus membros ainda têm mandatos de dois anos.  Para a implantação da educação a distância, o governo depende das diretrizes já estabelecidas pelo CNE. A criação de colégios militares em todas as capitais brasileiras depende de um alto investimento, pois eles custam três vezes mais que uma escola pública normal. O governo tem expressado o desejo de realizar alterações no Enem. No entanto, como aponta a professora, o Inpe prevê alterações somente a partir de 2021. Para conseguir a implantação da cobrança de mensalidades nas universidades e o fim das cotas raciais, o governo dependerá do Congresso Nacional para aprovação na alteração da Constituição Federal. Sandra ainda destacou três artigos da resolução aprovada, em novembro, do CNE que estabelece as diretrizes para a extensão universitária. Apesar de se referir a extensão, os princípios e desafios são aplicadas a toda as áreas da universidade na promoção da diversidade. “Nós temos bons argumentos para o enfrentamento para o documento da frente parlamentar evangélica, por que já temos colocada alguns desafios que sabemos que podemos enfrentá-lo. Estão colocados como lei e vamos cumprir”.

Após as falas dos painelistas, os ativadores do debate, o pró-reitor de Graduação Vladimir Nascimento e a pró-Reitora de Assuntos Estudantis Suzi Camey, apresentaram as suas considerações. Vladimir afirma que o futuro da educação vai depender do cumprimento não seletivo das leis que forem promulgadas, e que são diuturnamente e constantemente desrespeitadas pelos governos que as sancionam. Suzy trouxe questionamentos em relação a manutenção e permanência da assistência estudantil, que em breve pode enfrentar a falta de recursos.

O ciclo de painéis "Conjuntura Nacional na Perspectiva de Futuro" encerra no dia 13 de dezembro, às 18 horas no Centro Cultural da UFRGS (R. Eng. Luiz Englert, 333 – Campus Centro) com o tema Cenário Ciência e Tecnologia. Promovido pela UFRGS e o Instituto Latino-Americano de Estudos Avançados (ILEA), a atividade objetiva provocar a reflexão e promover entendimento sobre alguns cenários do Brasil a partir da eleição presidencial de 2018. A UFRGSTV disponibiliza os vídeos dos painéis no seu canal no Youtube.

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