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Pesquisador da UFRGS debate maior vulnerabilidade de espécies de vida mais curta face às alterações ambientais

Trabalho de Gonçalo Ferraz é publicado na Revista Nature Climate Change e comenta sobre a dinâmica populacional provocada pela crise climática
24/08/2020 12:26

O professor Gonçalo Ferraz, vinculado ao Departamento de Ecologia do Instituto de Biociências da UFRGS, teve o comentário ‘The privilege of longevity’, que trata  sobre a pesquisa em demografia de aves de floresta tropical, aceito para publicação na Nature Climate Change (NCC – fator de impacto de 18,4). A revista internacional tem grande visibilidade e, para a Universidade, representa um feito importante, uma vez que um profissional do seu quadro foi chamado para opinar sobre um avanço de conhecimento na área e, consequente, para a comunidade científica mundial.

Em seu comentário, Ferraz tem como objeto de debate o artigo chamado ‘Aves tropicais de vida longa reduzem a atividade reprodutiva enquanto se protegem dos efeitos da seca’, de Thomas Martin e James Mouton (publicado no mesmo número da Revista). O professor da UFRGS comenta sobre a dinâmica populacional face às alterações ambientais provocadas pela crise climática. “Ao contrário do que se pensava anteriormente, vida longa não significa automaticamente mais vulnerabilidade às alterações ambientais derivadas da crise climática. Na verdade, pode ser o contrário: as espécies de vida mais curta podem ser mais vulneráveis”, diz ele.

Martin e Mouton apresentam evidência empírica de que a suspensão da reprodução em animais de vida longa (um fenômeno de ‘plasticidade fenotípica’) confere vantagem de sobrevivência face a um período de seca. Os autores também argumentam que esta vantagem individual acaba se refletindo em vantagem populacional. “No meu comentário, contextualizei a descoberta de Martin e Mouton e acrescentei um argumento de que, mesmo sem plasticidade fenotípica, a longevidade pode trazer vantagem populacional”, salienta Ferraz.

Para o pesquisador, uma das características mais importantes para definir o ciclo de vida de uma espécie é a longevidade dos seus organismos. “Até agora se pensava que, de uma forma geral, os organismos mais longevos eram mais vulneráveis às alterações ambientais”. O debate de Ferraz se relacionado com os interesses de pesquisa na UFRGS uma vez que traz uma novidade notável para a identificação de prioridades de conservação face a mudanças climáticas. “Esta pesquisa é do interesse não só de quem trabalha com dinâmica de populações naturais nos departamentos de Ecologia, Botânica, Biologia Animal e Ceclimar, mas também para quem trabalha com mudanças climáticas pelo viés da geografia, hidrologia e climatologia”, explica o professor.

Martin e Mouton focam na seca como alteração ambiental e, para o Rio Grande do Sul como para o mundo, a crescente variação de temperatura e precipitação provocará períodos ocasionais de seca. “O RS, diferentemente de uma parte considerável do resto do mundo, está agravando a sua contribuição para a crise climática e enfraquecendo gravemente a sua legislação ambiental”, alerta ele.

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Viviane Zulian e moradores locais monitoram a contagem de Papagaios-de-peito-roxo. Foto: Viviane Zulian/Divulgação.

 

Gonçalo Ferraz atua na UFRGS desde 2013 e a sua pesquisa visa compreender a dinâmica de populações de organismos vivos na natureza. O laboratório se destaca pela combinação de rigor na coleta de dados e flexibilidade na análise estatística. Os trabalhos buscam não só a conservação de espécies ameaçadas, mas também o controle de vetores de doenças que afetam a população humana.

Ferraz acredita que o trabalho ‘Age effects on survival of Amazon forest birds and the latitudinal gradient in bird survival’, publicado em 2018, chamou a atenção da NCC e esse pode ser um dos motivos do convite para escrever o comentário The privilegie of longevity’.

Em 2020 também foram publicados dois importantes trabalhos:

•      A estimativa do tamanho populacional do Papagaio-de-Peito Roxo, espécie ameaçada de extinção – Addressing multiple sources of uncertainty in the estimation of global parrot abundance from roost counts: A case study with the Vinaceous-breasted Parrot (Amazona vinacea);

•      Análise da variação temporal da infestação por Aedes aegypti na cidade de Porto Alegre – Site Occupancy by Aedes aegypti in a Subtropical City is Most Sensitive to Control during Autumn and Winter Months.

 

Confira o comentário ‘The privilegie of longevity’ em https://www.nature.com/articles/s41558-020-0890-1.

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