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Pesquisadores da UFRGS encontram nova forma para tratar evento responsável por sufocamento de bebês

Achados mostram redução de 50% em lesões causadas por hipóxia-isquemia neonatal, evento que provoca danos às células do sistema nervoso do bebê. No estudo, foi usado para tratamento o lactato, um resíduo produzido pelo corpo após atividades físicas
11/02/2021 09:49

Uma pesquisa da UFRGS demonstrou que é possível reduzir em torno de 50% as lesões causadas por hipóxia-isquemia neonatal, evento caracterizado por um sufocamento do bebê e normalmente causado por complicações na gravidez ou no parto. A hipóxia-isquemia neonatal causa danos às células do sistema nervoso do bebê, o que pode provocar problemas motores, paralisia cerebral e até mesmo levar a óbito. A partir desse quadro, os pesquisadores decidiram testar o lactato como estratégia de tratamento desse acidente perinatal. Lactato é também conhecido como ácido lático, um resíduo produzido nos músculos após atividades físicas que geralmente causa um desconforto. Essa substância era considerada apenas um resíduo metabólico que deveria ser expelido pelo corpo humano, mas novas pesquisas apontaram efeitos positivos dela no sistema nervoso, o que levou à ideia de testá-la no caso da hipóxia-isquemia neonatal. O estudo foi publicado em novembro na revista Neuroscience, sendo inclusive tema da capa. O periódico, mantido pela International Brain Research Organization (IBRO), é referência mundial na área de neurociências.

O fenômeno hipóxico-isquêmico pode ser de difícil diagnóstico, e suas consequências podem se apresentar até os 2 anos da criança. O professor Luciano Stürmer de Fraga, chefe do departamento de Fisiologia da UFRGS, explica que a hipóxia-isquemia não tem necessariamente uma causa principal: há uma falta de trocas gasosas e, portanto, de oxigênio nos pulmões, ocasionando problemas para o bebê. “Uma causa comum é o enrolamento do cordão umbilical”, exemplifica. Isadora Tassinari, pesquisadora do mesmo Programa, acrescenta que são eventos que podem acontecer não só durante o parto, mas também antes e depois.

Como foi feito o estudo

Isadora esclarece que, durante o evento hipóxico-isquêmico, ocorre uma redução de oxigênio e glicose que chegam ao sistema nervoso, o que coloca em risco todo o corpo. Isso mata as células nervosas, que nunca mais se regeneram – daí a seriedade dos danos causados. Na pesquisa, os cientistas usaram lactato para tratar esse acidente, simulando a hipóxia-isquemia em modelo animal, em ratos com sete dias de vida. Esses roedores foram escolhidos por terem um sistema nervoso semelhante ao de um bebê recém-nascido.

Para que os animais fossem submetidos ao evento hipóxico-isquêmico, tiveram sua artéria carótida direita (um vaso sanguíneo na região do pescoço que supre o sistema nervoso) obstruída. Em seguida, foram expostos a uma atmosfera com apenas 8% de oxigênio por uma hora. A ideia era provocar de fato uma lesão no sistema nervoso tal qual esse acidente causaria em crianças. “A gente ocasionou essa lesão nos ratos e então testou possíveis agentes neuroprotetores, que reduzissem essa lesão”, ressalta Luciano. Trinta minutos depois, os ratos foram divididos em dois grupos: um deles recebeu uma injeção de lactato como tratamento; e ao outro não foi ministrado nada. Os pesquisadores testaram o comportamento e o reflexo dos animais, já que episódios de hipóxia-isquemia geralmente causam danos motores – eles verificaram, por exemplo, se o rato conseguia se mover corretamente, ou levantar caso fosse virado de costas para baixo. Após o cálculo do volume das lesões cerebrais, foi constatado que o grupo ao qual foi ministrado lactato teve uma redução de quase 50% no tamanho da lesão em relação ao outro grupo. Além disso, os ratos que receberam a injeção apresentaram menos danos motores que os outros.

A pesquisadora explica que, apesar de ser claro o funcionamento do lactato, esse modelo do estudo não consegue descrever como e com que mecanismos essa substância atua. “O resultado foi empírico: é possível observar melhoras motoras e a redução da lesão, mas não sabemos ainda limites de dosagens ou de tempo para realizar a injeção, além dos parâmetros adotados para esse estudo”, afirma. Luciano complementa que outra pesquisa semelhante, realizada na França, alcançou resultados parecidos, mesmo utilizando dosagens de lactato e tempos diferentes, o que indica uma segurança no uso da substância.

Confira a matéria na íntegra no Portal UFRGS Ciência.

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