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Pesquisadores da UFRGS participam de estudo internacional

Mais de 60 cientistas colaboraram na pesquisa que reconstrói a história da população nativa das Américas. O trabalho modifica a hipótese até então aceita pela comunidade acadêmica
01/08/2012 13:38
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Pesquisadores da UFRGS participam de estudo internacional

Da esquerda para a direita: Tábita, Salzano e Maria Cátira - Foto: arquivo pessoal

Um artigo desenvolvido por pesquisadores da UFRGS, em parceria com outros estudiosos das Américas e da Europa, foi publicado na Revista Nature, uma das mais importantes revistas científicas do mundo. O trabalho, elaborado por 64 cientistas, revelou um aspecto até então desconhecido da história da população do continente americano. Os questionamentos que cercam a descoberta da América pelos europeus no século XV motivaram as pesquisas. Além disso, a falta de fósseis humanos de grande antiguidade no território eliminava a hipótese da origem autóctone, e durante mais de um século os pesquisadores debruçaram-se sobre duas questões: de onde eles vieram? E quantas ondas imigratórias teriam ocorrido?

Francisco Salzano, professor do Instituto de Biociências da UFRGS, e um dos autores do artigo, explica que, até o momento, a ideia predominante era de uma onda migratória única, que chegou ao continente pelo estreito de Bering, teria dado origem à população americana. O estudo Reconstructing Native American population history (ou Reconstruindo a história da população nativa americana, em tradução livre) indica a existência de três ondas migratórias.

“O artigo considerou a história evolucionária dos ameríndios em um nível de detalhamento inimaginável mesmo há pouco tempo: 364.470 marcadores genéticos em 52 populações de Nativos Americanos e 17 siberianos”, revela Salzano. Além de Salzano, a também professora do Instituto de Biociências da UFRGS Maria Cátira Bortolini e a pós-doutora Tábita Hünemeier assinam o artigo.

Ainda de acordo com Francisco Salzano, os resultados mais importantes do trabalho podem ser descritos em dois pontos principais. A primeira descoberta indica um retorno à hipótese proposta por pesquisadores norte-americanos em 1986: a de que seriam três ondas migratórias que deram origem à população do continente. Uma a partir da região de Bering, a principal, que teria originado a grande maioria dos Ameríndios; e duas outras secundárias, que originaram respectivamente os esquimós-aleutas e os NaDene.

A segunda descoberta a destacar é que o povoamento das Américas teria sido facilitado por uma rota costeira ao longo do Pacífico, com divisões populacionais e pouco fluxo após a divergência; porém, os falantes Chibcha da América Central teriam recebido material genético tanto da América do Norte quanto do Sul, relata o professor.

 

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